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Como vivem os 35,9 milhões de pobres nos Estados Unidos, a maior potência do mundo, e onde eles moram

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 26/12/2025 às 22:04
Assista o vídeoEstados Unidos - pobreza - pobre- aluguel - morar- moradia - trabalhar - brasileiros nos EUA
Pobreza nos Estados Unidos não é só morador de rua. Veja onde os pobres vivem (inclusive em motéis, trailers e casas superlotadas), por que o aluguel pesa tanto e como funcionam SNAP e Section 8.
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Pobreza nos Estados Unidos não é só morador de rua. Veja onde os pobres vivem (inclusive em motéis, trailers e casas superlotadas), por que o aluguel pesa tanto e como funcionam SNAP e Section 8.

Você pode visitar os Estados Unidos como turista, ver ruas limpas, lojas cheias e achar que “aqui não tem pobreza”. Só que a pobreza, muitas vezes, não aparece gritando: ela fica escondida atrás da porta de um motel pago por semana, dentro de uma casa aparentemente normal, mas lotada por dentro, ou no carro estacionado à noite perto de um Walmart.

E quando o aluguel vira um muro impossível de escalar, a vida da pessoa não despenca direto para a calçada. Ela escorrega por etapas. E muito comuns para milhões de pobres que estão tentando viver nos EUA sem uma rede real de proteção.

Primeiro, vamos ao básico: quantos pobres existem nos EUA hoje?

Pelo dado oficial mais recente consolidado em material público do Congresso (com base nas medições oficiais), a taxa de pobreza nos Estados Unidos ficou em 10,6% em 2024, o que equivale a 35,9 milhões de pessoas vivendo na pobreza.

Para referência, em 2023 a taxa oficial foi 11,1%, com 36,8 milhões de pessoas na pobreza, segundo o U.S. Census Bureau.

Só que aqui entra um ponto crucial: “pobreza” (medida por renda) e “não ter casa” (homelessness) não são a mesma coisa. Muitas pessoas pobres têm teto.

Muitas pessoas sem teto não aparecem nas estatísticas de pobreza como você imagina. O problema é mais amplo: é insegurança habitacional.

Pobreza invisível: não é só morador de rua

Quando a gente fala em pobreza nos Estados Unidos, muita gente pensa na imagem mais extrema: alguém dormindo na rua, em barraca ou embaixo de ponte.

Isso existe, sim. E, de acordo com o relatório oficial do HUD, em uma noite típica do levantamento nacional (Point-in-Time), 771.480 pessoas estavam em situação de rua ou em abrigos/programas temporários em 2024 — o maior número já registrado nessa contagem.

Mas isso não conta toda a história. E aqui eu vou manter exatamente a lógica e os números do seu texto-base, porque eles explicam bem a “escada” da precarização.

Números reais: homelessness, casas precárias e superlotação

Em números aproximados, o quadro fica assim:

O ponto mais visível: cerca de 770.000 pessoas em situação de rua numa noite típica (homeless). Esse número é compatível com o registro oficial de 2024 (771.480).

Só que além disso, existem outros grupos enormes que quase ninguém vê:

Tem outros 17 milhões vivendo em substandard houses, isto é, moradias abaixo do padrão aceitável, com problemas graves de estrutura, saneamento ou segurança.

Tem entre 3 e 4 milhões vivendo como doubled up: pessoas e famílias “de favor”, na casa de parentes ou amigos, por falta de alternativa melhor.

E tem algo entre 10 milhões vivendo em casas superlotadas (crowded homes), com várias famílias dividindo o mesmo espaço.

Quando você soma tudo isso, dá mais ou menos 30 milhões de pessoas em algum nível de insegurança habitacional — quase 10% da população.

Esse é o ponto: a pobreza de moradia aqui costuma acontecer “dentro do sistema formal”, só que espremida, improvisada e escondida.

“Se existe Section 8, por que tem gente na rua?” A contradição que não é contradição

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Muita gente ouve falar do Section 8 (Housing Choice Voucher) — aquele programa que pode pagar uma parte enorme do aluguel — e pensa: “então por que alguém vira sem-teto?”.

Porque nos EUA existem, na prática, dois tipos de programa social:

Tem programas que funcionam como direito garantido. Se você cumpre as regras, o governo tem que atender. É o caso do SNAP (o famoso food stamp), da Social Security (aposentadoria) e do Medicaid (saúde básica para baixa renda). Esses programas acompanham a demanda.

Já programas de moradia (como vouchers e parte das políticas de aluguel assistido) entram na categoria de verba limitada: o orçamento tem teto anual. Se o dinheiro não dá, não dá.

E o efeito disso é brutal: só cerca de 1 em cada 4 famílias elegíveis realmente recebe assistência federal de aluguel.

Essa proporção (“one in four”) aparece recorrentemente em análises do tema e é descrita como uma espécie de “loteria da assistência habitacional”.

