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A explosão na Sibéria, registrada em 30 de junho de 1908 sobre Tunguska, liberou energia estimada entre 10 e 15 megatons de TNT, devastou cerca de 2.150 quilômetros quadrados de floresta, derrubou aproximadamente 80 milhões de árvores e segue como um dos maiores alertas sobre objetos próximos da Terra

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 03/06/2026 às 19:50
Atualizado em 03/06/2026 às 19:55
Explosão na Sibéria em 1908 devastou Tunguska, derrubou 80 milhões de árvores e não deixou cratera no solo.
Explosão na Sibéria em 1908 devastou Tunguska, derrubou 80 milhões de árvores e não deixou cratera no solo.
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Em 1908, a explosão na Sibéria devastou uma área maior que a Grande Londres, derrubou cerca de 80 milhões de árvores e intrigou cientistas por não deixar cratera, reforçando até hoje o debate sobre asteroides, cometas e riscos vindos do espaço.

A explosão na Sibéria liberou, em 30 de junho de 1908, energia estimada entre 10 e 15 megatons de TNT, devastou cerca de 2.150 quilômetros quadrados de floresta e derrubou aproximadamente 80 milhões de árvores sem abrir cratera.

A manhã em que o céu iluminou Tunguska

O evento ocorreu sobre a bacia do rio Podkamennaya Tunguska, na Sibéria central, em área remota que atrasou a verificação científica por quase duas décadas. Uma bola de fogo cruzou o céu, seguida por calor, clarão e destruição.

Uma testemunha citada pelo Observatório Real de Greenwich relatou que o céu pareceu se dividir em dois, com fogo alto sobre a floresta. O calor foi comparado à sensação de uma camisa pegando fogo.

Tunguska virou o maior evento de impacto cósmico já registrado na história humana. A força estimada foi centenas de vezes superior à bomba lançada sobre Hiroshima, embora os números dependam de reconstruções indiretas.

explosão sibéria
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Explosão na Sibéria derrubou árvores em padrão radial

A destruição atingiu área maior que a Grande Londres. Cerca de 80 milhões de árvores foram derrubadas ou estilhaçadas em padrão radial, pista essencial para entender a direção da onda de choque.

A primeira expedição científica chegou apenas em 1927. O mineralogista Leonid Kulik liderou a missão, adiada pela distância extrema da região e pela turbulência política vivida na Rússia após 1908.

Kulik esperava encontrar cratera e fragmentos grandes de meteorito. Em vez disso, encontrou árvores queimadas, desfolhadas e derrubadas por 15 a 30 quilômetros, com pouco crescimento posterior quase 20 anos depois.

No epicentro, os troncos caídos apontavam para um único ponto. Porém, havia apenas um pântano alagado. Não havia buraco de impacto, meteorito preservado ou sinal de que o objeto tivesse atingido o solo intacto.

Por que não houve cratera em Tunguska

A ausência de cratera não elimina a hipótese de impacto. Ao contrário, é uma das principais pistas. Crateras se formam quando um corpo atravessa a atmosfera e chega ao solo inteiro.

Em Tunguska, a interpretação mais aceita é a de explosão aérea. O objeto entrou em alta velocidade, comprimiu o ar à frente, sofreu aquecimento extremo, fragmentou-se e liberou energia cinética antes de tocar o solo.

O Observatório Real de Greenwich explica que objetos menores podem queimar na atmosfera, enquanto corpos maiores podem explodir. No caso de Tunguska, a desintegração teria ocorrido a aproximadamente 5 a 10 quilômetros de altitude.

A onda de choque desceu sobre a floresta e produziu o padrão de árvores caídas. Assim, o centro radial apontava para um ponto no céu, não para uma cratera no chão. Por isso, o caso segue classificado como impacto.

