Escavações na baía de Imari revelaram um navio mongol da invasão de 1281, com armas e objetos que ampliam o retrato histórico do conflito
Escavações na baía de Imari, perto da ilha de Takashima, no Japão, revelaram um navio mongol ligado à invasão de 1281, frustrada por um tufão. O achado reúne armas, objetos cotidianos e novos indícios sobre a tentativa de conquista liderada por Kublai Khan.
Achado na costa japonesa
O navio mongol foi identificado após um escaneamento acústico do fundo do mar realizado em 2023 por uma equipe do Instituto Nacional de Pesquisa de Bens Culturais de Nara e da Universidade Kokugakuin, em Tóquio.
Segundo o estudo publicado na revista Yearbook Japan, a embarcação recém-escavada estava na baía de Imari.
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Dentro do vaso, havia uma espada ainda na bainha, flechas e um par de pauzinhos de metal gravados.
A descoberta foi descrita como o terceiro naufrágio desse tipo achado na região nos últimos 15 anos. Os outros dois haviam sido encontrados em 2014 e 2011, respectivamente.
Onde estavam os destroços
Os três navios localizados estavam a 65 pés, aproximadamente 20 metros, de profundidade.
Também estavam soterrados a cerca de três pés, aproximadamente 90 centímetros, abaixo do fundo do oceano, cobertos por camadas de sedimentos.
A análise do navio mongol número 3 ajudou os pesquisadores a ampliar o quadro da tentativa de invasão do Japão no século XIII.
A datação por radiocarbono revelou informações sobre a madeira usada na construção da embarcação.
Entretanto, a forma de construção e os artefatos achados a bordo indicaram que o navio pertencia ao Exército de Jiangnan, formado por vassalos dos mongóis durante a Dinastia Yuan.
A invasão de 1281
Na chamada Guerra de Koan, Kublai Khan teria enviado uma frota de 4.400 embarcações e cerca de 140.000 soldados e marinheiros para a Baía de Hakata, em Kyushu.
Do lado japonês, 40.000 samurais e outros guerreiros defendiam o corredor. Mesmo assim, a ofensiva parecia ter vitória garantdia antes da chegada da tempestade.
Um tufão devastador destruiu a armada mongol, poupando apenas uma centena de navios, e matou a maioria dos guerreiros. Nos dias seguintes, a maior parte dos sobreviventes foi caçada e morta por samurais.

O primeiro kamikaze
A invasão de 1281 foi a segunda tentativa frustrada por uma tempestade em menos de dez anos. Em 1274, Kublai Khan já havia enviado entre 30.000 e 40.000 homens, em 500 a 900 embarcações, também para Hakata.
Naquela ocasião, um tufão afundou um terço da frota e causou a morte de 13.000 pessoas por afogamento. A tempestade passou a ser conhecida como kamikaze, ou vento divino.
Vida a bordo do navio mongol
Os destroços continham ainda capacetes de ferro, balas de canhão de pedra, estátuas budistas de bronze, espelhos e utesílios do dia a dia.
A equipe agora espera analisar uma amostra de solo das tábuas inferiores do casco, que continha espinhas de peixe, couro e outros acessórios, para reconstruir como era a vida a bordo antes do naufrágio.
Com informações de New York Post.

