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Como a linha do Equador foi realmente criada, quem arriscou a vida nas montanhas do Equador e por que até hoje ainda erram o lugar

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 14/11/2025 às 08:55
Como a linha do Equador foi criada por uma expedição científica que arriscou tudo para medir o raio da Terra e definir a latitude zero com precisão.
Como a linha do Equador foi criada por uma expedição científica que arriscou tudo para medir o raio da Terra e definir a latitude zero com precisão.
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Expedição do século XVIII arriscou vidas nas montanhas do Equador para medir a Terra e definir onde passa o maior círculo do planeta

Pouca gente sabe, mas a criação da linha do Equador como conhecemos hoje não é resultado de uma suposição geográfica simples, mas sim de uma das missões científicas mais perigosas e decisivas da história. Enfrentando selvas, altitudes extremas e até assassinatos, uma expedição francesa percorreu o atual território do Equador no século XVIII para medir a curvatura da Terra e comprovar uma teoria de Isaac Newton.

Para definir com exatidão onde passava a linha do Equador, o grupo liderado por La Condamine teve que medir centenas de quilômetros entre montanhas, calcular ângulos estelares e atravessar um dos terrenos mais hostis da América do Sul. O resultado foi uma medição com erro inferior a 100 metros, mesmo com a tecnologia limitada da época.

Tudo começou com uma pergunta simples

Como a linha do Equador foi criada por uma expedição científica que arriscou tudo para medir o raio da Terra e definir a latitude zero com precisão.

No século XVIII, havia uma dúvida fundamental: a Terra era uma esfera perfeita ou tinha deformações? Newton propôs que ela era achatada nos polos, mas faltavam provas empíricas.

A França, então, enviou uma equipe ao Equador para resolver a questão, pois a linha do Equador representava o ponto de maior diâmetro do planeta, local ideal para essa verificação.

A missão da Academia Francesa de Ciências partiu em 1735 rumo a Quito, região quase exata onde a linha imaginária cruza a América do Sul.

O objetivo era medir um arco de meridiano, comparando seus resultados com os obtidos em solo francês. Isso permitiria calcular o raio da Terra naquela latitude.

Três graus, uma guerra e várias tragédias

Como a linha do Equador foi criada por uma expedição científica que arriscou tudo para medir o raio da Terra e definir a latitude zero com precisão.

Os cientistas escolheram dois pontos distantes 330 km e começaram o processo.

Com réguas metálicas de seis metros, mediram manualmente a distância entre os pontos, ao mesmo tempo em que montavam torres para calcular ângulos com estrelas.

O terreno, no entanto, era brutal: vales profundos, chuvas incessantes, tempestades e altitudes acima dos 4.600 metros tornaram a missão um pesadelo.

Ainda em 1737, o médico da equipe, Jean Seniergues, foi assassinado após defender uma mulher local.

O trauma quase fez a expedição fracassar.

Em seguida, disputas internas entre os cientistas dividiram o grupo, que passou a trabalhar separado e em clima de tensão permanente.

Resultados históricos e a origem da precisão moderna

Mesmo com todos os percalços, os dados finais confirmaram a teoria de Newton: o raio da Terra no Equador era maior do que o raio medido na Europa.

Isso provava que o planeta era achatado nos polos.

Usando estrelas como referência, os cientistas conseguiram cravar a latitude exata da linha do Equador: 0°0’0″.

O ponto ficava perto de Quito.

Após a missão, La Condamine resolveu voltar pela Amazônia.

Ele e dois assistentes desceram o rio em uma balsa, mapeando 5.000 km de território inexplorado, coletando dados e confirmando a posição do Equador em diferentes trechos.

Enquanto isso, seu colega Pierre Bouguer voltou pela rota tradicional e publicou os dados antes, gerando uma briga científica que duraria décadas.

O erro que virou monumento

Apesar da precisão da expedição, o monumento turístico “Mitad del Mundo”, construído em Quito em 1936, está no lugar errado.

Ele foi baseado em medições antigas, e hoje se sabe, com ajuda de satélites, que está 240 metros ao sul da linha real.

O verdadeiro ponto passa por um museu próximo, mas a maioria dos visitantes ainda tira fotos no local errado.

A linha do Equador, hoje calculada com base no modelo WGS 84 (usado por todos os sistemas de GPS), tem origem direta nessa missão de 1736.

Ela é fundamental para rotas aéreas, satélites e medições geográficas de todo o planeta.

A linha que ainda se move

Mesmo com toda a tecnologia moderna, a linha do Equador não é fixa.

O movimento polar e a deriva das placas tectônicas fazem com que ela oscile alguns metros por século.

O solo onde La Condamine fez as medições subiu cerca de dois metros desde então.

Ainda assim, os princípios usados naquela expedição — medições angulares, triangulação e física newtoniana — seguem como base da geodesia moderna.

A expedição durou 10 anos. Dos 11 membros originais, três morreram, um desapareceu na selva e outro voltou louco.

La Condamine gastou toda a fortuna pessoal e morreu pobre, mas seu trabalho foi essencial para salvar bilhões em erros futuros de navegação, sinal e infraestrutura global.

Você já visitou o monumento “Mitad del Mundo” ou sabia que ele está no lugar errado? O que mais te surpreendeu nessa história? Comente abaixo!

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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