Coss Marte chegou a movimentar milhões de dólares com tráfico de drogas antes de ser preso. Na cadeia, recebeu um alerta sobre sua saúde, perdeu 70 libras em seis meses e começou a treinar outros detentos. Depois da liberdade, voltou ao mesmo bairro onde vendia drogas, mas desta vez para dar aulas de exercícios e construir a CONBODY.
Quando Coss Marte deixou a prisão em 2013, carregava apenas US$ 40 e precisava reconstruir uma vida marcada pelo tráfico de drogas e pela condenação criminal. Sem emprego e dormindo no sofá da mãe, ele voltou às ruas do Lower East Side, em Nova York, onde havia construído seu antigo negócio ilegal. Porém, dessa vez, o objetivo era completamente diferente: usar um treinamento físico desenvolvido dentro da prisão para ganhar dinheiro legalmente.
A mudança acabaria dando origem à CONBODY, academia baseada em exercícios com o peso do próprio corpo e inspirados nas limitações de uma cela. Na reportagem da ABC7, Marte afirmou que sua operação tinha 72 funcionários, a maioria formada por pessoas que passaram pelo sistema prisional ou possuíam familiares envolvidos nele.
-
Mãe solo dirigia Uber à noite para sustentar os filhos; um passageiro descobriu que uma dívida de US$ 693 a impedia de voltar à faculdade e quitou tudo sem avisá-la
-
Fabricado na China e com modelo vendido por cerca de R$ 194 mil, robô humanoide ganha farda do Exército brasileiro, sobe em viatura Marruá e bate continência para Lula no desfile de 7 de Setembro, arrancando sorriso, aplauso e saudação de Janja
-
Aos 9 anos, menina transforma o próprio sanduíche favorito em ação para moradores de rua, espalha bilhetes pela casa para a família não esquecer dos ingredientes e passa a preparar cerca de 200 lanches toda sexta-feira; em dois meses, a iniciativa percorre quatro cidades do Rio Grande do Sul e ainda mobiliza vizinhos e amigos com novas doações
-
Mulher passa 9 anos economizando, investe tudo em um terreno vazio e, sem dinheiro para construir, vê voluntários erguerem sua casa com 850 blocos de plástico reciclado
A trajetória reúne justamente os elementos que tornam a história forte para o CPG: queda financeira, prisão, problema de saúde, transformação física, dificuldade para conseguir trabalho, empreendedorismo e um resultado que acabou beneficiando outras pessoas que enfrentavam o mesmo obstáculo.
Aos 19 anos, ele diz que já ganhava milhões com drogas
Antes de criar uma empresa legal, Marte já demonstrava capacidade para organizar uma operação comercial — mas utilizava essa habilidade no tráfico.
Ele cresceu no Lower East Side, em uma família com poucos recursos. Segundo seu relato à ABC7, quando criança observava traficantes do bairro exibindo dinheiro, carros e joias e passou a enxergar aquele caminho como uma oportunidade de enriquecimento.
Marte começou a vender drogas ainda jovem e desenvolveu um sistema de entregas.
Segundo ele, aos 19 anos, chegou a ganhar mais de US$ 2 milhões com a operação. Uma entrevista mais recente registra Marte dizendo que o negócio ilegal chegou a gerar aproximadamente US$ 5 milhões em receita, com cerca de US$ 2 milhões de lucro. Como os números aparecem em declarações do próprio empreendedor, eles devem permanecer atribuídos a ele.
O crescimento, entretanto, terminou com sua prisão.
Autoridades o acusaram de ocupar uma posição de liderança na operação, e Marte recebeu uma sentença de sete anos.
Exame na prisão trouxe um alerta: ele poderia morrer em cinco anos
Foi dentro da prisão que ocorreu a primeira grande mudança.
Ao passar por avaliações médicas, Marte recebeu um alerta preocupante. Segundo seu relato, se não mudasse alimentação e estilo de vida, poderia sofrer um ataque cardíaco e morrer dentro de aproximadamente cinco anos.
Sem academia convencional e com recursos limitados, começou a utilizar aquilo que tinha disponível: o próprio corpo e o pequeno espaço da prisão.
A rotina incluía exercícios que podiam ser executados dentro das limitações físicas de uma cela.
O resultado apareceu rapidamente.
