1. Início
  2. / Automotivo
  3. / Crescem no Brasil os furtos de catalisadores, componente que contém platina, paládio e ródio, metais que podem valer mais que ouro, e pode ser retirado debaixo de um carro em menos de 2 minutos, gerando prejuízo de até R$ 8 mil e só sendo percebido quando o motorista liga o veículo e encontra um ruído extremo no escapamento
Tempo de leitura 6 min de leitura Comentários 0 comentários

Crescem no Brasil os furtos de catalisadores, componente que contém platina, paládio e ródio, metais que podem valer mais que ouro, e pode ser retirado debaixo de um carro em menos de 2 minutos, gerando prejuízo de até R$ 8 mil e só sendo percebido quando o motorista liga o veículo e encontra um ruído extremo no escapamento

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 13/04/2026 às 00:10
Atualizado em 13/04/2026 às 00:14
Assista o vídeoFurtos de catalisadores crescem saem dos EUA e começam a crescer no Brasil; peça pode ser retirada em minutos e custa até R$ 8 mil para reposição.
Furtos de catalisadores crescem saem dos EUA e começam a crescer no Brasil; peça pode ser retirada em minutos e custa até R$ 8 mil para reposição.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo

Furtos de catalisadores crescem saem dos EUA e começam a crescer no Brasil; peça pode ser retirada em minutos e custa até R$ 8 mil para reposição.

Ao longo dos últimos anos, autoridades locais e veículos de imprensa passaram a registrar casos de furto de catalisadores também em cidades brasileiras, especialmente no estado de São Paulo. Em 2023, a Prefeitura de Louveira informou que um veículo monitorado pela Guarda Municipal praticava esse tipo de crime contra carros estacionados; em 2024, a Prefeitura de Bragança Paulista divulgou a prisão de suspeitos com dois catalisadores furtados e ferramentas usadas na ação. Esses registros não bastam para fechar um retrato estatístico nacional, mas mostram que o delito já aparece de forma concreta e documentada no Brasil.

A dinâmica observada segue o padrão já amplamente documentado no exterior. Em comunicado oficial, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos afirma que catalisadores podem ser roubados em menos de um minuto e são alvo recorrente porque concentram paládio, platina e ródio, metais de alto valor no mercado; o National Insurance Crime Bureau registrou aumento de 1.215% nesse tipo de furto nos Estados Unidos entre 2019 e 2022. Na Europa, casos semelhantes já haviam sido relatados pela Reuters e pela Europol, reforçando que o valor dos metais preciosos transformou a peça instalada na parte inferior do veículo em um item altamente atrativo para revenda ilegal

Catalisador reúne metais preciosos usados para reduzir emissões

O catalisador automotivo é um dos principais elementos do sistema de controle de emissões de um veículo. Ele atua convertendo gases tóxicos em substâncias menos poluentes antes que sejam liberadas na atmosfera.

Para realizar esse processo, o componente utiliza metais nobres como PlatinaPaládio e Ródio. Esses materiais possuem propriedades químicas que permitem acelerar reações sem serem consumidos, tornando o catalisador extremamente eficiente e ao mesmo tempo valioso.

O destaque fica para o ródio, que atingiu cerca de US$ 29 mil por onça em 2021, superando o valor do ouro em determinados momentos. Essa valorização está diretamente ligada à demanda da indústria automotiva e à escassez natural desses elementos.

Remoção pode ser feita em poucos minutos com ferramentas simples

Um dos fatores que impulsionam esse tipo de crime é a facilidade de execução. Diferente de outros furtos automotivos, não é necessário acessar o interior do veículo.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Criminosos utilizam ferramentas como serras elétricas portáteis para cortar as extremidades do escapamento e remover o catalisador. Em muitos casos, todo o processo pode ser realizado em menos de dois minutos, especialmente em veículos com maior altura em relação ao solo.

Essa rapidez reduz o risco de flagrante e aumenta a frequência dos crimes, principalmente em locais com pouca movimentação ou iluminação.

