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Contratos de quatro termelétricas passam a valer em setembro e colocam 1.712,3 MW sob reserva de capacidade no Rio, Ceará, Paraná e Mato Grosso do Sul

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 02/09/2026 às 21:24 Atualizado em 02/09/2026 às 22:00
Vista aérea da Termoceará e de sua subestação elétrica
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Quatro contratos de reserva de capacidade passaram a valer em 1º de setembro e colocaram 1.712,3 MW à disposição do sistema elétrico em termelétricas do Rio de Janeiro, Ceará, Paraná e Mato Grosso do Sul.

O grupo inclui Termomacaé, Termoceará, Três Lagoas e Araucária. Somadas à Manaus I, tratada separadamente por ter operação parcial antecipada, as cinco usinas alcançam 1.827,1 MW.

A antecipação foi recomendada pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico para reforçar o atendimento em 2026 e no início de 2027.

A decisão respondeu a dois riscos combinados: a possibilidade de El Niño reduzir a disponibilidade de geração no Norte e a incerteza geopolítica afetar os preços de combustíveis.

Os contratos vieram de leilões de reserva realizados em 2022 e 2026. Com a antecipação, suas cláusulas passaram a produzir efeito desde o novo início de suprimento.

Usina termelétrica opera próxima a uma área costeira
As térmicas contratadas oferecem potência controlável para momentos de maior necessidade.

Contratos de reserva de capacidade cobrem parte da lacuna de potência

Conforme o Ministério de Minas e Energia, o leilão de 2026 apontou necessidade de 4,2 GW para atendimento da ponta.

O certame contratou 2,2 GW, deixando uma diferença em relação ao montante identificado no planejamento.

A antecipação recompõe parte dessa lacuna com usinas que já haviam vencido processos anteriores e demonstraram interesse em começar o suprimento antes.

Em abril, o MME consultou empreendimentos que somavam aproximadamente 3.482 MW de capacidade instalada.

Desse conjunto, cerca de 2.377 MW manifestaram interesse. O ONS avaliou quanto seria necessário e quais usinas atendiam aos requisitos operacionais.

A seleção final considerou compatibilidade com os estudos de planejamento e menor impacto tarifário.

Manaus I teve duas turbinas liberadas para operação comercial, com 114,8 MW. Retirando essa parcela do total de 1.827,1 MW, as outras quatro térmicas somam 1.712,3 MW.

O cálculo evita contar a mesma usina em duas matérias como se fossem capacidades adicionais independentes.

Olhando assim, o lote de quatro contratos representa a maior parte da potência antecipada. Manaus I acrescenta a fração restante já autorizada.

Reserva de capacidade não significa que todas as máquinas gerarão no máximo durante todo o dia. O sistema contrata disponibilidade para acionar potência quando precisar.

Chaminés e equipamentos de uma grande central termelétrica
O despacho depende da necessidade do sistema, enquanto a disponibilidade fica contratada.

Custos de usinas sem contrato eram pelo menos 25% maiores

O CMSE também considerou o preço de despacho. Segundo o MME, os custos declarados por empresas sem contrato eram no mínimo 25% superiores aos das usinas contratadas.

Esse diferencial pesou diante da possibilidade de aumento internacional dos combustíveis. Uma térmica sem contrato pode se tornar opção mais cara quando o sistema precisa de geração adicional.

Antecipar contratos conhecidos dá previsibilidade ao custo e à disponibilidade, embora a operação real ainda dependa da necessidade definida pelo ONS.

O El Niño entra na conta porque pode reduzir a energia produzida no Norte e elevar temperaturas. O calor, por sua vez, tende a aumentar a carga com refrigeração.

Termelétricas oferecem geração controlável e podem responder quando a produção hidrelétrica ou renovável variável não acompanha a demanda.

Em contrapartida, dependem de combustível e geram custos operacionais e emissões. A decisão do sistema compara segurança, disponibilidade e preço.

As cláusulas originais dos contratos, inclusive penalidades por atraso no início da operação, passaram a valer desde 1º de setembro.

Isso transforma a antecipação em obrigação efetiva. A usina não recebe apenas a possibilidade de começar antes; ela assume o compromisso dentro do novo calendário.

A gente percebe que a reserva funciona como seguro de potência. O custo existe mesmo antes de uma situação crítica, porque o valor está na máquina disponível quando for chamada.

Termomacaé, Termoceará, Três Lagoas e Araucária distribuem o reforço por quatro estados e diferentes pontos da rede.

Essa localização ajuda o operador a considerar restrições regionais e fluxos de transmissão, em vez de tratar os 1.712,3 MW como um bloco concentrado em um único lugar.

O efeito do reforço aparecerá no despacho ao longo dos próximos meses. Se hidrologia e carga forem favoráveis, parte da capacidade poderá ser menos acionada.

Se o El Niño pressionar geração e consumo, os contratos estarão disponíveis dentro das condições definidas. Esse é o propósito central da antecipação.

O sistema entra em setembro com uma margem térmica maior, mas não elimina a necessidade de monitorar água, combustível, transmissão e custos.

Termomacaé e Termoceará ficam próximas de polos de consumo e infraestrutura de gás. Três Lagoas e Araucária acrescentam disponibilidade em outras áreas do sistema interligado.

A potência contratada pode atender a ponta mesmo quando as usinas não funcionaram nas horas anteriores. Essa flexibilidade diferencia capacidade de uma energia entregue continuamente.

Para permanecer disponível, cada empreendimento precisa manter equipes, manutenção, conexão e combustível dentro das condições contratuais.

As penalidades por atraso pressionam o cumprimento da nova data. Se uma máquina não estiver apta quando exigida, o contrato prevê consequências que passaram a valer com a antecipação.

O custo tarifário não depende apenas do valor do contrato. Também varia com o número de horas despachadas e o combustível consumido ao longo do período.

A diferença mínima de 25% diante das ofertas sem contrato favoreceu a seleção antecipada. Ela não significa que térmicas sejam sempre a fonte mais barata do sistema.

Em horas de sol e vento abundantes, outras fontes podem atender a carga com menor custo variável. A reserva ganha valor quando essas condições não coincidem com a demanda.

Os 1.712,3 MW precisam ser somados aos demais recursos disponíveis, não comparados isoladamente com toda a necessidade de 4,2 GW do leilão.

A decisão antecipa ativos já contratados, mas não substitui expansão futura. O sistema continuará precisando de planejamento para os anos seguintes.

Setembro será o primeiro teste desse novo arranjo.

A segurança de 1.712,3 MW térmicos compensa o custo de manter essas usinas disponíveis?

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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