Mesmo com recuo em dezembro, o curtailment continua elevado e afeta a geração de energias renováveis, especialmente eólica e solar, com impacto direto sobre empresas listadas.
O curtailment, termo usado para definir os cortes forçados na geração de energia, apresentou uma desaceleração no final de 2025, mas ainda permaneceu em patamar elevado ao longo do quarto trimestre. A avaliação consta em análise divulgada pelo BTG Pactual, que acompanha o desempenho operacional das energias renováveis no país.
Segundo o relatório, o comportamento do período foi marcado por forte pressão sobre a geração renovável nos meses iniciais do trimestre. Em contrapartida, dezembro trouxe um alívio mais consistente. Ainda assim, os níveis observados seguem significativamente acima dos registrados em 2024, mantendo efeitos diretos sobre a receita e a performance das companhias do setor elétrico.
Geração eólica concentra parte relevante dos cortes
No segmento eólico, o curtailment médio atingiu 23,8% no quarto trimestre de 2025. O percentual evidencia restrições relevantes à geração, mesmo em um cenário de alta disponibilidade de vento em diversas regiões do país.
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Entre as empresas listadas, os impactos mais expressivos recaíram sobre a CPFL Energia, com 37,5%, seguida de perto pela Copel, com 37,4%. Na sequência aparecem Equatorial Energia, por meio da Echoenergia, com 27,6%, Engie Brasil Energia, com 25,8%, e Auren Energia, que incorporou ativos da AES Brasil, com 25,6%.
Do ponto de vista regional, os maiores cortes foram registrados no Rio Grande do Norte, onde o curtailment médio chegou a 33,7%. O Ceará aparece logo depois, com 30,5%, enquanto Piauí e Paraíba apresentaram percentuais de 19,5% e 18,2%, respectivamente.
Dezembro reduz pressão sobre o vento
Apesar do desempenho fraco no trimestre como um todo, a leitura mensal indica melhora progressiva. Em dezembro, o curtailment eólico recuou para 15,7%, frente a 22,5% em novembro e 29,7% em outubro. O movimento sinaliza um ajuste operacional no sistema, embora ainda distante de níveis considerados ideais.
No segmento solar, o cenário seguiu padrão semelhante. O curtailment médio ficou em 24,5% no quarto trimestre, abaixo do trimestre anterior, mas ainda elevado. A redução gradual ao longo dos meses não foi suficiente para neutralizar os efeitos acumulados.
As empresas mais impactadas foram a Alupar, com 39,5%, Equatorial Energia, novamente via Echoenergia, com 38,0%, Auren Energia, com 30,0%, e Eneva, com 26,0%.
Regionalmente, Pernambuco liderou os cortes solares, com 31,9%, seguido pela Bahia, com 30,3%, Piauí, com 27,4%, e Minas Gerais, com 25,0%.
Natureza energética lidera causas do curtailment
De acordo com o BTG Pactual, o curtailment de natureza energética continuou sendo o principal fator limitante no período. Esse tipo de restrição respondeu por 54% dos cortes na geração eólica e por 69% na solar.
Ao mesmo tempo, os cortes relacionados à confiabilidade ganharam maior participação no segmento eólico, enquanto os de natureza elétrica permaneceram residuais. O dado indica a persistência de restrições estruturais no sistema elétrico, especialmente em regiões com alta concentração de projetos de energias renováveis.
Mesmo com o recuo observado no fim do ano, o curtailment segue como um dos principais desafios operacionais para a expansão sustentável das energias renováveis no Brasil.

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