Ou seja: você pode ser elegível, precisar, estar no limite… e mesmo assim ficar anos esperando, ou nem conseguir entrar na fila.

A régua oficial: Federal Poverty Level (FPL)

A porta de entrada para boa parte dos benefícios é o Federal Poverty Level (FPL).

No seu texto-base, o FPL aparece explicado de um jeito bem “de vida real”, em termos práticos, como uma conta aproximada mensal: uma pessoa seria considerada pobre com renda mensal em torno de US$ 300, e para cada pessoa a mais você somaria aproximadamente US$ 50; uma família de quatro ficaria em torno de US$ 2.600 a US$ 2.700 por mês.

Eu mantenho essa explicação como ela está no original, porque a intenção ali é mostrar o abismo entre “ser considerado pobre na régua” e o preço real de morar em várias cidades americanas.

E para deixar isso ainda mais sólido com informação atualizada: as diretrizes federais de 2025 (publicadas pelo HHS) existem em valores anuais oficiais por tamanho de família, usadas por vários programas como referência.

Causa #1: salário baixo x aluguel alto, o coração do problema

A principal causa da moradia precária nos EUA, como o seu texto defende, não é “falta de trabalho”. É trabalho com salário baixo em um país onde o preço dos aluguéis nos EUA disparou em muitos ciclos e segue pesado para quem vive de salário.

Milhões trabalham em hotelaria, limpeza, restaurante, turismo, serviços essenciais, construção leve. O trabalho existe. A renda existe. Mas ela não acompanha o custo de viver perto de emprego, escola e transporte.

E mesmo quando o crescimento do aluguel desacelera em alguns períodos, isso não apaga o estrago acumulado. Relatórios do Zillow Research mostram que o mercado de aluguel pode “esfriar” em certos momentos e ainda assim continuar caro, especialmente para quem precisa renovar contrato e não tem margem.

E tem outro dado que ajuda a entender por que a conta não fecha: a National Low Income Housing Coalition (NLIHC) aponta uma escassez severa de moradias realmente acessíveis para quem ganha muito pouco, com milhões de unidades faltando para o público de renda mais baixa.

Causa #2: imigração e a falta de acesso à moradia assistida

A segunda grande causa que o texto destaca é institucional: imigrantes indocumentados não têm acesso ao Section 8 e não podem morar em habitação pública.

Mesmo trabalhando, pagando impostos e tendo filhos cidadãos, essas famílias ficam presas ao mercado privado.

Quando o aluguel sobe, não existe “colchão” para amortecer. E aí aparece um conselho forte do texto: se a pessoa tem condição, vale priorizar comprar uma casa (mesmo simples), evitar depender de aluguel, e principalmente buscar caminhos legais de imigração (visto de trabalho, green card).

Turistas, estudantes e indocumentados não têm acesso a programas sociais que, no começo da vida nos EUA, fariam uma diferença enorme.

Causa #3: saúde mental e drogas (causa e consequência)

Quando a situação chega no estágio mais extremo, o texto traz números importantes: entre moradores de rua, cerca de 30% têm doença mental grave; 30% a 40% têm transtorno por uso de substâncias; e 20% a 25% convivem com os dois ao mesmo tempo.

E aqui está o detalhe que muda tudo: isso não é uma explicação simplista do tipo “é culpa da pessoa”. O texto faz questão de dizer que doença mental e dependência química são causa e consequência do colapso habitacional. Às vezes levam à perda da moradia. Às vezes explodem depois que a moradia foi perdida.

Pedir esmola é crime? Em geral, não é tão simples

O texto afirma que pedir esmola ou dar esmola não é crime, e que muitas prefeituras tentaram proibir, mas juízes tendem a reconhecer isso como uma forma de liberdade de expressão.

Esse debate existe mesmo: há forte discussão jurídica nos EUA sobre panhandling como expressão protegida pela Primeira Emenda, e muitas restrições amplas acabam sendo contestadas.

A saída “prática” que o texto descreve é a divisão informal entre pedir esmola de forma passiva (ficar parado com placa) e agressiva (abordar pessoas em pontos sensíveis, como caixa eletrônico, restaurantes, ou travar cruzamentos).

A polícia, na lógica descrita, tende a intervir não por “pedir”, mas por intimidar pessoas ou atrapalhar trânsito. Esse é um tema que varia muito por cidade, mas a tensão entre “ordem pública” e “liberdade de expressão” é real e recorrente.

Por que não existem favelas nos EUA como no Brasil?

A comparação com o Brasil é direta: nos EUA não aparecem favelas como as brasileiras porque as leis de zoneamento urbano são rígidas, ocupações irregulares são reprimidas rapidamente e a propriedade privada é fortemente defendida.

