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Como restos de um navio do século 17 achado na Finlândia viraram vestidos: madeira do naufrágio Hahtiperä, enterrada por mais de 300 anos, foi transformada em fibra têxtil pela tecnologia Ioncell

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 03/06/2026 às 08:40 Atualizado em 03/06/2026 às 08:44
Naufrágios vira vestidos
Vestidos feitos com madeira de navio naufragado unem moda e arqueologia Imagem: Divulgação/Universidade Aalto
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Pesquisadores da Universidade Aalto transformaram madeira do naufrágio Hahtiperä, encontrado em Oulu, em fibra têxtil para criar dois vestidos que unem preservação arqueológica, moda sustentável e tecnologia desenvolvida na Finlândia

Fragmentos de madeira do naufrágio Hahtiperä, uma embarcação do século 17 encontrada em Oulu, na Finlândia, foram transformados em dois vestidos por pesquisadores da Universidade Aalto. O projeto usou tecnologia têxtil para reaproveitar restos arqueológicos sem destino definido e mostrar novas formas de preservação, design e sustentabilidade.

Naufrágios vira vestidos
Imagem: Reprodução

Madeira do naufrágio Hahtiperä virou fibra têxtil

A embarcação histórica foi localizada durante escavações realizadas em 2019. O naufrágio Hahtiperä é considerado o mais antigo já encontrado na cidade de Oulu, no oeste da Finlândia, e representa um vestígio da atividade marítima regional há mais de 300 anos.

Depois de anos de análise e preservação, grande parte do material retirado do local foi estudada e catalogada.

No entanto, alguns fragmentos de madeira ainda não tinham uma destinação definida dentro do processo arqueológico.

A ideia de reaproveitar o material surgiu a partir de uma dúvida levantada pela arqueóloga marítima Minna Koivikko, da Agência Finlandesa do Patrimônio, sobre a possibilidade de os fragmentos ainda terem alguma utilidade.

Tecnologia Ioncell permitiu transformar madeira em tecido

Para converter os restos da embarcação em material têxtil, a Universidade Aalto utilizou a tecnologia Ioncell, desenvolvida pela própria instituição. O método transforma materiais ricos em celulose, como madeira, em fibras de alta qualidade.

Mesmo depois de permanecer enterrada por séculos, parte da madeira conservou propriedades suficientes para ser reaproveitada. O núcleo do material deu origem a um fio naturalmente amarronzado, que manteve sua cor original durante a produção.

O resultado mostrou que a tecnologia Ioncell pode produzir fibras a partir de materiais à base de celulose.

No caso do naufrágio Hahtiperä, o processo também deu uma nova função a um material arqueológico raro.

Naufrágios vira vestidos
Imagem: Reproduçâo

Dois vestidos foram criados para preservação e exposição

O design das peças ficou sob responsabilidade da professora Anna-Mari Leppisaari. Um dos vestidos foi feito para permanecer em exibição na Universidade Aalto. O outro foi produzido para integrar o acervo do Museu de Arte de Oulu.

A proposta não foi apenas criar roupas. O projeto buscou mostrar como materiais históricos podem ser preservados de forma diferente, usando ciência, tecnologia e design para transformar fragmentos antigos em peças contemporâneas.

Leppisaari afirmou que estava nervosa sobre como o fio se comportaria em uma máquina industrial. O material, porém, mostrou resistência durante o processo, e o resultado final foi considerado satisfatório pela professora.

Naufrágios vira vestidos
Vestidos feitos com madeira de navio naufragado unem moda e arqueologia
Imagem: Divulgação/Universidade Aalto

Projeto também chama atenção para moda sustentável

Além do valor arqueológico, a iniciativa destaca alternativas para a indústria da moda. A tecnologia Ioncell foi desenvolvida para reduzir a dependência de matérias-primas altamente poluentes e pode abrir caminho para novas formas de produção têxtil.

No caso finlandês, o reaproveitamento dos fragmentos uniu três áreas distintas: arqueologia, sustentabilidade e moda.

A madeira do naufrágio Hahtiperä deixou de ser apenas um vestígio histórico e passou a integrar peças criadas para exposição pública.

Esta matéria foi elaborada com base em informações da Universidade Aalto e da Agência Finlandesa do Patrimônio, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

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Romário Pereira de Carvalho

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