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Propriedade que já teve mais de 1.000 hectares hoje opera com 73 hectares e aposta em café, gado, energia fotovoltaica e milho hidropônico para provar que fazenda pequena também pode dar lucro

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 13/06/2026 às 01:21
Atualizado em 13/06/2026 às 01:23
Assista o vídeoFazenda familiar em Tambaú une café, energia solar, milho hidropônico e pecuária para aumentar renda em área menor.
Fazenda familiar em Tambaú une café, energia solar, milho hidropônico e pecuária para aumentar renda em área menor.
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Fazenda São Caetano, em Tambaú, mostra como uma área que ficou menor após divisão familiar passou a combinar café, pecuária, energia solar, reservatório de 15 milhões de litros e milho hidropônico para criar um modelo produtivo baseado em economia circular

Na Fazenda São Caetano, em Tambaú, no interior de São Paulo, a história de uma propriedade familiar ganhou um novo rumo depois de décadas ligadas ao café, ao leite e à pecuária.

No vídeo publicado no canal Lucas Pereira Lima, mostra como uma área que ficou menor após uma divisão de terras passou a ser transformada em um modelo de fazenda sustentável, intensiva e baseada em economia circular.

A propriedade está na família desde a década de 1970. Segundo Ricardo, o avô começou o trabalho no local com café e produção de leite. A atividade leiteira ganhou força na década de 1980 e seguiu até a família passar por mudanças internas. Após a morte do avô, em 2012, houve a divisão da terra entre familiares. A parte que ficou com Ricardo e sua mãe exigia muito trabalho para continuar produtiva.

Em vez de abandonar a vocação rural, ele decidiu preservar a memória do avô e manter duas frentes importantes: o café e a criação de gado. A transformação, segundo ele, já caminha para quase dez anos. O objetivo é fazer uma fazenda pequena se tornar lucrativa, rentável e capaz de servir de exemplo para outras pessoas.

Da indústria ao campo

Ricardo tem formação em engenharia mecânica e engenharia de produção. Antes de assumir o desafio da fazenda, trabalhou em grandes empresas, inclusive multinacionais, e também atuou como consultor. Em 2017, decidiu deixar parte dessa trajetória para encabeçar, ao lado da mãe, o projeto de reestruturação da propriedade.

A mudança não foi apenas profissional. No vídeo, ele afirma que o campo passou a fazer parte do seu modo de pensar e do seu estilo de vida. A missão, agora, é fazer a Fazenda São Caetano continuar dando certo mesmo com uma área bem menor do que tinha no passado.

Hoje, a propriedade trabalha com café, pecuária de corte, produção de forragem hidropônica, energia solar e reaproveitamento de recursos dentro da própria fazenda. A ideia central é reduzir dependências externas e fazer com que cada atividade ajude a outra.

Economia circular como estratégia

A lógica apresentada por Ricardo é simples: aproveitar subprodutos e coprodutos dentro da própria fazenda para diminuir custos e aumentar eficiência. O café é apontado como a principal fonte de renda. A estrutura de pós-colheita é abastecida por energia fotovoltaica. Já a pecuária de corte entra no sistema como uma nova etapa, capaz de gerar esterco para compostagem e retorno ao cafezal.

Com isso, a fazenda busca reduzir a necessidade de fertilizantes externos. O gado consome alimento produzido na propriedade ou processado ali, converte parte disso em ganho de peso e deixa resíduos que voltam para a lavoura.

Apesar da diversidade de atividades, a estrutura de pessoal é enxuta. Ricardo explica que há três funcionários: dois ligados ao café e um voltado à pecuária de corte. Ele atua na coordenação e na gestão da operação.

Milho hidropônico vira alimento para o gado

Um dos pontos centrais da visita é a produção de milho hidropônico. O processo começa com o milho em grão, colocado em caixas com água e cal virgem. A mistura ajuda a quebrar a dormência da semente e estimula a germinação. Após 24 horas, a água é drenada, e o milho segue úmido por mais 48 horas até começar a soltar as primeiras raízes.

Depois disso, os grãos germinados são levados para bandejas dentro de uma estufa. Ali recebem água e iluminação controlada. Segundo o vídeo, o sistema pode fornecer até 18 horas de luz por dia, usando lâmpadas de LED alimentadas por energia solar. Em poucos dias, o milho se transforma em uma espécie de tapete verde, semelhante a uma grama densa.

Com cerca de seis dias, os tapetes já estão prontos para a colheita. Cada unidade pode pesar aproximadamente 10 kg. Depois de colhidos, eles são triturados em uma forrageira para formar uma base alimentar usada na dieta do gado.

Brick feno entra para equilibrar a dieta

A silagem produzida na fazenda também leva o chamado brick feno, feito com braquiária prensada. Ricardo explica que esse material funciona como uma fibra efetiva para os animais. Ao ser hidratado, ele se expande e ajuda a dar estrutura à dieta.

Na mistura mostrada no vídeo, para cada cerca de 100 kg de tapetes de milho hidropônico, são adicionados aproximadamente 25 kg de brick feno. A função é equilibrar a umidade, aumentar a matéria seca e melhorar a consistência final do alimento.

Ricardo compara a função do material no rúmen do animal a uma espécie de catalisador, ajudando no funcionamento do sistema digestivo e na passagem dos nutrientes. Ele também afirma que a fibra pode contribuir para reduzir problemas como acidose, laminite e questões de casco.

A dieta final é pesada, embalada, prensada e selada a vácuo. Segundo ele, o processo tenta simular uma trincheira ideal de silagem, com boa compactação, vedação e conservação por inoculante. A proposta é entregar ao pequeno e médio produtor uma silagem pronta, especialmente útil no período de seca.

Energia solar muda a conta da fazenda

Outro ponto de destaque é a usina fotovoltaica instalada na propriedade. Ricardo explica que a fazenda participa de um sistema cooperativo de geração de energia. A energia produzida é enviada para uma cooperativa, que concede descontos a consumidores ligados à mesma distribuidora.

A estrutura tem 1.600 m² de placas solares. Segundo Ricardo, essa área gera para a fazenda uma renda equivalente ao arrendamento de 35 hectares de cana. Para ele, o dado mostra a importância de intensificar e verticalizar a produção em propriedades pequenas.

Água, café e reflorestamento

A propriedade também conta com um reservatório de água voltado à irrigação do café. Ele foi instalado no ponto mais baixo da fazenda para receber a água da chuva direcionada pelo relevo. Ricardo afirma que o reservatório tem 15.000 m³, ou 15 milhões de litros, volume suficiente para irrigar os 15 hectares de café existentes na área.

Além disso, uma área que antes recebia dejetos da antiga produção leiteira foi transformada em reflorestamento com espécies nativas da região. A antiga fazenda, que já teve entre 1.000 e 1.100 hectares, hoje tem 73 hectares na parte de Ricardo.

A história da Fazenda São Caetano mostra uma tentativa de responder a um desafio comum no campo: como fazer uma propriedade menor continuar produtiva. A saída encontrada foi unir tecnologia, planejamento, energia solar, café, pecuária, água armazenada, forragem hidropônica e reaproveitamento de recursos. No fim, a fazenda busca provar que tamanho não é o único fator decisivo quando existe estratégia

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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