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Como o pré-sal vem atropelando o Nordeste: produção de petróleo despenca na região enquanto o Brasil concentra quase tudo no mar

Escrito por Rannyson Moura
Publicado em 09/02/2026 às 11:08
Atualizado em 09/02/2026 às 11:09
Assista o vídeoCom o avanço do pré-sal, o Nordeste perde espaço na produção de petróleo e gás. Bahia, Maranhão e Rio Grande do Norte ainda lideram no onshore, mas a participação regional já caiu para 4,7% do total do país.
Com o avanço do pré-sal, o Nordeste perde espaço na produção de petróleo e gás. Bahia, Maranhão e Rio Grande do Norte ainda lideram no onshore, mas a participação regional já caiu para 4,7% do total do país.
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Com o avanço do pré-sal, o Nordeste perde espaço na produção de petróleo e gás. Bahia, Maranhão e Rio Grande do Norte ainda lideram no onshore, mas a participação regional já caiu para 4,7% do total do país.

Enquanto o pré-sal bate recordes no litoral do Sudeste, o Nordeste vê seu peso na produção de petróleo encolher ano após ano. Em dezembro de 2025, a região respondeu por apenas 4,7% de toda a produção brasileira de petróleo e gás natural, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Ao mesmo tempo, o Brasil produziu 5,2 milhões de barris equivalentes por dia, sendo que 79,5% vieram do pré-sal, localizado em alto-mar, principalmente no Rio de Janeiro. Isso significa que quase todo o petróleo que sustenta a economia energética do país hoje sai do fundo do oceano, e não mais da terra firme nordestina.

Mesmo assim, cinco estados seguem ativos: Bahia, Maranhão, Rio Grande do Norte, Sergipe e Alagoas. Juntos, eles mantêm 268 campos produtores e extraem 145,19 mil barris equivalentes por dia, número pequeno quando comparado ao volume nacional.

Nordeste domina em terra, mas perde no total

Apesar da queda na relevância nacional, o Nordeste ainda é o coração da produção terrestre de petróleo no Brasil. Toda a produção da região ocorre em terra, o chamado modelo onshore.

Em dezembro de 2025, o país produziu 248 mil barris equivalentes por dia em terra. Desse total, 58,5% saíram do Nordeste, o que mostra que a região continua dominante nesse tipo de exploração.

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O problema é que a produção terrestre virou algo pequeno dentro do todo. Hoje, o petróleo que sai do solo representa menos de 5% do total brasileiro, enquanto o pré-sal domina quase tudo.

Além disso, os campos nordestinos são maduros, com poços antigos e produtividade menor. Eles sobrevivem porque o custo de operação é mais baixo e a infraestrutura já está pronta há décadas.

Bahia, Maranhão e Rio Grande do Norte puxam a região

A Bahia lidera a produção nordestina. Em dezembro de 2025, o estado produziu 45.820 barris equivalentes por dia. Desse total, 19.854 barris eram de petróleo e 4,128 milhões de metros cúbicos de gás natural.

A força baiana vem da Bacia do Recôncavo, que reúne 72 campos ativos, a maior concentração da região. Mesmo assim, sua participação no petróleo nacional caiu de 0,77% em 2021 para 0,55% em 2025.

Logo atrás aparece o Maranhão, que praticamente vive do gás natural. O estado produziu 6,247 milhões de metros cúbicos por dia, o que garantiu 39.429 barris equivalentes diários. Porém, o petróleo maranhense é quase simbólico: apenas 136 barris por dia.

O gás sai da Bacia do Parnaíba, com campos como Gavião Preto, Gavião Branco, Gavião Real e Gavião Caboclo. Ainda assim, a fatia do Maranhão no gás nacional caiu de 4,39% para 2,65% em quatro anos.

O Rio Grande do Norte aparece como o segundo maior produtor de petróleo do Nordeste. Em 2025, foram 27.967 barris por dia, além de 907 mil metros cúbicos de gás, somando 33.678 barris equivalentes.

A Bacia Potiguar abriga 58 campos, com destaque para Estreito, que opera 795 poços, e Canto do Amaro, que sozinho entregou 5 mil barris equivalentes por dia.

Sergipe e Alagoas ainda respiram graças ao gás

Sergipe produziu 12.447 barris equivalentes por dia, sendo 11.988 barris de petróleo e 73 mil metros cúbicos de gás. O campo de Carmópolis continua relevante, com 8 mil barris equivalentes por dia, o que representa 3,2% de toda a produção terrestre do país.

Alagoas fechou dezembro de 2025 com 13.811 barris equivalentes por dia, puxados principalmente pelo gás. A operadora Origem Alagoas controla 77% da produção estadual, com 13.436 barris equivalentes diários.

Ceará, Paraíba e Pernambuco praticamente fora do jogo

O Ceará ainda aparece nos números, mas com apenas 0,02% da produção nacional de petróleo, um volume quase simbólico.

Paraíba e Pernambuco não registraram produção nos boletins da ANP, o que indica campos fechados ou volumes tão baixos que não entram nas estatísticas.

Diante desse cenário, você acha que o Nordeste corre o risco de ficar cada vez mais irrelevante no mapa do petróleo do Brasil?

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Edvaldo Fontes
Edvaldo Fontes
09/02/2026 22:25

Comparar produção do pré sal com produção em terra, é no mínimo inocente. Mas a pergunta é, por que a Petrobrás não coloca como prioridade a exploração do SEAP , Sergipe Águas Profundas? Petróleo e gás tem e muito, só falta direcionar um pouco dos investimentos pra região nordeste.

Marcio
Marcio
Em resposta a  Edvaldo Fontes
10/02/2026 17:07

Exatamente isso amigo, o estado lá do Sergipe tem muito gás e Petróleo ainda não explorado, estima – se mais de 2 bilhões de barris

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Rannyson Moura

Graduado em Publicidade e Propaganda pela UERN; mestre em Comunicação Social pela UFMG e doutorando em Estudos de Linguagens pelo CEFET-MG. Atua como redator freelancer desde 2019, com textos publicados em sites como Baixaki, MinhaSérie e Letras.mus.br. Academicamente, tem trabalhos publicados em livros e apresentados em eventos da área. Entre os temas de pesquisa, destaca-se o interesse pelo mercado editorial a partir de um olhar que considera diferentes marcadores sociais.

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