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Conflito no Irã bagunça o câmbio mundial, mexe com o real e mostra por que a alta do petróleo pode virar vantagem para uns e dor de cabeça para outros

Escrito por Viviane Alves
Publicado em 28/05/2026 às 12:08
Atualizado em 28/05/2026 às 12:10
Notas de yuan chinês, rupia indiana e dólar americano posicionadas em sobreposição, representando os impactos da guerra no Irã sobre moedas emergentes, petróleo e mercado cambial global.
Alta do petróleo e fortalecimento do dólar após a guerra no Irã aumentam a pressão sobre moedas emergentes como a rupia indiana, enquanto o yuan chinês mantém maior estabilidade.
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Crise iniciada no fim de fevereiro elevou o petróleo, fortaleceu o dólar e expôs por que algumas moedas caem, enquanto outras ganham força.

A guerra envolvendo EUA, Israel e Irã atingiu os mercados globais e colocou o câmbio no centro das preocupações econômicas.

O conflito começou no fim de fevereiro e afetou não apenas o Oriente Médio, mas também o transporte comercial, o petróleo, a inflação e os investimentos.

A interrupção de rotas ligadas ao estreito de Ormuz elevou o preço do petróleo e aumentou o temor sobre novos impactos nos custos globais.

Diante desse cenário, investidores buscaram proteção no dólar americano, visto como porto seguro em períodos de incerteza.

Esse movimento afetou várias moedas locais. Algumas perderam valor, outras ficaram mais voláteis e outras conseguiram se valorizar.

Moedas de países importadores sofrem mais pressão

Países que importam grande parte da energia foram os mais pressionados pela alta do petróleo.

Índia, Indonésia, Filipinas, Tailândia e Egito enfrentaram aumento dos combustíveis, escassez de divisas e maior pressão cambial.

A migração de investidores para o dólar reduziu a demanda por moedas locais.

Com isso, essas moedas perderam valor e tornaram mais caro o pagamento de dívidas emitidas em dólar.

Petróleo, fertilizantes, plásticos e outros produtos cotados em dólar também ficaram mais caros.

Esse efeito chega ao consumidor por meio da energia, dos alimentos e de itens básicos do dia a dia.

Rupia indiana cai e bancos centrais tentam reagir

Na Índia, a rupia caiu cerca de 5% em relação ao dólar desde o início da guerra.

A moeda indiana já vinha enfraquecida antes do conflito, mas a alta do petróleo acelerou essa tendência.

Diante da pressão, alguns bancos centrais elevaram juros e venderam reservas em dólar para sustentar suas moedas.

O Banco da Indonésia vendeu dólares e comprou rupias indonésias para aumentar a demanda pela moeda local.

Essa estratégia pode conter parte da desvalorização, mas também encarece empréstimos, financiamentos e dívidas.

Brasil ganha fôlego parcial, mas ainda enfrenta riscos

Outro grupo de moedas teve comportamento mais volátil, com fortes oscilações em direções opostas.

África do Sul, Colômbia, Chile e México entraram nesse grupo por reagirem rapidamente ao humor do mercado global.

Em momentos de medo, investidores procuram o dólar.

A alta das commodities, por outro lado, pode ajudar essas moedas a recuperar parte das perdas.

Exportadores de energia, como Brasil e Malásia, receberam apoio parcial da alta do petróleo.

Em abril, Goldman Sachs e Bank of America destacaram a demanda por títulos públicos brasileiros e ações locais.

O Goldman Sachs também apontou o Brasil como sua principal escolha entre mercados emergentes.

Inflação e incerteza política ainda pesam no real

Apesar desse apoio, o Brasil ainda enfrenta riscos importantes.

Segundo Martín Castellano, do Institute of International Finance, energia mais cara pode elevar a inflação brasileira.

Esse cenário pode atrasar cortes de juros.

O Brasil também importa combustíveis refinados, como gasolina e diesel.

Por isso, a alta internacional pode pressionar custos internos e afetar consumidores.

A economista Luiza Pinese, da XP, apontou que a incerteza política antes da eleição presidencial de outubro pode aumentar o prêmio de risco no câmbio.

Yuan e rublo resistem com controles e energia

Algumas moedas permaneceram mais resistentes durante o conflito.

O yuan chinês ficou relativamente estável por causa dos controles de capital e das intervenções políticas.

Essas medidas reduzem oscilações bruscas e permitem maior controle sobre a taxa de câmbio.

O rublo russo também teve forte desempenho frente ao dólar desde o início da guerra.

A moeda russa foi sustentada por receitas elevadas de energia e por regras que obrigam exportadores a converter ganhos externos em rublos.

Economias desenvolvidas também sentem o choque

Entre economias desenvolvidas, o dólar americano e o franco suíço subiram no início da crise.

A coroa norueguesa também ganhou força com a alta do petróleo bruto.

O iene japonês, porém, perdeu força.

Essa queda ocorreu porque o Japão depende fortemente da importação de energia.

Os dólares canadense e australiano foram beneficiados por commodities como petróleo, gás, metais, minério de ferro e carvão.

Mesmo assim, preocupações com crescimento global e tensões comerciais limitaram esses ganhos.

Dólar mais fraco pode aliviar emergentes

Economistas afirmam que o dólar perdeu força após o choque inicial causado pelos ataques ao Irã.

Segundo a AllianceBernstein, um dólar mais fraco costuma melhorar as condições monetárias de países em desenvolvimento.

Esse movimento pode abrir espaço para cortes de juros, reduzir a aversão ao risco e favorecer mercados emergentes.

No entanto, o FMI alertou em abril que a continuidade da guerra pode empurrar a economia global para um cenário adverso.

Nesse cenário, o crescimento global cairia para 2,5%, enquanto a inflação subiria para 5,4%.

Em uma projeção mais severa, o crescimento poderia cair para 2%, com inflação acima de 6%.

O que pode acontecer agora?

A guerra no Irã mostrou como um conflito regional pode afetar moedas, petróleo, inflação e investimentos em várias partes do mundo.

Países importadores de energia tendem a sofrer mais pressão.

Exportadores de commodities podem ganhar algum fôlego com preços mais altos.

Ainda assim, o efeito final depende do dólar, do petróleo, dos juros e da confiança dos investidores.

Até a próxima revisão do FMI, prevista para julho, o câmbio deve continuar no centro das decisões econômicas.

O que pesa mais para o Brasil nesse cenário: a força do dólar, a alta do petróleo ou o risco de inflação?

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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