Daikin, líder mundial de ar-condicionado de luxo, testa no Brasil modelo de assinatura já usado na África, com mensalidade baixa, aparelhos de alta eficiência até 50 por cento mais caros e promessa de economizar energia, reduzir emissões e ampliar acesso ao conforto térmico em casas novas e usadas pelo país.
A Daikin estuda trazer ao Brasil um modelo inédito de ar-condicionado por assinatura, inspirado em um programa já em operação em países africanos. A multinacional japonesa, referência global em climatização, quer usar o peso da marca Daikin para convencer consumidores a pagar um valor mensal acessível por equipamentos de alta eficiência energética, que hoje custam entre 30 e 50 por cento mais do que a média do mercado.
Na África, em países como Tanzânia e África do Sul, o cliente paga cerca de 5 dólares por mês durante cinco anos e, ao fim do período, decide se quita o valor residual para ficar com o aparelho ou se rescinde o contrato, devolvendo o equipamento para a própria Daikin. No Brasil, a empresa ainda desenha o modelo, mas a lógica é semelhante: o consumidor arca com a instalação, experimenta o conforto térmico com custo de energia menor e, ao longo do tempo, escolhe se transforma a assinatura em compra definitiva.
Daikin quer vender conforto em vez de aparelho
A estratégia da Daikin no país é clara. Em vez de competir apenas por preço nas prateleiras, a empresa tenta reposicionar o ar-condicionado como serviço de conforto térmico, e não apenas como um bem durável caro.
-
Longe dos holofotes, família transforma antiga madeireira em negócio gigante de R$ 3,7 bilhões, abre 25 lojas em dois anos e avança por 22 estados
-
Casal viu o negócio afundar, vendeu até a própria casa para manter o projeto e hoje comanda plataforma que movimenta R$ 900 milhões por mês e gerencia mais de 51 milhões de anúncios
-
Imposto de Renda 2026: 9,58 milhões de contribuintes entram no maior lote de restituição já registrado pela Receita Federal, mas um detalhe sobre quem recebe primeiro está despertando atenção em todo o país
-
Itaú muda o jogo do trabalho híbrido, exige mais dias no escritório a partir de 2028 e deixa funcionários de olho no calendário, no trânsito e na nova rotina presencial
Roberto Yi, presidente da Daikin Brasil, defende que o diferencial está na combinação de tecnologia, eficiência energética e qualidade de instalação, fatores que, segundo ele, justificam o preço mais alto em relação a concorrentes como LG, Midea, Gree, TCL, Elgin e Philco.
Hoje, os aparelhos Daikin produzidos na Zona Franca de Manaus chegam ao consumidor até 50 por cento mais caros do que modelos tradicionais, justamente porque incorporam soluções que reduzem consumo de energia.
O discurso oficial é que o que se economiza na conta de luz ao longo dos anos compensa o investimento inicial maior, especialmente em um cenário de calor crescente e uso mais intenso de climatização nas residências brasileiras.
Assinatura testada na África inspira plano para o Brasil
O projeto africano é o laboratório que embasa o desenho da assinatura para o mercado brasileiro. Lá, a Daikin aprendeu a escalar o modelo com mensalidade baixa, contrato de longo prazo e opção de compra ao final, reduzindo a barreira de entrada para famílias que não teriam como pagar à vista um equipamento mais sofisticado.
No caso brasileiro, a empresa ainda avalia qual seria o valor adequado da mensalidade e quais perfis de moradia poderiam ser priorizados, como apartamentos novos, casas em regiões muito quentes ou imóveis que já enfrentam contas de energia elevadas.
A ideia é que o consumidor experimente na prática a diferença de um ar-condicionado premium da Daikin em relação a modelos básicos, sentindo tanto o conforto térmico quanto o impacto na fatura de luz, antes de tomar a decisão de compra definitiva.
Preço alto, conta de luz menor e mercado gigante a conquistar
A aposta da Daikin ocorre em um mercado com enorme potencial de crescimento. Hoje, apenas 2 em cada 10 residências brasileiras têm ar-condicionado, o que, na visão da empresa, mostra o tamanho da oportunidade.
Estudos citados por Roberto Yi indicam que as vendas de aparelhos residenciais podem quintuplicar até 2035, impulsionadas por ondas de calor mais frequentes, urbanização e avanço da classe média.
Nesse horizonte, a Daikin Brasil quer sair da participação atual de 4 por cento em volume no segmento residencial para 20 por cento.
