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Coreia do sul cria concurso inusitado de soneca para combater falta de sono extrema e rotina exaustiva que preocupa especialistas

Escrito por Jefferson Augusto
Publicado em 02/05/2026 às 19:03
Atualizado em 02/05/2026 às 19:05
participantes fantasiados dormindo em concurso de soneca na Coreia do Sul
Evento incentiva descanso em meio à rotina intensa dos sul-coreanos
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Evento criativo realizado em Seul reúne jovens em parque público para incentivar descanso, chamar atenção para excesso de trabalho e discutir impactos da privação de sono na sociedade moderna

A informação foi divulgada por “Associated Press”, com cobertura internacional sobre o evento, e evidencia uma realidade preocupante: a falta de sono crônica entre a população da Coreia do Sul. Para chamar atenção para esse problema crescente, o Governo Metropolitano de Seul organizou o já conhecido “Concurso de cochilo revigorante”, popularmente chamado de “Concurso de soneca”, que chegou à sua terceira edição.

Logo de início, o evento chama atenção pelo formato criativo. Em vez de premiar desempenho físico ou intelectual, a competição valoriza algo cada vez mais raro na sociedade moderna: o descanso. Dessa forma, participantes se reuniram em um parque às margens do Rio Han para fazer algo simples, mas essencial — dormir.

Além disso, o concurso também ganhou novos requisitos nesta edição. Os participantes deveriam comparecer fantasiados, preferencialmente como personagens associados ao sono, como princesas ou figuras clássicas do descanso. Além disso, deveriam chegar cansados e de barriga cheia, aumentando as chances de um cochilo profundo.

Concurso de soneca revela rotina exaustiva e falta de sono no país

Ao longo do evento, ficou evidente que a iniciativa vai muito além de uma simples competição. Na prática, ela escancara uma realidade enfrentada por milhares de sul-coreanos diariamente: jornadas intensas de estudo e trabalho que comprometem o descanso.

Durante o evento, participantes compartilharam relatos que reforçam esse cenário. Um estudante universitário de 20 anos, identificado como Park Jun-seok, afirmou que costuma dormir apenas três ou quatro horas por noite. Segundo ele, a rotina inclui preparação para exames e trabalhos de meio período, o que o obriga a compensar o sono com cochilos durante o dia.

Enquanto isso, outra participante, Yoo Mi-yeon, de 24 anos, revelou enfrentar problemas constantes de insônia. Professora de inglês na região de Ilsan, ao norte de Seul, ela explicou que tem dificuldade para dormir e acorda facilmente durante a noite. Por isso, decidiu participar do concurso vestida de coala, animal conhecido por longos períodos de sono, na tentativa simbólica de melhorar sua qualidade de descanso.

Além disso, a atmosfera do evento refletia claramente o cansaço coletivo. Em uma cidade conhecida por funcionar praticamente 24 horas por dia, com alta competitividade e ritmo acelerado, o desgaste físico e mental se tornou visível no comportamento dos participantes.

Avaliação do sono e vencedores reforçam seriedade da iniciativa

Apesar do clima descontraído, o concurso possui critérios técnicos bem definidos. Assim que a competição começou, os organizadores distribuíram máscaras de dormir e iniciaram a medição da frequência cardíaca dos participantes. Esse dado foi utilizado como indicador de relaxamento e qualidade do sono.

Consequentemente, o vencedor foi aquele que apresentou maior estabilidade fisiológica, demonstrando um estado de sono profundo e tranquilo. Nesta edição, o primeiro lugar ficou com um homem na casa dos 80 anos, enquanto Hwang Du-seong, de 37 anos e funcionário de escritório, conquistou a segunda colocação.

O próprio Hwang relatou que sua rotina inclui turnos noturnos frequentes e deslocamentos intensos a trabalho, o que o deixa constantemente exausto. Dessa forma, ele viu no concurso uma oportunidade de descansar de verdade e recuperar as energias, mesmo que por um curto período.

Falta de sono na Coreia do Sul preocupa especialistas e dados internacionais

Por fim, o evento também reforça um problema estrutural no país. Dados indicam que a Coreia do Sul está entre as nações com maior carga de trabalho entre os membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Como consequência direta dessa rotina intensa, a população sul-coreana apresenta uma das menores médias de horas de sono do mundo. Esse cenário levanta preocupações sérias sobre saúde física, mental e produtividade a longo prazo.

Além disso, especialistas alertam que a privação de sono pode impactar diretamente a qualidade de vida, aumentando riscos de doenças e reduzindo a capacidade cognitiva. Portanto, iniciativas como o Concurso de Soneca vão além do entretenimento, funcionando como um alerta social importante.

Dessa forma, o evento se consolida como uma estratégia criativa para provocar reflexão sobre hábitos modernos e incentivar uma mudança cultural necessária: valorizar o descanso como parte essencial da vida.

Você já sentiu que sua rotina está tão corrida que dormir bem virou um luxo?

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Jefferson Augusto

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