SUVs e picapes estão entre os principais alvos

Veículos utilitários, como SUVs e picapes, aparecem com maior frequência entre os alvos. Isso ocorre porque esses modelos possuem maior vão livre em relação ao solo, facilitando o acesso ao sistema de escapamento.

Além disso, o tamanho do catalisador nesses veículos pode ser maior, aumentando a quantidade de metais preciosos presentes na peça.

Furtos de catalisadores crescem saem dos EUA e começam a crescer no Brasil; peça pode ser retirada em minutos e custa até R$ 8 mil para reposição.
Furtos de catalisadores crescem saem dos EUA e começam a crescer no Brasil; peça pode ser retirada em minutos e custa até R$ 8 mil para reposição.

Essa combinação de fácil acesso e maior valor potencial torna esses modelos especialmente vulneráveis. Após o furto, o impacto financeiro para o proprietário pode ser significativo. A substituição do catalisador pode variar entre R$ 3 mil e R$ 8 mil, dependendo do modelo do veículo e da disponibilidade da peça.

Em alguns casos, o valor pode ser ainda maior, especialmente quando se trata de veículos importados ou de categorias superiores. Além do custo direto, há também o tempo de imobilização do veículo e possíveis danos adicionais ao sistema de escapamento causados durante a remoção.

Sinal mais comum do furto é o aumento abrupto do ruído

Na maioria dos casos, o motorista só percebe o crime ao ligar o veículo. Sem o catalisador, o sistema de escapamento fica aberto, resultando em um som extremamente alto, frequentemente descrito como um “rugido”.

Esse ruído é um dos sinais mais claros de que o componente foi removido, já que altera completamente o comportamento acústico do veículo.

O crescimento desse tipo de crime foi particularmente intenso nos Estados Unidos. Dados do National Insurance Crime Bureau indicam que os furtos de catalisadores aumentaram mais de 1.200% entre 2019 e 2022.

Esse aumento foi impulsionado principalmente pela valorização dos metais nobres no mercado internacional e pela facilidade de revenda das peças em mercados paralelos. A experiência americana serve como referência para entender a possível evolução do fenômeno em outros países.

Mercado ilegal alimenta cadeia de revenda dos metais

Após o furto, os catalisadores são vendidos para intermediários que extraem os metais preciosos. Esses materiais podem então ser reinseridos no mercado, muitas vezes sem rastreabilidade.

A dificuldade de controle sobre a origem dos metais contribui para a continuidade desse tipo de crime, criando uma cadeia que conecta o furto local ao mercado global de commodities.

Crescimento no Brasil ainda é localizado, mas segue tendência internacional

Embora o Brasil ainda não registre números tão elevados quanto os Estados Unidos, os casos vêm aumentando em determinadas regiões, especialmente em grandes centros urbanos.

Esse crescimento acompanha a valorização internacional dos metais e a disseminação de métodos utilizados em outros países.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

A tendência é que, sem medidas de controle e fiscalização mais rigorosas, o fenômeno continue se expandindo.

Com o aumento dos registros, cresce também a atenção de autoridades e seguradoras para esse tipo de crime. O monitoramento de ocorrências e a identificação de padrões se tornam fundamentais para compreender a evolução do problema.

Ao mesmo tempo, o tema passa a ganhar espaço em discussões sobre segurança urbana e mercado ilegal de metais.

O avanço desse tipo de crime levanta uma questão central sobre o equilíbrio entre tecnologia, valor de mercado e vulnerabilidade dos veículos

A presença de metais valiosos em componentes automotivos cria uma situação em que a tecnologia que reduz emissões também se torna um alvo financeiro.

Esse cenário levanta um debate importante: até que ponto o aumento do valor desses materiais pode continuar impulsionando crimes rápidos, difíceis de rastrear e cada vez mais presentes no cotidiano urbano?

A resposta a essa pergunta pode definir os próximos passos tanto da indústria automotiva quanto das estratégias de segurança pública diante de um crime que cresce de forma silenciosa, mas altamente lucrativa.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x