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Da teoria à prática: como tecnologia de armazenamento está revolucionando a transição energética e evitando desperdício por excesso de energia renovável com impacto direto no mercado

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Escrito por Hilton Libório Publicado em 23/02/2026 às 16:12 Atualizado em 23/02/2026 às 16:16
Assista o vídeoSistema de armazenamento de energia em baterias (BESS) ao lado de usinas solares e turbinas eólicas em funcionamento durante o pôr do sol.
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O avanço das baterias no Brasil ganha força diante do excesso de energia renovável e reposiciona a transição energética como prioridade estratégica. Entenda como a tecnologia de armazenamento reduz desperdícios, evita curtailment e atrai investimentos bilionários

O Brasil enfrenta um desafio que, até poucos anos atrás, parecia improvável: lidar com o excesso de energia renovável. Segundo matéria publicada pelo site Capital Reset nesta segunda-feira (23), o crescimento acelerado das fontes solar e eólica impulsionou a transição energética brasileira, mas também revelou limitações estruturais na rede de transmissão e na gestão da oferta.

Em 2024, a geração eólica e solar respondeu por 24% da eletricidade do país, segundo o Ministério de Minas e Energia. Em 2019, esse percentual era de 9,9%. O salto mostra a velocidade da expansão renovável, mas também expõe um novo gargalo: o sistema elétrico não foi preparado, no mesmo ritmo, para absorver essa produção variável.

De tempos em tempos, o Operador Nacional do Sistema precisa solicitar a interrupção temporária do envio de energia por parte de geradores solares e eólicos. Esse procedimento, conhecido como curtailment, representa desperdício direto de energia limpa. No Dia dos Pais de 2025, o Brasil esteve próximo de um apagão por excesso de energia, segundo o próprio ONS.

Tecnologia de armazenamento ganha protagonismo diante do excesso de energia renovável

Diante desse cenário, a tecnologia de armazenamento deixa o campo das promessas e passa a ocupar posição estratégica. Baterias em larga escala surgem como solução concreta para estabilizar a rede, reduzir perdas e fortalecer o mercado elétrico.

A tecnologia de armazenamento funciona como um mecanismo de compensação para o sistema elétrico. Quando há excesso de energia renovável em determinados horários, as baterias absorvem essa produção excedente. Posteriormente, quando a demanda aumenta ou a geração diminui — especialmente no período noturno, no caso da solar —, essa energia é reinjetada na rede.

Esse modelo permite reduzir cortes forçados de geração e ampliar o aproveitamento da matriz limpa. Em vez de desligar turbinas ou limitar a produção solar, o operador pode direcionar a eletricidade para armazenamento temporário.

O problema do excesso de energia renovável está diretamente ligado à intermitência das fontes. Parques eólicos produzem conforme a intensidade dos ventos, enquanto usinas solares dependem da incidência solar. Já uma usina térmica pode ser acionada sob demanda. Essa diferença estrutural exige soluções flexíveis.

A tecnologia de armazenamento se encaixa exatamente nesse ponto crítico da transição energética, oferecendo capacidade de resposta rápida e controle mais refinado da oferta.

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Transição energética brasileira avança, mas exige modernização estrutural

A transição energética no Brasil é frequentemente apontada como referência internacional. O país possui matriz predominantemente renovável, com forte presença hidrelétrica, eólica e solar. No entanto, a expansão acelerada das novas fontes revelou a necessidade de atualização da infraestrutura.

Entre 2019 e 2024, a participação de eólica e solar saltou de 9,9% para 24% da eletricidade nacional. Esse crescimento expressivo trouxe benefícios ambientais e reduziu a dependência de fontes fósseis, mas pressionou a capacidade de escoamento da energia produzida.

O sistema elétrico precisa manter equilíbrio constante entre oferta e demanda. Quando a geração supera a capacidade de transmissão ou o consumo instantâneo, há risco de instabilidade. O curtailment torna-se, então, uma medida preventiva.

A incorporação da tecnologia de armazenamento representa um passo decisivo para consolidar a transição energética de forma sustentável. Não se trata apenas de gerar energia limpa, mas de garantir sua utilização plena e eficiente.

Tecnologia de armazenamento: mercado de baterias acelera e movimenta bilhões

Os reflexos desse movimento já aparecem no mercado. Segundo estimativa da consultoria Clean Energy Latin America, o setor de baterias para armazenamento de energia no Brasil movimentou R$ 2,2 bilhões em 2025. No ano anterior, o volume havia sido de R$ 700 milhões, o que demonstra crescimento expressivo.