Ele perdeu 70 libras em seis meses dentro da prisão
Em apenas seis meses, Marte afirma ter perdido 70 libras, aproximadamente 32 quilos.
Outros presos perceberam a transformação e começaram a pedir ajuda. Então, o que havia começado como uma tentativa pessoal de recuperar a saúde virou uma pequena atividade de treinamento dentro do sistema prisional.
Marte afirma ter ajudado mais de 20 detentos, que juntos perderam mais de 1.000 libras, cerca de 454 quilos.
Ali apareceu a base do negócio que ele criaria anos depois.
Em vez de máquinas caras, esteiras ou grandes estruturas, seu método priorizava exercícios feitos com o peso corporal.
Essa simplicidade também diferencia o modelo do investimento necessário para uma academia convencional. O CPG mostrou que abrir uma academia no Brasil pode exigir entre R$ 430 mil e R$ 1,87 milhão em cenários simulados, dependendo do porte da operação. No caso de Marte, a ideia nasceu no ambiente oposto: um lugar sem equipamentos convencionais e com espaço extremamente restrito.
Ele deixou a prisão com US$ 40 e voltou para o sofá da mãe
A liberdade trouxe outro problema.
Marte saiu da prisão em 2013 com apenas US$ 40, segundo a ABC7. Sem estrutura financeira para recomeçar, passou a dormir no sofá da mãe e enfrentou dificuldades para encontrar trabalho por causa de seu histórico criminal.
Foi então que decidiu retornar ao parque onde anteriormente vendia drogas.
Só que agora levava seu método de exercícios.
Marte começou a treinar no local usando a rotina que havia desenvolvido na prisão. Quando uma pessoa que passava pelo parque perguntou se poderia participar, ele percebeu que talvez existisse ali uma oportunidade comercial.
Pouco depois, surgiu a CONBODY.
A lógica lembra outras histórias de empreendedorismo nas quais a virada não começa com grande capital. O CPG mostrou recentemente o caso de um casal que acumulava US$ 40 mil em dívidas, levou quase um ano para ganhar os primeiros US$ 50 com um blog e depois superou US$ 1 milhão em patrimônio. Em ambos os casos, o negócio surgiu num momento em que a estrutura financeira dos protagonistas estava longe de ser confortável.
A cela virou o conceito comercial da academia
Marte não tentou esconder o passado quando estruturou seu negócio.
Pelo contrário: transformou a experiência prisional em parte central da identidade da CONBODY.
Os treinos utilizam movimentos que podem ser realizados em espaços pequenos e praticamente sem equipamentos. Uma apresentação da empresa arquivada pela SEC descrevia a CONBODY como um “prison-style bootcamp”, construído a partir do método desenvolvido por Marte enquanto estava preso.
A proposta encontrou público em Nova York.
Além da transformação física, porém, Marte adicionou ao negócio uma segunda missão: contratar pessoas que também haviam passado pela prisão.
Isso atacava diretamente o problema que ele próprio enfrentou depois de cumprir a pena.
Negócio passou a contratar pessoas que dificilmente conseguiam emprego
Na entrevista à ABC7, Marte afirmou possuir 72 funcionários naquele momento.
Segundo ele, a maioria era formada por ex-detentos ou pessoas com familiares envolvidos no sistema prisional.
A estratégia não consiste simplesmente em entregar uma vaga.
A CONBODY estruturou programas de treinamento para preparar participantes para trabalhar como instrutores. Marte também relatou parcerias voltadas à certificação profissional dessas pessoas.
O objetivo é encurtar uma das fases mais difíceis da reintegração: sair da prisão sem renda e precisar esperar semanas ou meses até conseguir uma oportunidade.
Marte descreveu uma situação extrema para explicar o problema. Uma pessoa pode deixar a prisão com US$ 40 e uma passagem de ônibus, gastar parte desse valor durante a viagem e chegar à cidade praticamente sem dinheiro para alimentação, transporte ou moradia.
A CONBODY tenta colocar o trabalho mais perto desse momento de saída.
Alguns funcionários chegaram a dormir dentro da academia
A dificuldade de reconstrução não desaparece imediatamente depois da contratação.
Marte contou à ABC7 que já permitiu que cinco homens dormissem dentro da academia, porque, segundo ele, as condições enfrentadas por eles em abrigos estavam prejudicando sua capacidade de manter emprego e rotina.
A situação mostra que o projeto ultrapassou o modelo convencional de uma academia.
