Trader do mercado de petróleo é sentenciado a 15 meses de prisão nos Estados Unidos por pagar propinas ligadas à Petrobras. Caso envolve empresas de energia, multas milionárias e cooperação internacional.
Um caso judicial nos Estados Unidos voltou a lançar luz sobre práticas ilegais no comércio global de petróleo, envolvendo subornos, acesso privilegiado a informações estratégicas e contratos milionários.
Autoridades americanas confirmaram a condenação de um trader do setor de energia por crimes de corrupção ligados à Petrobras, episódio que também mobilizou investigadores brasileiros.
A decisão reforça a vigilância internacional sobre o mercado de petróleo, especialmente quando envolve estatais e grandes tradings globais.
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Sentença nos EUA detalha esquema de corrupção ligado à Petrobras
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou, nesta terça-feira (9), que Glenn Oztemel, cidadão americano de 66 anos, foi condenado a 15 meses de prisão. Ele atuava como trader no setor de petróleo e, segundo os promotores, pagou mais de US$ 1 milhão — cerca de R$ 5,45 milhões — a autoridades ligadas à Petrobras. O objetivo era obter dados confidenciais capazes de gerar vantagens comerciais relevantes.
Oztemel trabalhava, à época dos fatos, para duas empresas do setor de energia: Arcadia Fuels e Freepoint Commodities.
As informações obtidas ilegalmente eram usadas para beneficiar diretamente essas companhias em negociações estratégicas de petróleo, sobretudo em contratos considerados altamente lucrativos.
Pagamentos disfarçados e uso de intermediário
De acordo com as investigações, os recursos ilícitos não eram transferidos de forma direta. Eles passavam por um intermediário brasileiro, identificado como Eduardo Innecco. O método incluía a simulação de contratos formais para ocultar a real finalidade das transações financeiras.
“As provas apresentadas no julgamento mostraram que Oztemel e seus cúmplices fizeram com que a Arcadia e a Freepoint realizassem pagamentos corruptos — disfarçados de supostos honorários de consultoria e comissões — a um intermediário, Eduardo Innecco, sabendo que ele pagaria parte desses fundos a funcionários brasileiros”, diz o comunicado.
Enquanto isso, as empresas recebiam dados sensíveis da Petrobras, incluindo informações sobre ofertas feitas por concorrentes norte-americanos no setor de petróleo.
Segundo o Departamento de Justiça, o acesso a esse material confidencial permitiu que Arcadia e Freepoint ampliassem sua competitividade. As informações antecipadas eram decisivas para ajustar propostas comerciais e vencer disputas por contratos de petróleo com a estatal brasileira.
Esses dados estratégicos “davam à Arcadia e à Freepoint uma vantagem competitiva na obtenção de contratos de petróleo lucrativos com a Petrobras”, conforme descreve o texto oficial divulgado pelas autoridades americanas.
Multa bilionária e cooperação internacional marcaram a investigação
Ainda no desdobramento do caso, a Freepoint Commodities admitiu formalmente, em dezembro de 2023, as acusações de corrupção. Como consequência, a empresa concordou em pagar US$ 98 milhões em multas, valor equivalente a aproximadamente R$ 535 milhões.
Além disso, as autoridades norte-americanas destacaram que a apuração contou com colaboração direta de órgãos brasileiros, evidenciando o caráter transnacional das investigações envolvendo o mercado de petróleo.
Esse tipo de cooperação tem sido cada vez mais comum, sobretudo em casos que envolvem grandes empresas de energia, fluxos financeiros internacionais e contratos estratégicos ligados a recursos naturais.