Atualmente, a capacidade instalada de sistemas de armazenamento no país é de 685 megawatts-hora, suficiente para abastecer 1,7 milhão de residências brasileiras. Cerca de 70% desse total foi implementado em sistemas isolados, voltados para fábricas, instalações comerciais, agronegócio e comunidades remotas.

Somente em 2024, foram adicionados 269 megawatts-hora ao sistema nacional, entre projetos conectados à rede e sistemas distribuídos. O crescimento foi de 29% em relação ao ano anterior.

Esses dados evidenciam que a tecnologia de armazenamento já ocupa espaço relevante dentro da transição energética brasileira. O movimento deixa de ser experimental e passa a integrar estratégias corporativas e governamentais.

Flexibilidade operacional fortalece a transição energética

Especialistas apontam que o principal valor das baterias está na flexibilidade operacional. A possibilidade de controlar quando a energia será injetada na rede cria uma camada adicional de segurança.

Segundo profissionais do setor jurídico e regulatório, as baterias funcionam como ferramenta de gestão. O operador pode determinar que não seja injetada mais energia quando já há oferta suficiente, direcionando o excedente para armazenamento.

Essa flexibilidade é especialmente importante diante do excesso de energia renovável. Em momentos de alta produção solar no meio do dia ou ventos intensos durante a madrugada, a tecnologia de armazenamento impede que o sistema seja sobrecarregado.

Além disso, o armazenamento contribui para suavizar variações abruptas, mantendo frequência e tensão dentro dos padrões técnicos exigidos. O resultado é maior confiabilidade e menor risco de interrupções.

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Resposta instantânea e redução de custos estruturais

Outro diferencial técnico relevante é a capacidade de resposta quase imediata das baterias. Diferentemente de termelétricas, que exigem tempo de acionamento e possuem custo variável associado ao combustível, os sistemas de armazenamento podem ser ativados rapidamente.

Markus Vlasits, presidente da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia, destaca que o déficit de potência costuma durar apenas duas ou três horas. Nesses casos, a bateria atua de forma cirúrgica, sem necessidade de manter uma usina térmica operando por oito ou doze horas.

Estudo da consultoria Aurora Energy Research, encomendado pela associação, aponta que 1 gigawatt fornecido por um sistema de baterias pode custar até R$ 4,6 bilhões a menos ao longo de 15 anos do que a mesma quantidade despachada por termelétricas a gás.

Esse dado reforça que a tecnologia de armazenamento não apenas resolve o excesso de energia renovável, mas também gera impacto econômico direto. A redução de custos sistêmicos tende a beneficiar consumidores e empresas no longo prazo.

Leilão federal e nova fase do mercado elétrico para a tecnologia de armazenamento

Com a previsão de um leilão do governo federal para contratar baterias, o tema ganha dimensão estratégica. A iniciativa sinaliza que o poder público reconhece a necessidade de integrar armazenamento à política energética nacional.

O avanço regulatório será determinante para consolidar esse mercado. Definir regras claras sobre remuneração, enquadramento dos ativos e critérios de despacho é essencial para atrair investimentos de longo prazo.

A transição energética brasileira entra, assim, em uma etapa mais sofisticada. O foco deixa de ser apenas expansão da geração renovável e passa a incluir eficiência operacional e inteligência de rede.

A tecnologia de armazenamento surge como elo entre produção limpa e estabilidade sistêmica. Sem ela, o risco de ampliação do excesso de energia renovável e de novos episódios de curtailment tende a crescer.

O novo equilíbrio entre expansão e eficiência energética

O Brasil já demonstrou capacidade de ampliar rapidamente sua participação de fontes renováveis. O salto de 9,9% para 24% na geração eólica e solar em poucos anos comprova isso. O desafio agora é transformar volume em eficiência.

A tecnologia de armazenamento representa o instrumento mais promissor para alcançar esse equilíbrio. Ao absorver o excesso de energia renovável, reduzir riscos de apagões e diminuir custos estruturais, as baterias fortalecem o sistema elétrico.

Mais do que uma solução técnica, o armazenamento redefine a própria lógica da transição energética. Ele permite que a matriz limpa opere com maior previsibilidade, estabilidade e competitividade.

Se o país conseguir alinhar regulação, investimentos e inovação, poderá transformar um problema emergente em vantagem estratégica. A gestão inteligente da energia será tão importante quanto sua geração. Nesse novo cenário, eficiência passa a ser a palavra-chave do desenvolvimento energético brasileiro.

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Hilton Libório

Hilton Fonseca Liborio é redator, com experiência em produção de conteúdo digital e habilidade em SEO. Atua na criação de textos otimizados para diferentes públicos e plataformas, buscando unir qualidade, relevância e resultados. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras, Energias Renováveis, Mineração e outros temas.

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