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Cresce a expansão global da energia eólica chinesa enquanto fabricantes enfrentam obstáculos técnicos e pressões políticas

Escrito por Rannyson Moura
Publicado em 17/11/2025 às 13:14
Fabricantes chineses ampliam exportações de energia eólica e conquistam novos mercados, mas precisam superar padrões técnicos, exigências de investidores ocidentais e desafios de infraestrutura para manter o ritmo de crescimento.
Fabricantes chineses ampliam exportações de energia eólica e conquistam novos mercados, mas precisam superar padrões técnicos, exigências de investidores ocidentais e desafios de infraestrutura para manter o ritmo de crescimento.
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Fabricantes chineses ampliam exportações de energia eólica e conquistam novos mercados, mas precisam superar padrões técnicos, exigências de investidores ocidentais e desafios de infraestrutura para manter o ritmo de crescimento.

O avanço da energia eólica no cenário internacional está sendo impulsionado pela rápida expansão dos fabricantes chineses, que encontram no mercado externo uma alternativa à saturação doméstica. No entanto, apesar do crescimento expressivo das exportações, as empresas do setor ainda enfrentam barreiras significativas, tanto técnicas quanto políticas, que exigem estratégias de adaptação mais robustas. Esse movimento global revela como a China tenta transformar sua expertise industrial em protagonismo mundial no segmento de turbinas eólicas.

Exportações de energia eólica ganham ritmo acelerado e impulsionam fabricantes chineses

Nos primeiros nove meses de 2025, a Envision Energy garantiu mais de 9 GW em novos pedidos no exterior. Esse número, que representa mais de 40% dos pedidos internacionais conquistados por fabricantes chineses, evidencia o peso crescente da empresa no setor global de energia eólica.

A expansão internacional se intensificou sobretudo a partir de 2024, quando cinco fabricantes chineses exportaram turbinas para 23 países. Nesse cenário, a Envision atingiu 2,28 GW em exportações, registrando um aumento de 40% e ocupando o segundo lugar no ranking, logo atrás da também chinesa Goldwind. Os novos projetos já assinados para 2025 estão concentrados em regiões estratégicas como Ásia Central, Norte da África, Sudeste Asiático e Austrália.

Esse salto ocorre em meio à busca por novos mercados diante da sobrecapacidade interna, o que pressiona as empresas a testarem se suas vantagens de custo podem realmente se converter em liderança global.

Pressões políticas e presença de investidores ocidentais criam barreiras à expansão

Embora o desempenho no exterior seja expressivo, os fabricantes chineses de turbinas eólicas precisam lidar com questões estruturais em muitos mercados emergentes. Huang Hu, vice-presidente da plataforma de produtos e equipamentos da Envision Energy, explica que grande parte dos investidores que lideram projetos eólicos em regiões como Ásia Central, Norte da África e Sudeste Asiático são originários da Europa e dos Estados Unidos.

Conforme destaca Huang:
“A maioria dos projetos de energia eólica na Ásia Central, Norte da África e Sudeste Asiático ainda conta com o apoio de entidades de investimento da Europa e dos EUA, que influenciam o resultado final dos projetos.”

Essa dependência obriga as empresas chinesas a se alinharem aos modelos ocidentais de governança e operação, algo essencial para garantir competitividade em mercados onde o componente político e geoeconômico pesa tanto quanto a performance técnica.

Padrões técnicos variados desafiam adaptação de turbinas eólicas chinesas

Além das pressões políticas, os fabricantes precisam responder a diferenças substanciais entre os padrões técnicos de cada país. Huang aponta que recursos eólicos, infraestrutura e cadeias de suprimentos variam amplamente, exigindo produtos customizados.

França, Japão e Egito, por exemplo, impõem restrições rígidas de ruído, o que obriga as empresas a desenvolver soluções altamente específicas. Já a Austrália tem normas rígidas de proteção de aves, fazendo com que turbinas precisem incorporar dispositivos especiais.

Há ainda o desafio das redes elétricas. De acordo com Huang:
“Ao contrário da China, que possui uma rede extremamente poderosa, as Filipinas são um país insular com uma rede isolada. Isso obriga as empresas de energia eólica a reaprender como garantir a estabilidade da rede e uma resposta rápida.”

Demanda por produção e serviços locais muda estratégia das empresas

Além das exigências técnicas, muitos países solicitam montagem, fabricação e centros de P&D locais, criando a necessidade de estratégias de cadeia de suprimentos ainda mais complexas. Para atender a essas demandas, a Envision já estruturou mais de 20 centros de operações globais e anunciou um novo plano para instalar uma base de produção no Cazaquistão.

Essa adaptação busca garantir que a expansão da energia eólica chinesa seja sustentável, competitiva e atenda aos requisitos de soberania industrial presentes em diversos mercados.

Cadeia industrial robusta garante vantagens competitivas às empresas chinesas

Mesmo diante dos desafios, os fabricantes chineses continuam com vantagens importantes. Huang afirma que mais de 70% dos componentes usados por fabricantes europeus vêm da China, o que demonstra a força da cadeia industrial chinesa.

Além disso, a capacidade de oferecer respostas rápidas e serviços eficientes torna as companhias chinesas mais competitivas durante todo o ciclo de vida das turbinas — vantagem reforçada pelos custos mais elevados das cadeias europeias.

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Rannyson Moura

Graduado em Publicidade e Propaganda pela UERN; mestre em Comunicação Social pela UFMG e doutorando em Estudos de Linguagens pelo CEFET-MG. Atua como redator freelancer desde 2019, com textos publicados em sites como Baixaki, MinhaSérie e Letras.mus.br. Academicamente, tem trabalhos publicados em livros e apresentados em eventos da área. Entre os temas de pesquisa, destaca-se o interesse pelo mercado editorial a partir de um olhar que considera diferentes marcadores sociais.

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