Francisca Torres, da organização ambientalista Pewos, treinou as border collies Das, Summer e Olivia para espalhar sementes nativas em bosques de El Maule arrasados pelo fogo de 2017. Com bolsas, elas percorrem de 30 a 40 km por saída e já reflorestaram 15 bosques, com pássaros e insetos de volta
Três cadelas da raça border collie, Das, Summer e Olivia, ajudam a replantar bosques da região de El Maule, no Chile, destruídos por incêndios florestais no início de 2017. Carregando uma bolsa com sementes de plantas nativas, elas percorrem de 30 a 40 quilômetros de áreas devastadas em cada saída, e o trabalho, comandado pela ambientalista Francisca Torres, já reflorestou 15 bosques queimados.
As informações foram publicadas pelo Terra em 20 de julho de 2017, em reportagem de Laura Plitt, da BBC Mundo, com declarações de Francisca Torres, diretora da Pewos, organização ambientalista que atua na região.
Incêndios de 2017 queimaram 467 mil hectares em El Maule e mataram 11 pessoas

O fogo consumiu 467 mil hectares de terra na região de El Maule, na área central do Chile. Os incêndios deixaram onze mortos e milhares de pessoas desabrigadas.
-
Homem de Massachusetts paga US$ 30 por desenho em venda de espólio, guarda a peça e tenta vendê-la a especialistas, até descobrir que pode ter comprado um Albrecht Dürer, após análises identificarem monograma e marca-d’água compatíveis com o artista, obra chega a ter valor estimado em até US$ 50 milhões
-
Policiais atendem o chamado de uma idosa de 87 anos de Florença que confessou estar sozinha, com fome e sem conseguir cozinhar, percebem que o problema era maior que a despensa vazia, improvisam um ravióli ao molho de tomate na cozinha dela e sentam à mesa para jantar com a nova amiga
-
Fazendeiro brasileiro solta 50 galinhas d’angola no pasto por conselho de amigos, as aves passam o dia caçando carrapatos, cigarrinhas e formigas no meio do gado, o plantel cresce para 500 e o pasto limpo vira vitrine, com criadores da região disputando as aves
-
Universitário quebra o pulso andando de skate, chama um Uber por medo do custo da ambulância e motorista não apenas o leva de graça ao hospital, mas deixa de aceitar corridas por 6 horas para ficar ao lado dele
Segundo o Ministério da Fazenda do país, o prejuízo foi de US$ 330 milhões, cerca de R$ 1 bilhão. O solo dos bosques atingidos virou, nas palavras da reportagem, um tapete de cinzas.
“Disseram que nunca mais iria crescer alguma coisa”: a aposta de Francisca Torres
“Disseram para nós que nunca mais iria crescer alguma coisa nos bosques, mas decidimos tentar da mesma forma”, conta Francisca Torres. “Na época, pensamos: ‘pelo menos os pássaros podem comer as sementes’.”
A expectativa inicial, portanto, era modesta. O plano começou como uma tentativa sem garantia de resultado.
Março: cadelas entram nos bosques; abril: começam as sementes
Torres começou a levar suas cadelas para as áreas destruídas em março de 2017. O trabalho com as sementes só começou um mês depois.
Os animais, descritos como bastante inteligentes, foram treinados para a tarefa pela própria ambientalista. Das, Summer e Olivia aprenderam a percorrer o terreno queimado carregando a carga.
Bolsa especial nas costas e de 30 a 40 km por saída, uma ou duas vezes por semana
Cada uma das cadelas carrega uma bolsa especial com as sementes. As saídas acontecem uma ou duas vezes por semana.
Em cada uma delas, Das, Summer e Olivia percorrem entre 30 e 40 quilômetros pelos bosques de El Maule, espalhando as sementes pelo caminho.
Boldo, araucária, calêndula, camomila, peumo e quilaia: sementes que alimentam polinizadores

As sementes são de plantas nativas do Chile. “Levamos boldo, araucária, calêndula, camomila, peumo e quilaia. Elas ajudam as abelhas e outros polinizadores na primavera”, explica Torres.
A escolha das espécies mira não só a vegetação, mas os insetos que dependem dela. O retorno dos polinizadores é parte do objetivo do reflorestamento.
Do trabalho manual aos cães: mais área em menos tempo
Inicialmente, Torres e outras pessoas do grupo começaram a recuperar os bosques manualmente. Depois perceberam que os cães poderiam cobrir áreas maiores, e de forma mais rápida.
As três border collies passaram a fazer o que o grupo não conseguia a pé, cobrindo dezenas de quilômetros a cada saída.
Treinadas para não atacar lebres e avisar quando veem animais
Com o treinamento, Das, Summer e Olivia aprenderam a controlar os impulsos, segundo Torres. “Elas sempre atendem aos chamados. E se veem algum animal selvagem, como as lebres, não o atacam. Elas permanecem onde estão e nos avisam”, explica.
“Isso nos permite saber se os animais estão voltando para a floresta”, acrescenta a ambientalista. As cadelas funcionam, assim, também como sinalizadoras do retorno da fauna.
15 bosques reflorestados, e o solo de cinzas ganhou plantas e flores
Além de outros terrenos, as sementes já reflorestaram 15 bosques queimados, conforme a reportagem.
Com as sementes e a ajuda da chuva, começaram a surgir pequenas plantas e árvores, além de algumas flores, o que pode ajudar o retorno da fauna silvestre.
“Antes, silêncio absoluto. Agora, som de pássaros”
“Antes, quando caminhávamos pelos bosques, ouvíamos um silêncio absoluto. Agora, já escutamos o som de pássaros. Se levantamos uma pedra, encontramos insetos”, diz Francisca Torres.
O relato marca a diferença entre o cenário logo após o fogo e o de alguns meses depois, quando o reflorestamento feito pelas cadelas começou a dar resultados.
Cinco ou seis lebres, e a esperança das raposas
“Vimos cinco ou seis lebres. Pode não ser muita coisa, mas isso pode significar que as raposas podem voltar também”, afirma Torres.
O grupo diz estar orgulhoso do trabalho, porque a vida está retornando aos bosques. A ambientalista mantém o tom de possibilidade: as raposas “podem” voltar.
Em julho de 2017, projeto seguia pequeno, com três cadelas e sem planos de ampliar
Quando a reportagem foi publicada, em 20 de julho de 2017, o grupo de ambientalistas não tinha planos de aumentar o número de cachorros no reflorestamento. Segundo Torres, treinar outros animais requer muito tempo, além de mais voluntários.
O projeto era pequeno e dependia do esforço do grupo, que já havia ajudado em outras tragédias do tipo. “As pessoas aplaudem nossa causa, mas poucas ajudam“, disse a diretora da Pewos.
Na sua opinião, o reflorestamento com cães como Das, Summer e Olivia poderia ser aplicado em áreas queimadas no Brasil, ou o método depende demais do treinamento e de voluntários para ganhar escala? Deixe sua opinião nos comentários.
