Equinor investe R$ 17,2 milhões para desenvolver biometano de cana, transformando resíduos do etanol em energia renovável e valor para o agronegócio.
A Equinor anunciou um investimento de R$ 17,2 milhões em um novo projeto de biometano voltado ao aproveitamento de resíduos da cana-de-açúcar gerados pela indústria do etanol na Região Sudeste do Brasil. A iniciativa, denominada Res2Bio, também contará com aporte de R$ 9,2 milhões da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), totalizando R$ 26,4 milhões destinados à pesquisa ao longo de 42 meses.
Segundo informações do Canal Rural no dia 28 de maio de 2026, o objetivo é avaliar o potencial do biometano de cana produzido a partir de subprodutos como bagaço, palha e vinhaça, ampliando o aproveitamento energético desses materiais e fortalecendo a produção de energia renovável. O projeto reúne instituições de destaque no Brasil e no exterior, reforçando o interesse crescente por soluções sustentáveis capazes de reduzir emissões e gerar novas oportunidades econômicas para o agronegócio.
Equinor aposta em resíduos da cana para ampliar a produção de energia renovável
O novo movimento da Equinor demonstra como o setor energético está cada vez mais atento às oportunidades oferecidas pela bioeconomia. Em vez de focar apenas na produção tradicional de combustíveis, a empresa pretende explorar o potencial dos resíduos já gerados pela cadeia sucroenergética.
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O projeto de biometano foi criado para investigar formas mais eficientes de transformar materiais que normalmente são descartados ou possuem baixo aproveitamento em uma fonte energética de maior valor agregado. A iniciativa pode abrir caminho para uma utilização mais ampla do biometano de cana, considerado uma alternativa sustentável ao gás natural fóssil.
Além do aporte financeiro, o projeto também representa um avanço na integração entre ciência, indústria e agronegócio, três setores estratégicos para o desenvolvimento econômico brasileiro.
Projeto de biometano Res2Bio reúne universidades e centros de pesquisa de referência
O Res2Bio conta com a participação do Centro Paulista de Estudos em Biogás e Bioprodutos (CP2B), ligado à Unicamp, e do Laboratório Nacional de Biorrenováveis (LNBR), que integra o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).
A iniciativa também terá colaboração internacional de pesquisadores da Universidade de Aalborg, na Dinamarca, da Universidade Norueguesa de Ciências da Vida (NMBU) e do Instituto Norueguês de Pesquisa em Bioeconomia (NIBIO).
Essa combinação de especialistas busca acelerar o desenvolvimento de tecnologias capazes de aumentar a eficiência da produção de biogás e, posteriormente, do biometano de cana, utilizando conhecimento científico de diferentes regiões do mundo.
Como o investimento de R$ 26,4 milhões da Equinor será aplicado ao longo de 42 meses
O investimento total de R$ 26,4 milhões será direcionado para pesquisas voltadas ao aproveitamento energético dos resíduos gerados pela produção de etanol.
Entre os principais pontos que serão analisados estão:
- Métodos de pré-tratamento dos resíduos;
- Combinação de diferentes matérias-primas;
- Aumento da produção de biogás;
- Tecnologias para purificação do gás;
- Separação do metano para atender padrões comerciais.
Os pesquisadores também avaliarão quais estratégias apresentam melhor desempenho técnico e econômico para futuras aplicações em escala industrial.
Como se trata de um projeto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), os estudos ainda estão em fase inicial e não existem estimativas definitivas sobre a capacidade futura de produção.
Biometano de cana pode transformar resíduos em uma nova fonte de valor econômico
A indústria sucroenergética brasileira gera grandes volumes de resíduos todos os anos. Bagaço, palha e vinhaça fazem parte da rotina das usinas e já possuem diferentes aplicações, mas ainda existe espaço para ampliar seu aproveitamento.
Nesse cenário, o biometano de cana surge como uma alternativa capaz de agregar valor a materiais que já fazem parte do processo produtivo. Em vez de serem tratados apenas como subprodutos, esses resíduos podem se tornar matéria-prima para combustíveis renováveis.
Esse modelo contribui para a chamada economia circular, na qual recursos são reaproveitados de forma mais eficiente, reduzindo desperdícios e criando novas oportunidades de negócios.
Energia renovável ganha espaço na estratégia de descarbonização global
O crescimento da demanda por combustíveis de baixa emissão tem impulsionado projetos semelhantes em diferentes países. O biometano de cana é considerado uma solução promissora porque pode ser utilizado em diversas aplicações sem exigir grandes mudanças na infraestrutura existente.
Na prática, isso significa que o combustível pode atender setores como:
- Transporte pesado;
- Indústria;
- Geração de energia;
- Distribuição de gás.
Essa compatibilidade facilita sua adoção e aumenta o potencial de expansão da energia renovável no mercado brasileiro.
Além disso, a produção de biometano pode contribuir para a redução das emissões associadas à decomposição natural dos resíduos orgânicos, transformando um passivo ambiental em um recurso energético.
Andrea Achoa destaca potencial estratégico da iniciativa da Equinor
Segundo informações divulgadas pela própria empresa, Andrea Achoa, diretora de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Equinor, destacou a importância do projeto para a geração de conhecimento científico e para o desenvolvimento de soluções aplicáveis ao setor energético.
A executiva também ressaltou o potencial de aproveitamento dos resíduos orgânicos como uma forma de gerar benefícios ambientais e econômicos. A avaliação está alinhada com a estratégia global da companhia de apoiar iniciativas relacionadas à transição energética e ao desenvolvimento de tecnologias de baixo carbono.
A participação da empresa em projetos desse tipo reforça a relevância do Brasil dentro do cenário internacional de bioenergia.
Agronegócio brasileiro pode ganhar uma nova frente de crescimento
O Brasil ocupa posição de destaque mundial na produção de cana-de-açúcar e etanol. Por isso, qualquer avanço tecnológico relacionado ao aproveitamento dos resíduos dessa cadeia produtiva possui potencial para gerar impactos significativos.
O projeto de biometano poderá indicar caminhos para aumentar a rentabilidade das usinas e ampliar a integração entre agricultura, indústria e geração de energia. Caso a viabilidade técnica seja comprovada, novas oportunidades de negócios poderão surgir em torno da produção de combustível renovável.
Esse cenário tende a fortalecer ainda mais o papel do agronegócio brasileiro dentro da transição energética global, especialmente em um momento em que diversos países buscam alternativas para reduzir a dependência de combustíveis fósseis.
O que os próximos anos podem revelar sobre o potencial do biometano
Os resultados obtidos ao longo dos 42 meses de pesquisa serão fundamentais para determinar o potencial de expansão da tecnologia. O trabalho deverá mostrar quais resíduos apresentam melhor desempenho, quais processos são mais eficientes e quais modelos possuem maior viabilidade econômica.
Embora ainda seja cedo para estimar volumes comerciais de produção, o projeto representa um passo importante para o desenvolvimento do biometano de cana no Brasil.
Com o apoio da Equinor, da Embrapii, da Unicamp, do CNPEM e de instituições internacionais, a iniciativa pode contribuir para transformar resíduos agrícolas em uma fonte estratégica de energia renovável, agregando valor à cadeia sucroenergética e fortalecendo a posição do país no mercado global de bioenergia.
Com informações de Canal Rural.


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