Asteroide ou cometa ainda é discussão aberta

O mecanismo da explosão aérea é aceito, mas a natureza do objeto permanece em debate. Uma hipótese aponta para um cometa, formado em parte por gelo, cuja vaporização rápida poderia explicar sinais atmosféricos posteriores.

A Britannica registra o desenvolvimento de nuvens noctilucentes sobre a Europa após o evento. O Observatório Real de Greenwich também menciona brilho incomum visto até na Irlanda do Norte, suficiente para permitir leitura depois da meia-noite.

Essa hipótese é associada à chuva de meteoros Beta Taurídeos, originada de detritos de cometas. A coincidência temporal reforça a possibilidade, mas não encerra a discussão científica sobre a explosão na Sibéria.

Outra linha defende um asteroide rochoso, talvez com 50 a 60 metros de diâmetro. A reportagem do SpaceDaily afirma que trabalhos recentes tendem a corroborar essa interpretação, embora nenhuma conclusão definitiva tenha sido estabelecida.

Os vestígios atribuídos ao evento são mínimos: pequenos fragmentos com menos de um milímetro. Também existe proposta contestada de que o Lago Cheko, perto do epicentro, seria cratera de um fragmento remanescente.

Energia foi estimada por evidências indiretas

Os números sobre Tunguska exigem cautela. Não havia instrumentos no local em 1908, e a energia de 10 a 15 megatons foi calculada a partir da floresta devastada, de registros sísmicos e de modelos de explosões aéreas.

Ondas sísmicas foram registradas até na Europa Ocidental, mas isso não transforma a estimativa em valor exato. Publicações científicas apresentam faixas maiores, para cima e para baixo. “Centenas de vezes Hiroshima” resume melhor a escala.

Por que Tunguska ainda importa

O caso mudou a forma de pensar riscos cósmicos. Durante muito tempo, a preocupação principal esteve nos objetos grandes, capazes de deixar crateras e causar efeitos globais. Tunguska mostrou que corpos menores também podem produzir destruição ampla.

Em 15 de fevereiro de 2013, outro objeto explodiu sobre Chelyabinsk, na Rússia, a 2.400 quilômetros de Tunguska. Cerca de 1.500 pessoas ficaram feridas, principalmente por vidro quebrado pela onda de choque.

O aniversário da explosão na Sibéria, 30 de junho, passou a ser lembrado como o Dia Internacional do Asteroide. A data também reforça a importância de rastrear asteroides e entender quanto aviso o próximo evento semelhante poderia oferecer.

Por que a siberia é tão grande?

A região ocupa a maior parte do território da Rússia, indo dos Montes Urais, perto da Europa, até o Oceano Pacífico. Ela é imensa porque o Império Russo se expandiu para o leste durante séculos, especialmente a partir dos séculos XVI e XVII, conquistando e incorporando territórios pouco povoados da Ásia setentrional.

Além disso, a Sibéria tem algumas características que ajudaram a manter essa enorme área como uma só região:

Pouca população: O clima é muito frio, com longos invernos, solos congelados e grandes áreas de taiga, tundra e montanhas. Isso dificultou a formação de muitos países ou grandes centros urbanos independentes.

Expansão russa pelo interior da Ásia: Os russos avançaram em busca de peles, metais, madeira, terras e rotas comerciais. Como havia baixa densidade populacional em muitas áreas, o controle territorial avançou rapidamente.

Barreiras naturais enormes: A Sibéria tem rios gigantes, florestas imensas, áreas congeladas e regiões isoladas. Isso dificultou invasões externas e favoreceu o domínio centralizado russo.

Importância econômica: Apesar do clima extremo, a Sibéria é riquíssima em petróleo, gás natural, carvão, madeira, ouro, diamantes e outros minerais. Por issso, a Rússia sempre teve grande interesse em manter esse território sob controle.

Em resumo: a Sibéria é enorme porque a Rússia se expandiu por uma região gigantesca, fria, pouco povoada e rica em recursos naturais, mantendo esse território unido ao longo da história.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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