Construído em 1821 com estrutura de taipa e madeira, o “Sobradão” de Minas Novas (MG) foi restaurado pelo Iphan em 2021 e sediou um júri popular em 2022. O prédio é conhecido como o “primeiro arranha-céu” do Brasil Colônia e segue como símbolo do Vale do Jequitinhonha.
O “Sobradão” da Vila do Fanado, em Minas Novas, é um caso raro de arquitetura colonial de grandes dimensões erguida em taipa e madeira. Construído em 1821, ele reúne quatro pavimentos e uma volumetria que contrasta com o casario do entorno. Por isso, é conhecido localmente como o “primeiro arranha-céu” do Brasil Colônia.
Após obras de conservação concluídas em maio de 2021, o imóvel recuperou estabilidade e condições de uso. O investimento foi de R$ 886,7 mil, segundo o Iphan, responsável pela intervenção. As portas e janelas foram restauradas, garantindo a leitura da tipologia original.
Em maio de 2022, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) realizou no “Sobradão” uma sessão do Tribunal do Júri, reforçando o vínculo do prédio com a vida pública local. O ato também evidenciou a capacidade do edifício de receber programações contemporâneas.
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A Prefeitura informa que o “Sobradão” é a principal referência arquitetônica da cidade. O plano municipal prevê uso cultural nos pavimentos, com museus e atendimento ao turista, consolidando o prédio como polo de turismo histórico no Jequitinhonha.
Onde fica e por que o “Sobradão” ganhou fama de “primeiro arranha-céu do Brasil”
O edifício ocupa posição central na avenida Getúlio Vargas, em Minas Novas, no Vale do Jequitinhonha. A presença de quatro andares em um único bloco, cercado por construções térreas e sobrados, cria o contraste que sustenta o apelido. Para o morador e o visitante, a altura relativa explica a aura de “arranha-céu”.
A designação aparece em documentos e reportagens locais e foi adotada por órgãos públicos em textos institucionais.
Na literatura técnica, o termo é usado de forma contextual, já que se trata do Brasil Colônia, muito antes dos prédios metálicos do século XX. O valor do “Sobradão” está na excepcionalidade para sua época.
Para fins de patrimônio cultural, a alcunha ajuda a comunicar a singularidade do bem ao grande público. Mesmo não sendo um arranha-céu no sentido moderno, o prédio cumpre o papel de ícone urbano e símbolo identitário de Minas Novas.
Estrutura em taipa e madeira: 4 pavimentos, 59 janelas e porta de 3,6 m
O “Sobradão” foi erguido em 1821 com técnicas tradicionais, combinando estruturas de madeira e vedações em taipa. Essa solução possibilitou um volume raro para o período, mantendo leveza e estabilidade quando bem conservada. O Iphan descreve o imóvel como “construção de grandes dimensões, pouco usuais” para esse sistema.
A fachada principal tem quatro portas de loja no térreo. Nas laterais, o conjunto soma 59 janelas e três portas de loja, além da porta principal, que mede 3,60 m de altura. Esses números ajudam a entender a escala do edifício e sua ventilação cruzada.
Inventários técnicos e memória local confirmam a contagem de janelas e portas, reforçando a singularidade do desenho. O repertório decorre de uma lógica funcional: comércio no térreo e usos diversos nos pavimentos superiores. A solução é típica de centros coloniais mineiros, mas ampliada aqui em quatro níveis.
A leitura volumétrica externa também é didática para estudantes de arquitetura e restauro. O beiral generoso e o ritmo das aberturas exprimem a adaptação do saber construtivo ao clima e à topografia. A conservação adequada evita patologias comuns em taipa exposta.
Restauração em 2021 e plano de ocupação cultural aprovados
As obras entregues em maio de 2021 priorizaram esquadrias, rebocos e pintura, depois de uma etapa emergencial no telhado e pisos entre 2017 e 2018. Com a estrutura estabilizada, a prioridade passou a ser a reativação do uso público e a segurança. O investimento total informado foi de aproximadamente R$ 886 mil.