Para Marte, contratar alguém que deixou a prisão também significa lidar com problemas de moradia, documentação, benefícios sociais e adaptação à vida fora do sistema.
O próprio empreendedor passou por parte dessa trajetória.
Primeiro, dormiu no sofá da mãe. Depois, começou a treinar pessoas em um parque. Em seguida, transformou o método em negócio.
Modelo chegou ao Congresso dos Estados Unidos
A experiência também ganhou atenção política.
Em audiência do Senado norte-americano sobre empreendedorismo e pessoas com antecedentes criminais, Marte apresentou sua trajetória como fundador da CONBODY. Na ocasião, o comitê registrou que a empresa já havia treinado mais de 70 mil clientes e empregado mais de 50 pessoas impactadas pelo sistema de Justiça.
Marte também afirmou à ABC7 que testemunhou perante legisladores em Albany e no Congresso dos Estados Unidos.
Isso transformou o empreendimento em algo além de uma história pessoal de recuperação financeira.
A CONBODY passou a funcionar como exemplo de uma possível estratégia de reinserção profissional: capacitar pessoas ainda dentro ou logo após a prisão e conectá-las rapidamente a uma atividade remunerada.
De US$ 40 a um negócio construído no mesmo bairro onde vendia drogas
Existe ainda um componente geográfico curioso na história.
Marte não construiu sua nova carreira longe do passado.
A academia fica justamente no Lower East Side, bairro onde cresceu e onde participou do tráfico de drogas quando jovem.
O mesmo território acabou representando duas fases opostas de sua vida.
Primeiro, Marte enxergou as drogas como oportunidade para escapar da pobreza. Depois da prisão, voltou ao bairro e passou a enxergar o exercício físico como caminho para reconstruir sua renda.
No mercado fitness, histórias de transformação de pequenos negócios em grandes operações também aparecem no Brasil. O CPG contou como Edgard Corona abriu uma academia de bairro sem experiência no setor e posteriormente criou a Smart Fit, rede que alcançou 5 milhões de alunos em 14 países e faturamento de R$ 5 bilhões. Embora as escalas e trajetórias sejam completamente diferentes, ambos os casos mostram como um conceito específico pode diferenciar uma academia em um mercado altamente competitivo.
História ganhou novo capítulo em 2026
Há uma atualização importante que torna a pauta antiga mais interessante para publicação agora.
Em abril de 2026, o Guardian publicou uma reportagem sobre a série documental “ConBody vs Everybody”, da cineasta Debra Granik, que acompanha durante anos Marte, seus funcionários e as dificuldades de reintegração de pessoas que deixam a prisão.
Portanto, a história original da ABC7 é de janeiro de 2025, mas o personagem voltou à mídia em 2026.
Marte também expandiu sua atuação empresarial para outro setor legalizado em Nova York, embora esse negócio seja separado da CONBODY. Para esta matéria, eu manteria o foco na academia e na reinserção profissional, porque essa sequência narrativa é mais forte e evita dispersar o texto.
Uma ideia criada dentro de uma cela virou segunda chance para outras pessoas
A sequência que levou à CONBODY dificilmente poderia ter começado em situação mais desfavorável.
Marte recebeu um alerta de saúde na prisão, começou a treinar com o próprio peso, perdeu 70 libras em seis meses e ajudou outros detentos. Quando deixou o sistema prisional, tinha US$ 40, dormia no sofá da mãe e não conseguia reconstruir facilmente sua vida profissional.
Então, voltou ao bairro onde havia vendido drogas e começou novamente.
Dessa vez, oferecia exercícios.
A primeira pessoa que decidiu treinar com ele ajudou a mostrar que o método poderia virar negócio. Anos depois, a CONBODY havia atendido dezenas de milhares de clientes, contratado pessoas afetadas pelo sistema prisional e levado seu fundador a falar sobre reinserção profissional diante de legisladores norte-americanos.
A transformação mais relevante, portanto, não está apenas na perda de 32 quilos.
Está no fato de que o método criado por um homem dentro de uma cela acabou se tornando uma ferramenta para gerar renda justamente para pessoas que, assim como ele, precisavam descobrir como começar novamente depois da prisão.
E você, acredita que empresas que contratam e capacitam ex-detentos podem reduzir as barreiras que levam muitas pessoas a retornar ao crime depois de cumprir a pena?
