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Dado como morto pela segunda vez, idoso de 81 anos perde aposentadoria e sobrevive de doações: “Não aguento mais trabalhar”

Publicado em 16/03/2026 às 12:32
Idoso, Salário, INSS
Imagem: Reprodução
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Idoso de 81 anos perde aposentadoria após ser dado como morto e passa a viver de doações em cidade de Goiás

Um erro envolvendo dados no INSS levou o aposentado José Borges da Silva, de 81 anos, a ter o benefício suspenso novamente após ser registrado como morto. Morador de Ituaçu, no noroeste de Goiás, ele enfrenta dificuldades financeiras desde agosto de 2024.

José vive sozinho e afirma que depende de doações de cestas básicas feitas por moradores da cidade para conseguir se alimentar. O idoso também realiza pequenos serviços de reparo para tentar pagar despesas mensais.

Estou passando dificuldades e sentindo falta das coisas. Em abril faço 82 anos e não aguento mais trabalhar com serviço pesado”, relatou.

Problema cadastral no INSS

O aposentado contou que procurou o INSS e a Receita Federal acompanhado do advogado Rafael Cesári para entender a suspensão do benefício e tentar reativar o pagamento.

Segundo o instituto, o CPF de José Borges da Silva aparece com situação cadastral de “titular falecido”. A regularização precisa ser feita junto à Receita Federal para que o benefício possa voltar aos sistemas do INSS.

Sem a renda da aposentadoria, o idoso afirma que tem feito pequenos trabalhos para sobreviver.

Eu arrumo torneiras, chuveiro e outras coisas. Estou vivendo disso e de uma cesta básica que estão fazendo para mim”, disse.

Suspensão aconteceu após morte de outro homem

José se aposentou como trabalhador rural em 2008. O benefício foi interrompido pela segunda vez em agosto de 2024.

De acordo com o advogado Rafael Cesári, a suspensão ocorreu quando um homem da Bahia, que utilizava indevidamente os dados do aposentado goiano, morreu.

A morte desse homem levou os sistemas do INSS a registrarem o idoso de Goiás como falecido.

Caso semelhante já havia ocorrido em 2021

Segundo o advogado, a primeira suspensão aconteceu em 2021. Na ocasião, José ficou mais de dez meses sem receber a aposentadoria.

De acordo com Rafael, houve um conflito nos registros do INSS, que misturou os dados do aposentado de Ituaçu com os de outro homem da Bahia que recebia o Benefício de Prestação Continuada, ligado à Lei Orgânica da Assistência Social.

Os dois tinham o mesmo nome, sobrenome e dados semelhantes.

A Justiça identificou o erro naquele mesmo ano e determinou que a aposentadoria fosse restabelecida”, explicou o advogado.

Nova decisão judicial ainda não foi cumprida

Para tentar resolver o problema novamente, a defesa entrou com um novo processo em junho de 2025.

Segundo Rafael Cesári, a Justiça concedeu uma liminar determinando a retomada do pagamento da aposentadoria e estabeleceu multa diária caso a decisão não fosse cumprida.

Mesmo assim, de acordo com o advogado, o benefício ainda não foi reativado pelo INSS.

A Justiça já determinou a reimplantação, inclusive com multa diária por descumprimento, mas o instituto não resolveu a situação”, afirmou.

Investigação aponta uso indevido de dados

Um laudo produzido pela Polícia Civil analisou documentos dos dois idosos no mesmo ano em que a ação judicial foi aberta.

O relatório concluiu que o homem da Bahia utilizava indevidamente os dados do aposentado de Ituaçu.

Nos registros analisados, ambos apareciam com a mesma data de nascimento, nomes dos pais e até a mesma cidade de origem.

Para o advogado, é possível que o outro idoso tivesse pouca instrução e não soubesse do erro. Mesmo assim, a confusão nos cadastros segue impactando a vida do aposentado goiano.

Enquanto a situação não é resolvida nos sistemas do INSS, José Borges continua dependente de doações e de pequenos reparos que ainda consegue realizar para sobreviver.

Com informações de G1.

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Romário Pereira de Carvalho

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