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Depois de transportar o maior sino do mundo, vindo da Polônia, o motorista Devanir Batista Pesotto atravessa o Mato Grosso do Sul com peças industriais de 43 toneladas e quase 27 metros, cargas especiais destinadas ao projeto da Arauco em Inocência

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 02/06/2026 às 19:14
Após levar o maior sino do mundo, o motorista Devanir cruza o Mato Grosso do Sul com peças industriais de 43 t, cargas especiais para a Arauco em Inocência.
Após levar o maior sino do mundo, o motorista Devanir cruza o Mato Grosso do Sul com peças industriais de 43 t, cargas especiais para a Arauco em Inocência.
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O motorista Devanir Batista Pesotto, que já transportou o maior sino do mundo, vindo da Polônia, atravessa agora o Mato Grosso do Sul com peças industriais de 43 toneladas e quase 27 metros. As cargas especiais seguem em comboio escoltado para o projeto da Arauco, em Inocência, a 25 km/h.

Quem passou por um posto na BR-262, na saída para Três Lagoas, em Campo Grande, nesta segunda-feira (1º), deu de cara com uma cena fora do comum: um comboio carregando peças industriais gigantescas, de 43 toneladas e quase 27 metros de comprimento. As estruturas, equipamentos de grande porte, seguem para o projeto da Arauco, em Inocência, no interior do Mato Grosso do Sul.

No comando de uma das carretas está Devanir Batista Pesotto, de 47 anos, especializado em cargas especiais. Seu currículo guarda uma façanha e tanto: foi um dos responsáveis por transportar o maior sino do mundo, o Vox Patris, vindo da Polônia até a Região Metropolitana de Goiânia.

As peças industriais que pararam o trânsito em Campo Grande

Tamanho da paça transportada por Devanir (Fotos: Paulo Francis)
Tamanho da peça transportada por Devanir (Fotos: Paulo Francis)

As dimensões impressionam. Cada uma das peças industriais tem cerca de 6,70 metros de altura, 27 metros de comprimento, 5,80 metros de largura e 43 toneladas de peso. Foi esse tamanho que fez o comboio chamar a atenção de quem cruzava a rodovia. Pelo porte, as estruturas seriam, provavelmente, vasos de pressão destinados ao grande projeto industrial da Arauco, em Inocência.

Ao todo, são seis peças transportadas no mesmo projeto, sendo quatro pela empresa STS, onde Devanir trabalha, e duas por outra transportadora.

Segundo o motorista, esta já é a sétima viagem da etapa: as cargas especiais saem do Paraná e percorrem cerca de 1.370 quilômetros até Inocência. Ainda faltam outras três estruturas, que devem ser buscadas em Nova Londrina, também no Paraná, para concluir a fase até o meio do mês no Mato Grosso do Sul.

Quem é o motorista do maior sino do mundo

Devanir ao lado do Padre Marco Aurélio, do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno, em Trindade (GO), ao receber o Vox Patris (Foto: Reprodução)
Devanir ao lado do Padre Marco Aurélio, do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno, em Trindade (GO), ao receber o Vox Patris (Foto: Reprodução)

Segundo informações do portal Campo Grande News, a experiência de Devanir com cargas monumentais ganhou fama com o transporte do maior sino do mundo.

O Vox Patris foi carregado em Santos e levado até Trindade, em Goiás, numa viagem de sete dias que passou por São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Brasília. Para o motorista, foi uma honra entrar para a história ao conduzir um símbolo tão forte da fé católica.

O sino não é uma peça qualquer. Fundido na Polônia, o Vox Patris é considerado o maior sino do mundo que badala, com 55 toneladas, quatro metros de altura e 4,5 metros de diâmetro, e foi levado para o novo Santuário Basílica do Divino Pai Eterno.

Devanir conta que esse trabalho abriu portas para novos contratos da empresa em cargas especiais, e que, depois dele, vieram grandes clientes e projetos como o atual, no Mato Grosso do Sul.

Como se move uma carga de 43 toneladas pela estrada

video: Campo Grande News

Transportar peças industriais desse porte não depende só de um motorista experiente. Antes de a carga pegar a estrada, há estudo prévio, planejamento de rota, escolta e acompanhamento de equipes especializadas.

Devanir explica que a operação envolve polícia, batedores, companhias de energia e equipes ligadas à internet, já que a altura e a largura das estruturas exigem cuidado com fios, postes, acessos e outras interferências no caminho.

Na estrada, a pressa fica para quem observa. As carretas rodam em velocidade média de 25 a 40 quilômetros por hora e têm horário definido para circular, com saída por volta das 10h e deslocamento até cerca das 16h. Nesta etapa, o comboio que cruza o Mato Grosso do Sul conta com dez batedores, dez escoltas, duas viaturas e equipes de apoio, um aparato à altura das cargas especiais rumo ao canteiro da Arauco.

Da roça às cargas especiais: a trajetória de Devanir

Antes das cargas gigantes, Devanir teve um começo parecido com o de muitos profissionais da estrada. Trabalhou anos na roça, foi para São Paulo, tirou a habilitação e começou a caminhada no transporte. Para conduzir esse tipo de peças industriais, precisou de formação específica, com curso para cargas especiais, MOPP e direção defensiva.

Ele também observa a reação de quem cruza o caminho do comboio. No início, alguns motoristas ficam impacientes e tentam ultrapassar, mas, quando as escoltas e a polícia se aproximam, a maioria entende que não se trata de um transporte comum. Devanir fala com entusiasmo, como quem ainda olha para uma peça de 43 toneladas e enxerga um novo desafio, agora levando equipamentos da Arauco para o interior do Mato Grosso do Sul.

Da fé que moveu o maior sino do mundo às peças industriais que cruzam o Mato Grosso do Sul a 25 km/h, a rotina de Devanir mostra um lado pouco visto das estradas brasileiras.

Conte nos comentários se você já ficou preso atrás de um comboio de cargas especiais como esse e o que achou da história desse motorista.

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Zé Cueca
Zé Cueca
06/06/2026 10:16

Aqui em minha região (Contagem/Betim) existem várias empresas que oferecem esse serviço, mas a rotatividade de motoristas é muito grande.
Os profissionais passam dias e até meses fira de casa e não tem a valorização necessária.
As empresas crescem extremamente, mas o empregado continua a morar nas mais degradantes condições de vida.
Aliás, a escravidão continua mais latente que antes.
O senhor do engenho fornecia tudo que o escravo necessitava para manter o patrão na riqueza, hoje o patrão paga um salário **** para o “escravo” pagar aluguel, água, luz, escola, trasporte r tudo mais que precisa!
Os seja; está igual ou pior que antes da libertação.
Salvo excessões!

Zé Cueca
Zé Cueca
06/06/2026 10:08

Olá galera!
O que desejo saber é quanto ganha um motorista como esse e sai vários por esse Brasil afora.
Esses trabalhadores na maioria das vezes são explorsdos pelas empresas.
Um frete como o descrito da para comprar vários caminhões novos e o motorista, em muitos casos não tem nem um carrinho básico.
Ser elogiado e receber tapinha nas costas nao muda nada.
Isso é que a maioria das empresas fazem

Arilza Gonçalves da Silva
Arilza Gonçalves da Silva
04/06/2026 21:12

É necessário proficionais com experiência assim. Parabéns ao motorista e toda a equipe que conduziu o trabalho!

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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