A Prefeitura elaborou o Plano de Ocupação do Sobradão, aprovado pelo Iphan. O térreo deve receber loja de artesanato, CAT e biblioteca; os andares superiores abrigariam museus de arte sacra, artesanato do Jequitinhonha e acervo histórico, além de espaços para memória e formação.
Ao vincular preservação e uso social, o plano busca gerar fluxo turístico e emprego local. A estratégia se alinha a políticas de economia da cultura e ao circuito regional das Pedras Preciosas, fortalecendo a narrativa do Jequitinhonha.
De fórum e projetos políticos ao júri de 2022
O “Sobradão” serviu por longos períodos como sede do Fórum da comarca, reforçando sua centralidade cívica. Registros históricos citam propostas do século XIX para torná-lo sede administrativa de uma província planejada para a região, o que ilustra sua relevância.
Em 17 de maio de 2022, uma sessão do Tribunal do Júri foi realizada no edifício, em ação conjunta do TJMG. O evento marcou o retorno do prédio à agenda pública e foi celebrado por autoridades locais como símbolo de pertencimento e memória.
O Ministério Público de Minas Gerais destacou, na mesma ocasião, o alcance do Mutirão do Júri no estado e a dimensão cívica do ato em Minas Novas, que também dialogou com as celebrações em torno da idade do prédio. A cerimônia projetou o “Sobradão” nacionalmente.
É “arranha-céu” mesmo? O termo no contexto do Brasil Colônia
No vocabulário técnico atual, “arranha-céu” remete a estruturas metálicas e elevadores do fim do século XIX em diante. Mas, no contexto mineiro do início do século XIX, um edifício de quatro pavimentos em taipa e madeira era excepcional e, por comparação, “arranhava o céu” da paisagem urbana. A alcunha é histórica e contextual.
A imprensa regional adotou o termo para comunicar a singularidade do bem e sensibilizar para sua conservação. Essa pragmática comunicativa facilita o engajamento público com a preservação do patrimônio e não pretende rivalizar com marcos como o Edifício Martinelli, de 1929. O objetivo é educativo.
O “Sobradão” não é um “arranha-céu” no padrão moderno, mas é único em seu tempo e lugar. O valor histórico, arquitetônico e simbólico é o que importa para Minas Novas e para o Jequitinhonha.
Você acha correto chamar o “Sobradão” de “primeiro arranha-céu do Brasil” por sua excepcionalidade no século XIX, ou o termo deveria ser reservado apenas aos prédios metálicos do século XX? Deixe seu comentário.


Fantástico. Mais de 200 anos de construído e permanece íntegro.
As casas modernas mal alcançam 50.
Importante dizer que em 1821 já não éramos mais colônia, mas reino unido.
Portanto, para o correto enquadramento da construção na história, trata-se do primeiro arranha-céu do Brasil como reino unido a Portugal e Algarve.
A independência foi proclamado em 1822
O Solar Ferrão é um excelente exemplo de arquitetura do período colonial. Localizado em Salvador, BA, na Rua Gregório de Matos (Pelourinho/Maciel), foi implantado na encosta e alcança uma altura equivalente a 6 andares na parte de trás, e ostenta 3 pavimentos na fachada principal. Tal obra não é hoje ilustrada como um “arranha-céu” do período colonial.
Outra edificação colonial alta na mesma região é a Casa dos Sete Candeeiros no Beco dos Sete Candeeiros (próximo ao Pelourinho). Datas de edificação documentadas que remontam ao final do século XVII e início do XVIII.
Habitar um sobrado (e especialmente um sobrado grande e alto) no período colonial significava riqueza e status social, o que motivava a construção de edificações imponentes.
Portanto talvez tratar construções como o igualmente majestoso “Sobradão” de Minas Novas simplesmente por sua caracterização original – Solar – e não como “Arranha-céu”, contribuísse adequadamente para disseminação do verdadeiro sentido social de construções deste tipo no período colonial
O sangue negro jorra do alicerce ao teto desse sobrado.