A correção do PLD exigiu que CCEE e ONS reexecutassem os modelos NEWAVE e DECOMP depois que uma vazão mínima de 800 m³/s foi aplicada indevidamente a todo o horizonte, embora a restrição devesse começar apenas em setembro de 2027.
A inconsistência afetava a representação das usinas de Itaparica e do Complexo Paulo Afonso-Moxotó nos dados usados pelo planejamento e pela formação do preço da energia.
O problema foi identificado no arquivo MODIF.DAT do NEWAVE. Nele, o parâmetro de vazão mínima apareceu como se valesse para todos os meses simulados.
A restrição correta é de 800 m³/s a partir do 13º mês do horizonte, correspondente a setembro de 2027.
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Depois do ajuste, novas Funções de Custo Futuro passaram a ser consideradas no cálculo do Preço de Liquidação das Diferenças a partir de 2 de setembro de 2026.

Correção do PLD começou no arquivo de entrada do NEWAVE
Segundo o comunicado da CCEE, o parâmetro VAZMIN foi usado indevidamente para todo o horizonte.
O correto era representar a restrição futura por VAZMINT, com início em setembro de 2027, quando começa a representação por reservatórios equivalentes de energia no modelo.
Essa diferença parece pequena dentro de um arquivo técnico, mas altera a água que o modelo considera obrigatoriamente liberada pelas hidrelétricas.
Ao mudar a disponibilidade futura de água, o dado influencia a estratégia calculada para armazenar, gerar ou substituir energia por outras fontes.
O NEWAVE trabalha com horizonte de médio prazo. Ele estima o valor de usar a água agora ou preservá-la para momentos futuros, considerando cenários hidrológicos e outras condições do sistema.
A Função de Custo Futuro carrega essa avaliação para os modelos mais próximos da operação. Por isso, uma inconsistência no estágio inicial se propaga pela cadeia.
Após corrigir o arquivo, o NEWAVE usado no cálculo de setembro foi executado novamente. A etapa produziu novas funções para alimentar a sequência de modelos.
Em seguida, o DECOMP da primeira semana operativa do mês também foi reexecutado. Esse modelo detalha a programação de curto prazo.
A nova função resultante do DECOMP será usada pelo DESSEM, responsável pelo cálculo que chega ao PLD com granularidade mais próxima da operação.
Olhando assim, a correção não consistiu em trocar manualmente um preço. Foi necessário refazer a cadeia matemática impactada pelo dado de vazão.

Modelos reexecutados produzem efeito no dia seguinte
A CCEE informou que a atualização atende à Resolução Normativa 1.032 da Agência Nacional de Energia Elétrica.
A norma determina que, identificado um erro na formação do Custo Marginal de Operação e do PLD, ONS e CCEE façam a correção em todos os modelos impactados.
O efeito deve começar no dia seguinte à identificação. Foi assim que a nova série passou a valer em 2 de setembro.
O PLD é usado na liquidação das diferenças entre energia contratada e energia efetivamente medida no mercado de curto prazo.
Quando o preço muda, agentes expostos a essas diferenças podem ter valores de liquidação diferentes. O comunicado não divulgou no texto o tamanho financeiro da alteração.
Isso impede afirmar quem ganhou ou perdeu com a correção sem comparar os resultados publicados antes e depois e a posição contratual de cada participante.
A gente vê um erro de 800 m³/s, mas seu impacto não pode ser convertido diretamente em reais. O efeito passa pela otimização, pelos cenários e pela exposição de cada agente.
Os arquivos de entrada e saída do NEWAVE e do DECOMP foram disponibilizados pela CCEE no espaço de decks de preços.
Essa publicação permite que participantes e analistas reproduzam a execução, comparem versões e acompanhem a origem do preço revisado.
A transparência é especialmente relevante porque o PLD nasce de uma cadeia de dados e modelos, não de uma cotação observada diretamente em uma bolsa.
O caso também mostra a importância de datas dentro do planejamento. A mesma restrição pode estar correta em 2027 e errada quando antecipada para 2026.
Para Itaparica e Paulo Afonso-Moxotó, o ajuste reposiciona o início da obrigação no horizonte. Para o mercado, o resultado é uma função de custo coerente com essa data.
A reexecução encerra a correção técnica informada, mas os participantes ainda precisam usar os novos arquivos e resultados em suas rotinas de cálculo e liquidação.
A vazão defluente é a água liberada pela usina para seguir rio abaixo. Impor um mínimo altera quanto o reservatório pode reter em cada etapa da simulação.
Quando o modelo antecipa essa obrigação em 12 meses, ele trata a água disponível em 2026 como se já carregasse uma restrição programada para o ano seguinte.
Essa representação pode mudar o custo esperado de atender a carga. Se a água aparenta menor flexibilidade, outras fontes e decisões ganham peso na otimização.
NEWAVE, DECOMP e DESSEM formam uma sequência porque nenhum modelo sozinho resolve todo o horizonte com o detalhamento necessário. O médio prazo orienta o curto, que alimenta a operação diária.
Ao reexecutar apenas uma ponta, a inconsistência permaneceria nas funções transferidas. Refazer as etapas impactadas mantém coerência entre planejamento e preço final.
O comunicado 679/26 foi publicado às 12h44 de 1º de setembro e atualizado um minuto depois. A regra regulatória levou o efeito para o dia subsequente.
O custo marginal de operação indica o gasto para atender uma unidade adicional de demanda no sistema otimizado. O PLD usa os resultados dentro dos limites regulatórios aplicáveis.
Na liquidação, uma geradora que produziu acima do contratado ocupa posição diferente de um consumidor exposto. Por isso, o mesmo preço revisado cria efeitos distintos entre participantes.
Sem a comparação numérica entre as execuções, qualquer estimativa de ganho seria especulação. A CCEE informou o procedimento e disponibilizou os decks para a apuração técnica.
Erros nos modelos de preço deveriam gerar relatórios públicos sobre o impacto financeiro final?