A assinatura aparece como ferramenta para acelerar essa virada, permitindo que mais consumidores testem equipamentos premium Daikin, considerados caros quando comparados ao preço médio nacional, mas mais econômicos no uso diário de energia elétrica.
Daikin, líder global em HVAC, mira o bolso e o clima
No cenário global, a Daikin já é a líder mundial em HVAC, somando em 2024 vendas de cerca de 26,42 bilhões de dólares, à frente de rivais como Midea e Gree. Essa escala mundial se traduz em capacidade de investir pesado em pesquisa e desenvolvimento.
Nos últimos anos, a companhia direcionou mais de 2,7 bilhões de dólares para novas soluções de eficiência energética, incluindo o desenvolvimento do fluido refrigerante R 32, que reduz o impacto ambiental e o consumo de eletricidade.
A empresa também apresentou, na COP 30 em Belém, sistemas de climatização para grandes edifícios capazes de reduzir em até 40 por cento o gasto de energia elétrica, segundo testes internos comparando a solução da Daikin com métodos tradicionais de ventilação e ar-condicionado.
Esse tipo de tecnologia é central para o discurso da marca, que se coloca como parte da solução para descarbonizar construções, responsáveis por uma fatia relevante das emissões globais de gases de efeito estufa.
Daikin no Brasil: lojas conceito, grandes projetos e foco em eficiência
No Brasil, a Daikin construiu reputação inicialmente no mercado corporativo e de grandes projetos, assinando a climatização de edifícios como o Eldorado Business Tower e o novo Museu do Ipiranga, em São Paulo, além de hospitais da Rede D Or e estádios como a Vila Belmiro e o Mané Garrincha.
Esses contratos ajudaram a fixar a marca como referência em soluções complexas de climatização.
Para ganhar espaço no varejo e chegar às residências, a Daikin investe em 31 lojas conceito espalhadas por 16 estados, operadas por parceiros instaladores que passam por treinamento intensivo em centros da empresa em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, com um novo centro previsto para Belo Horizonte.
Nessas lojas, o foco é mostrar ao consumidor que um ambiente bem climatizado é diferente de um ambiente apenas muito frio, reforçando o discurso de conforto e eficiência.
Tecnologia, conectividade e geração Z no radar da Daikin
A estratégia para 2026 também passa por tecnologia digital e conectividade, alinhada às expectativas da geração Z. A Daikin quer que seus aparelhos dialoguem com o modo de vida conectado do consumidor, com funções como automatização, desligamento remoto via celular e coleta de dados em nuvem para entender momentos de maior e menor uso, ajustando o desempenho e economizando ainda mais energia.
Segundo Roberto Yi, a empresa já utiliza robôs e automação nas fábricas e agora busca aproximar esse nível de sofisticação do usuário final, transformando o ar-condicionado Daikin em um produto conectado, inteligente e alinhado com metas de redução de consumo.
Essa combinação de tecnologia, eficiência e serviço é o tripé que sustenta a ideia de um modelo de assinatura de longo prazo no Brasil.
Selic alta, mão de obra escassa e o desafio de crescer mais
O cenário macroeconômico brasileiro traz obstáculos para os planos da Daikin. A taxa Selic elevada encarece o crédito e limita tanto o capital de giro das empresas quanto o financiamento de imóveis, diretamente ligado à instalação de ar-condicionado em novas unidades habitacionais.
Ao mesmo tempo, a companhia enfrenta falta de mão de obra qualificada e até para funções básicas, o que torna ainda mais estratégico o investimento em centros de treinamento e redes de instaladores.
Apesar dos desafios, a Daikin acredita que a busca do brasileiro por conforto térmico com conta de luz sob controle vai sustentar a expansão do mercado.
A empresa aposta que o consumidor está mais atento ao custo de operar o aparelho ao longo dos anos e, por isso, tende a considerar com mais cuidado soluções que economizam energia, mesmo que o preço inicial do equipamento seja maior.
No fim das contas, a pergunta que a própria Daikin tenta responder com o modelo de assinatura é simples.
O brasileiro está pronto para pagar todo mês por um ar-condicionado de luxo que promete gastar menos energia e entregar mais conforto? E você, pagaria uma assinatura mensal da Daikin para ter um aparelho mais eficiente em casa?

5dolar , 30$ em um produto de referência de alta qualidade pegava fácil
Conceito interessante. Sendo um valor honesto, pagaria sim.
Aparelhos melhores do planeta, porém difícil de encontrar e mais caro, as grandes dificilmente deixarão entrar no mercado…..