Os reservatórios do SIN chegaram a 69,5% da capacidade útil em 26 de agosto, depois de perderem 5,7 pontos percentuais em um mês, enquanto modelos climáticos indicaram 100% de probabilidade de permanência do El Niño até o início de 2027.
Os dados aparecem na terceira edição do Boletim Mensal do Painel El Niño, publicada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico em parceria com o Instituto Nacional de Meteorologia.
Apesar da queda mensal, os 69,5% representam o segundo maior armazenamento observado para essa data desde 2015. O número combina uma reserva ainda elevada com uma trajetória recente de redução.
O fenômeno El Niño teve sua configuração confirmada em junho de 2026. Os modelos apontam permanência certa até pelo menos o começo de 2027 e alta chance de um episódio muito forte.
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Para setembro, outubro e novembro, a previsão indica chuva acima da média em áreas do Sul e abaixo da média no centro-norte do país, junto com temperaturas elevadas.

Reservatórios do SIN ainda guardam o segundo maior volume desde 2015
A comparação histórica impede uma leitura alarmista do recuo. O sistema perdeu água no mês, mas começou o período a partir de um nível que mantém a fotografia de 26 de agosto entre as mais altas da série recente.
Segundo a ANA, o boletim acompanha bacias estratégicas, rios, seca e condições operativas em diferentes regiões.
No Sul, a maior parte das hidrelétricas funciona a fio d’água, com pouca capacidade para regularizar vazões. Nesses casos, a quantidade liberada tende a acompanhar a água que chega.
Os reservatórios com capacidade de regularização no Subsistema Sul representam apenas 7% da energia máxima armazenável do SIN.
Em 26 de agosto, o Sul tinha 80,9% de armazenamento, praticamente estável diante do fim de julho. Não havia ocupação dos volumes reservados para controle de cheias em Salto Santiago e Passo Real.
No rio Paranapanema, Jurumirim, Chavantes e Capivara permaneciam na Faixa de Operação Normal, sem restrição de vazão.
Os volumes úteis eram de 48,5%, 56,6% e 93,3%, respectivamente. As vazões recebidas por Capivara alcançaram 130% da média histórica de agosto.
Já na bacia do Tocantins, Serra da Mesa registrou 53,6% do volume útil, redução de 3,1 pontos no mês, mas continuou em operação normal.
Tucuruí armazenava 77,7%, após queda de 7,5 pontos percentuais. A diferença entre bacias mostra por que a média nacional não descreve sozinha cada reservatório.
Olhando assim, os 69,5% funcionam como indicador agregado. A operação concreta depende de onde a água está, da capacidade de transferência de energia e das regras de cada sistema hídrico.

El Niño muda chuva, temperatura e demanda elétrica
A previsão de El Niño não determina automaticamente escassez de energia. Ela indica uma condição climática que pode distribuir chuva de forma desigual e elevar temperaturas.
Chuvas abaixo da média no centro-norte tendem a pressionar vazões e armazenamento. Ao mesmo tempo, calor mais intenso pode aumentar o uso de refrigeração e elevar a carga elétrica.
No rio Madeira, Jirau e Santo Antônio avançaram na redução dos reservatórios durante a recessão hidrológica natural. Jirau chegou ao nível mínimo operativo.
Mesmo assim, as duas usinas operavam com defluências superiores aos mínimos definidos em suas outorgas de uso da água.
No Xingu, os reservatórios de Pimental e Intermediário operavam desde julho próximos ao nível máximo normal, com as vazões do trecho reduzido atendendo aos patamares exigidos.
A ANA autorizou temporariamente uma redução da defluência mínima do Reservatório Intermediário, de 300 para até 100 m³/s, até 30 de novembro, condicionada a testes e exigências ambientais.
A medida procura conciliar navegabilidade, segurança eletroenergética e funcionamento do sistema de transposição de peixes. É um exemplo de como a água atende usos que vão além da geração.
A gente costuma olhar o reservatório como bateria elétrica. Na prática, ele também influencia rios, navegação, ecossistemas, abastecimento e controle de cheias.
O boletim mensal permite acompanhar essa disputa com maior frequência. Uma queda de 5,7 pontos exige atenção, mas deve ser lida junto do nível histórico e das diferenças entre bacias.
Se as previsões se confirmarem, o planejamento precisará lidar com mais chuva em parte do Sul e menos água no centro-norte. A geração disponível e o consumo podem se mover em direções opostas.
Os próximos meses mostrarão se o armazenamento seguirá caindo e com qual velocidade. Temperatura, vazões afluentes e despacho das hidrelétricas determinarão a evolução.
O dado atual ainda é confortável na comparação desde 2015, porém a tendência mensal e a perspectiva climática justificam monitoramento mais próximo até 2027.
Armazenamento útil também não corresponde ao volume total de água atrás da barragem. Ele mede a parcela que pode ser usada dentro da faixa operativa considerada para a geração.
A redução mensal ocorre na transição do período seco em várias bacias. O ponto de atenção é saber se a recuperação das chuvas acontecerá na região e na intensidade necessárias.
No Sul, chover acima da média pode elevar vazões rapidamente, mas a baixa capacidade de regularização limita quanto desse fluxo fica guardado. Grande parte passa pelas usinas a fio d’água.
No centro-norte, chuva abaixo da média pode prolongar a perda de armazenamento e exigir mais geração de outras fontes. Temperaturas altas pressionam ao mesmo tempo o consumo.
A média nacional pode permanecer elevada mesmo com uma bacia enfrentando restrições. Por isso, o boletim detalha São Francisco, Tocantins, Paranapanema, Madeira e Xingu separadamente.
A operação coordenada tenta preservar água onde ela tem maior valor futuro sem descumprir vazões, navegação e obrigações ambientais. Cada decisão altera geração presente e reserva para os meses seguintes.
Os 5,7 pontos perdidos em um mês serão referência para setembro. Se o ritmo acelerar, o quadro muda; se diminuir com novas afluências, o sistema pode chegar ao verão com margem melhor.
Os 69,5% armazenados são suficientes para atravessar um El Niño possivelmente muito forte?