Isso impede a favela “cartão-postal”, mas não impede a favelização. Ela acontece de outro jeito: difusa, escondida, em etapas.

A “favelização” nos EUA: as etapas que quase ninguém enxerga

O roteiro costuma ser assim:

A família perde a moradia formal, tenta entrar em programas como Section 8 ou habitação pública, mas esbarra em fila, lista fechada ou falta de verba.

Como não pode esperar, começa a buscar alternativas mais baratas e ainda “dignas”: mobile homes, trailers, RV parks.

Se piora, migra para motéis pagos semanalmente (pagamento adiantado, sem crédito, sem depósito). Não é “motel de filme”: é aquele beira de estrada, simples, barato, dois andares.

Depois vem a superlotação: casas cheias, quartos improvisados, garagem ou porão adaptado.

Ou então a família vira doubled up: mora de favor, sem contrato, sem estabilidade, sem privacidade. Sofá, colchão inflável, o que der.

Quando a família é expulsa dali também, entra na zona cinzenta: morar no carro ou na van. Banheiro em supermercado, banho em posto ou academia. Pertences no porta-malas. Dorme onde dá.

E só depois, quando até o carro se perde, a rua vira destino.

Onde os pobres moram nos Estados Unidos, na prática: “mapa” da pobreza dentro e fora das grandes cidades

Se você quer entender onde a pobreza está concentrada, vale olhar também para recortes oficiais por estado e regiões metropolitanas.

O próprio Census Bureau publica análises sobre pobreza por estados e grandes áreas metropolitanas com base no American Community Survey (ACS).

E tem um padrão histórico importante: existem condados com pobreza persistente por décadas (20% ou mais por longos períodos) — muito presente em áreas rurais do Sul, partes de Appalachia e alguns territórios com vulnerabilidades estruturais.

Isso ajuda a explicar por que, em muitos lugares, a pobreza não se resume a “centro de cidade grande”: ela também mora em estradas longas, serviços distantes e aluguel barato… só que com pouca oportunidade por perto.

Três filmes para entender a pobreza nos Estados Unidos

Para visualizar esse mundo sem depender só de estatística, recomendamos assistir três filmes:

  • Nomadland (vencedor do Oscar em 2020), sobre trabalhadores sazonais vivendo em vans.
  • The Florida Project (2017), sobre famílias de baixa renda perto de Kissimmee, algumas ligadas à Disney, vivendo em motéis pagos por semana.
  • Los Angeles: Skid Row is My Home (2017), sobre a vida no maior acampamento de sem-teto de Los Angeles.

A ideia é simples: essas histórias mostram que “nem tudo são flores” e que a cultura da meritocracia não segura todo mundo, mesmo quem trabalha duro.

A pobreza habitacional nos Estados Unidos “sussurra”

A pobreza de moradia nos EUA raramente aparece como favela gigante ou multidão na rua. Ela se esconde atrás de fachadas coloridas, de casas bonitas por fora e lotadas por dentro, e de carros estacionados à noite.

Entender isso não é ideologia. É enxergar como os problemas sociais modernos realmente funcionam.

E se você quer viver nos EUA, o conselho continua válido: vá preparado, entenda a realidade, e com o visto certo.

Os EUA oferecem oportunidades, mas não se resumem a iPhone caro e TV grande. O país é complexo. E quem chega com estratégia tem mais chance de construir algo sólido e até ficar rico.

Agora eu quero saber de você a sua opinião. Deixe um comentário com a sua visão e, se este texto te ajudou, compartilhe com alguém que também pensa em morar nos Estados Unidos.

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Davi
Davi
29/12/2025 19:17

E só eleger o lula, afinal ele tirou 30milhoes da pobreza

Francisco Fortes Filho
Francisco Fortes Filho
28/12/2025 22:26

Aqui no Brasil, têm favelas q parecem pocilgas. Milhares de famílias vivem em barracos e casebres que sequer tem saneamento. Vivem pior que nas cavernas do tempo dos australopitecus.

As autoridades, que são eleitas p/solucionar os problemas de infraestrura de todos as situações, como moradias, recebem todos os tipos de auxilios, inclusive Aux. Moradia e outros, tem casos q são p/marido e mulher, e os mais necessitados, p/receber um aux de BCP, tem q ter uma renda de 25% do salário mínimo p/pessoa.

Um parlamentar, q recebe só de subsídios/salários, + de 40 mil por mês, recebe vários tipos de auxilios.

Jackson lins dos santos
Jackson lins dos santos
28/12/2025 20:05

Essa matéria é muito útil para acabar com ilusões que muitas pessoas têm sobre os Estados Unidos da América.
Se a pessoa tiver realmente vontade de vencer , é muito mais produtivo garimpar oportunidades aqui mesmo no Brasil. Nossa língua, nossa cultura ,nossos costumes que conhecemos são vantagens que lá na ” América ” não teríamos.

Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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