Menino de 8 anos caminha quase 5 km sob –9°C para fazer prova na China, viraliza com cabelo congelado e mobiliza doações que melhoram as condições da escola.
Em janeiro de 2018, a fotografia de um menino chinês de 8 anos, Wang Fuman, estudante da Escola Primária Zhuanshanbao, na província de Yunnan, região sudoeste da China, virou notícia internacional e provocou um debate profundo sobre desigualdade, pobreza rural e as condições enfrentadas por milhões de crianças que vivem em áreas remotas do país.
Naquele dia, a temperatura na região registrou cerca de –9°C, com ventos cortantes e sensação térmica ainda mais baixa. Wang percorreu aproximadamente 4 a 5 quilômetros a pé — trajeto que inclui subidas e terreno irregular — para chegar à escola e realizar uma prova importante. Quando atravessou o portão da sala de aula, seu cabelo, suas sobrancelhas e parte da roupa estavam completamente congelados, transformados em uma camada branca de gelo causada pelo vapor da respiração acumulado durante o trajeto.
A professora, surpresa com a aparência do aluno, fotografou o momento e enviou a imagem para colegas e diretores. Em poucos minutos, a imagem começou a se espalhar pela internet chinesa. No exterior, ele ficou conhecido como “Ice Boy”, o “menino de gelo”.
-
Sem caixas eletrônicos, com redes sociais bloqueadas e viagens controladas pelo governo, Eritreia desafia o mundo moderno e revela por que é chamada de “Coreia do Norte da África”
-
Japão passou décadas evitando exportar grandes meios militares, mas agora negocia destróieres Asagiri usados para ampliar cooperação naval com a Indonésia
-
Em 1902, centenas de crianças plantaram 242 mudas no interior de São Paulo e criaram o primeiro ato ecológico da América Latina, dando origem a uma festa histórica, inspirando o Dia da Árvore no Brasil e transformando Araras em símbolo verde nacional
-
Debaixo das ruas de Roma havia um quartel romano de 1.700 anos com 39 salas, mosaicos, afrescos e vestígios da guarda imperial; a descoberta mudou o projeto da Linha C do metrô e obrigou engenheiros a desmontar as ruínas para reconstruí-las dentro da estação
A realidade por trás da foto: pobreza, longas distâncias e determinação infantil
Wang vivia em uma área rural de Ludian, um dos condados mais pobres de Yunnan. Sua casa era construída em terra batida, sem isolamento térmico, e ele morava com a avó e a irmã. O pai trabalhava em outra província como operário migrante — situação comum entre famílias rurais na China.
Como muitas crianças da zona montanhosa de Yunnan, ele precisava caminhar diariamente por longas distâncias para estudar. O trajeto incluía:
- estradas de terra congelada;
- neblina densa pela manhã;
- ventos frios que descem das montanhas;
- trechos sem iluminação e sem transporte público.
A caminhada de 4 a 5 km confirmada por reportagens locais levou cerca de uma hora, o suficiente para que a umidade no cabelo e nas sobrancelhas congelasse completamente.
Segundo entrevistas dadas pela direção da escola à mídia chinesa, Wang chegou sorrindo e brincou com os colegas, mesmo com o rosto avermelhado e os dedos quase dormentes. Seu esforço era motivado por uma única razão: era dia de prova — e ele não aceitava perder a avaliação.
A viralização da foto e a repercussão imediata
Em menos de 24 horas, a imagem do menino congelado tomou conta das redes sociais chinesas e foi replicada em veículos internacionais como BBC, Sky News, The Guardian e South China Morning Post. O debate tomou duas linhas principais:
- admirar a determinação do menino, que mesmo sob frio extremo não faltou à escola;
- expor a desigualdade profunda entre áreas urbanas e rurais da China.
A hashtag relacionada ao caso alcançou milhões de visualizações, e Wang rapidamente se tornou símbolo das dificuldades enfrentadas por crianças rurais.
A resposta do governo local e as doações que seguiram a viralização
Diretores da escola confirmaram que, nos dias seguintes à repercussão, diversas empresas chinesas, organizações estudantis e voluntários passaram a enviar:
- casacos de inverno;
- luvas e botas para alunos;
- aquecedores;
- fundos para reparos estruturais da escola.
O governo da província de Yunnan abriu investigação e destinou recursos emergenciais para:
- melhorar o isolamento térmico das salas;
- instalar sistemas de calefação;
- reforçar a alimentação escolar em períodos de frio extremo.
Embora a pontuação exata da prova — como “99 de 100” — não apareça em veículos oficiais, professores confirmaram à imprensa chinesa que Wang tinha desempenho acima da média da turma e era conhecido por ser esforçado, disciplinado e raramente faltar às aulas, mesmo em condições climáticas adversas.
Consequências e debates gerados pelo episódio
A foto serviu como um catalisador para uma discussão nacional sobre:
- a infraestrutura escolar em regiões remotas;
- segurança de crianças que percorrem longas distâncias;
- a desigualdade entre escolas urbanas modernas e estruturas rurais antigas;
- políticas públicas para melhorar transporte e acesso à educação.
Reportagens posteriores mostraram que o caso teve impacto concreto:
diversos condados da província adotaram medidas para melhorar o transporte escolar e ampliar os programas de assistência a famílias em pobreza extrema.
A vida de Wang após a comoção mundial
Nos meses seguintes à repercussão, Wang foi transferido para uma escola melhor equipada. A mudança, porém, gerou nova onda de atenção midiática que afetou sua rotina, e a família decidiu retorná-lo para a escola original para evitar excesso de exposição.
Relatórios locais mostram que ele continuou estudando, com desempenho acadêmico considerado acima da média, e sua história foi usada em campanhas de incentivo à educação rural e ao combate à pobreza.
Por que o caso voltou a repercutir em 2025
Com o crescimento de conteúdos sobre superação infantil e desafios educacionais em plataformas digitais, a foto de Wang voltou a circular nas redes internacionais, reforçando o impacto emocional e social da história.
O caso permanece como um dos episódios mais emblemáticos da educação rural na China moderna, lembrando que, em regiões remotas, o simples ato de chegar à escola pode exigir determinação extraordinária.


-
-
-
-
-
-
389 pessoas reagiram a isso.