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Crianças já faziam peças de argila há 15 mil anos no sudoeste asiático, e digitais preservadas em 142 ornamentos ajudaram arqueólogos a provar isso

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 01/04/2026 às 10:01 Atualizado em 02/04/2026 às 12:09
Artefatos, Ornamentos, Peças
Vestígios de fibras vegetais preservados em algumas contas mostram como elas eram enfiadas e usadas, oferecendo uma visão rara de materiais orgânicos em registros arqueológicos — Foto: Laurent Davin
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Pesquisa identifica 142 contas e pingentes de argila em quatro sítios natufianos e revela que crianças participaram da produção dos ornamentos paleolíticos

Um estudo publicado na revista Science Advances na quarta-feira (18) detalha a descoberta de 142 contas e pingentes de argila no sudoeste asiático, os mais antigos da região, e mostra que parte dos ornamentos paleolíticos foi moldada por crianças, ampliando o entendimento sobre simbolismo e vida sedentária.

Descoberta dos artefatos

A pesquisa foi conduzida por uma equipe internacional de arqueólogos. Os objetos foram encontrados em quatro sítios natufianos: el-Wad, Nahal Oren, Hayonim e Eynan-Mallaha, cobrindo mais de três milênios de ocupação de algumas das primeiras comunidades sedentárias do mundo.

Entre os achados, estavam 142 ornamentos paleolíticos, formados por contas e pingentes pequenos o bastante para caber na palma da mão.

As peças foram moldadas em cilindros, discos e elipses a partir de argila crua, com acabamento cuidadoso e formatos variados.

Marcas preservadas nas peças

Os pesquisadores identificaram 50 impressões digitais preservadas nas superfícies dos artefatos.

A análise permitiu apontar quem havia produzido parte dos objetos, algo descrito como a primeira vez em que arqueólogos conseguem identificar fabricantes de ornamentos paleolíticos.

Parte das peças parece ter sido feita especialmente para crianças. Um dos exemplos citados é um anel de argila com apenas 10 milímetros de largura.

Além disso, algumas marcas registradas nas superfícies indicam que pequenos integrantes da comunidade participaram diretamente da modelagem.

Técnica antiga e tradição consolidada

Muitas contas receberam revestimento de ocre vermelho por meio do engobe, técnica que consiste na aplicação de uma fina camada de argila líquida sobre a superfície.

O estudo aponta que este é o uso mais antigo conhecido desse procedimento de coloração em todo o mundo.

A quantidade de peças encontradas indica que o emprego da argila não era um teste isolado.

Para os arqueólogos, os ornamentos paleolíticos integravam uma tradição já consolidada, vinculada à expressão de identidade, pertencimento e significado por meio da cultura material.

Laurent Davin, da Universidade Hebraica de Jerusalém, afirmou em comunicado que a descoberta muda completamente a forma como se entende a relação entre argila, simbolismo e o surgimento da vida sedentária.

Participação coletiva e aprendizado

Os resultados sugerem que a confecção dessas peças era uma atividade cotidiana compartlihada entre membros da comunidade.

Esse processo coletivo teria papel na aprendizagem, na imitação e na transmissão de valores sociais de uma geração para a seguinte.

Das 19 contas distintas identificadas, muitas reproduziam formas de plantas centrais para a vida natufiana, como cevada, trigo e lentilhas.

Em conjunto, os artefatos indicam que a natureza não era apenas fonte de alimento, mas também de significado social.

Impacto sobre a visão histórica

O estudo contraria a ideia de que os usos simbólicos da argila no sudoeste asiático só teriam surgido com a agricultura e com o modo de vida neolítico.

A pesquisa aponta um movimento anterior, iniciado nos primeiros estágios da sedentarização humana.

Nesse período, comunidades ainda praticavam caça e coleta, mas começavam a viver em assentamentos permanentes.

Foi nesse contexto que os ornamentos paleolíticos passaram a expressar identidade, afiliação e relações sociais, revelando que mudanças sociais e cognitivas já etavam em curso.

Com informações de Revista Galileu.

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Romário Pereira de Carvalho

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