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Navio mongol afundado há 745 anos surge em escavações com espada, flechas e relíquias da invasão de 1281 ao Japão, destruída pelo primeiro “kamikaze” da história

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 30/03/2026 às 18:54 Atualizado em 30/03/2026 às 18:57
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Escavações na baía de Imari revelaram um navio mongol da invasão de 1281, com armas e objetos que ampliam o retrato histórico do conflito

Escavações na baía de Imari, perto da ilha de Takashima, no Japão, revelaram um navio mongol ligado à invasão de 1281, frustrada por um tufão. O achado reúne armas, objetos cotidianos e novos indícios sobre a tentativa de conquista liderada por Kublai Khan.

Achado na costa japonesa

O navio mongol foi identificado após um escaneamento acústico do fundo do mar realizado em 2023 por uma equipe do Instituto Nacional de Pesquisa de Bens Culturais de Nara e da Universidade Kokugakuin, em Tóquio.

Segundo o estudo publicado na revista Yearbook Japan, a embarcação recém-escavada estava na baía de Imari.

Dentro do vaso, havia uma espada ainda na bainha, flechas e um par de pauzinhos de metal gravados.

A descoberta foi descrita como o terceiro naufrágio desse tipo achado na região nos últimos 15 anos. Os outros dois haviam sido encontrados em 2014 e 2011, respectivamente.

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Onde estavam os destroços

Os três navios localizados estavam a 65 pés, aproximadamente 20 metros, de profundidade.

Também estavam soterrados a cerca de três pés, aproximadamente 90 centímetros, abaixo do fundo do oceano, cobertos por camadas de sedimentos.

A análise do navio mongol número 3 ajudou os pesquisadores a ampliar o quadro da tentativa de invasão do Japão no século XIII.

A datação por radiocarbono revelou informações sobre a madeira usada na construção da embarcação.

Entretanto, a forma de construção e os artefatos achados a bordo indicaram que o navio pertencia ao Exército de Jiangnan, formado por vassalos dos mongóis durante a Dinastia Yuan.

A invasão de 1281

Na chamada Guerra de Koan, Kublai Khan teria enviado uma frota de 4.400 embarcações e cerca de 140.000 soldados e marinheiros para a Baía de Hakata, em Kyushu.

Do lado japonês, 40.000 samurais e outros guerreiros defendiam o corredor. Mesmo assim, a ofensiva parecia ter vitória garantdia antes da chegada da tempestade.

Um tufão devastador destruiu a armada mongol, poupando apenas uma centena de navios, e matou a maioria dos guerreiros. Nos dias seguintes, a maior parte dos sobreviventes foi caçada e morta por samurais.

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Imagem: Divulgação

O primeiro kamikaze

A invasão de 1281 foi a segunda tentativa frustrada por uma tempestade em menos de dez anos. Em 1274, Kublai Khan já havia enviado entre 30.000 e 40.000 homens, em 500 a 900 embarcações, também para Hakata.

Naquela ocasião, um tufão afundou um terço da frota e causou a morte de 13.000 pessoas por afogamento. A tempestade passou a ser conhecida como kamikaze, ou vento divino.

Vida a bordo do navio mongol

Os destroços continham ainda capacetes de ferro, balas de canhão de pedra, estátuas budistas de bronze, espelhos e utesílios do dia a dia.

A equipe agora espera analisar uma amostra de solo das tábuas inferiores do casco, que continha espinhas de peixe, couro e outros acessórios, para reconstruir como era a vida a bordo antes do naufrágio.

Com informações de New York Post.

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Romário Pereira de Carvalho

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