Pesquisa liderada por Mariano Barbacid mostra que combinação de medicamentos eliminou tumores de câncer de pâncreas em modelos animais com baixa toxicidade.
Uma estratégia terapêutica inédita contra o câncer de pâncreas apresentou resultados considerados históricos em laboratório. Em testes pré-clínicos, a combinação de três medicamentos foi capaz de eliminar completamente tumores em modelos animais, incluindo aqueles que reproduzem com fidelidade a doença humana.
A pesquisa foi desenvolvida pela Fundação Cris Contra el Cáncer, na Espanha, e liderada pelo oncologista e pesquisador Mariano Barbacid.
Os resultados foram publicados na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) e se concentram no adenocarcinoma ductal de pâncreas, a forma mais frequente e letal do tumor.
-
Helicóptero despeja 180 toneladas de areia e cascalho sobre rio da Suécia para tentar ressuscitar leito destruído por décadas de exploração, recriar berçários aquáticos e transformar pedras lançadas do céu em obra de recuperação ambiental
-
Empresa desenvolve smartphone retrô: traz câmera de 48 MP, tela de 3,25 polegadas desligada por padrão, teclado T9, áudio sem perdas e botão de privacidade para atrair quem deseja usar WhatsApp, mapas e transporte sem cair nas redes sociais
-
Sem diploma, fazendeiro chinês juntou chapas de aço, uma bateria e um motor usado, passou dez anos soldando nas madrugadas até lançar no rio da província de Anhui o Big Black Fish, um submarino artesanal de 5 toneladas capaz de mergulhar 8 metros com dois passageiros a bordo.
-
Adeus às tomadas e cabos: tecnologia de indução invisível transmite energia sem fio para liquidificadores, cafeteiras e airfryers, desliga os aparelhos automaticamente ao serem movidos e pode se tornar padrão nas cozinhas em apenas 2 anos
O estudo foi conduzido recentemente em ambiente experimental e reforça uma mudança de abordagem no combate à doença: em vez de atacar o câncer por um único caminho, a proposta é bloquear simultaneamente diferentes mecanismos vitais para sua sobrevivência.
Por que o câncer de pâncreas continua entre os mais letais?
Mesmo com avanços na oncologia, o câncer de pâncreas segue como um dos maiores desafios da medicina.
A agressividade do tumor, aliada ao diagnóstico tardio na maioria dos casos, reduz drasticamente as chances de sucesso terapêutico.
Outro fator decisivo é a capacidade do tumor de se adaptar rapidamente aos tratamentos. Medicamentos isolados costumam perder eficácia, já que as células cancerígenas ativam rotas alternativas para continuar crescendo e resistindo às terapias.
Diante desse cenário, cresce o interesse por estratégias que consigam atingir o câncer em vários pontos ao mesmo tempo, reduzindo sua margem de escape.
Estratégia combinada ataca três alvos vitais do tumor
O grande diferencial do trabalho liderado por Mariano Barbacid está justamente nessa lógica combinada. Os pesquisadores decidiram bloquear, de forma simultânea, três elementos centrais para a manutenção do câncer de pâncreas.
O principal deles é o oncogene KRAS, presente na maioria dos tumores pancreáticos e reconhecido como o principal impulsionador da doença.
Além dele, a estratégia também mira as proteínas EGFR e STAT3, ambas associadas ao crescimento tumoral, à inflamação e à resistência aos tratamentos convencionais.
Embora esses alvos já fossem conhecidos individualmente, a combinação impediu que o tumor ativasse mecanismos compensatórios, algo comum quando apenas uma via é bloqueada.
Regressão total dos tumores em modelos de alta complexidade
Nos experimentos, os pesquisadores observaram o desaparecimento completo dos tumores em diferentes modelos animais.
Entre eles, destacam-se os modelos PDX, que utilizam fragmentos de tumores retirados diretamente de pacientes.
Esse tipo de modelo é considerado um dos mais avançados da pesquisa oncológica pré-clínica, pois reproduz de forma mais fiel o comportamento do câncer humano, incluindo sua agressividade e resposta aos tratamentos.
Os resultados reforçam o potencial da abordagem e indicam que a combinação terapêutica pode representar um novo caminho no enfrentamento de uma das doenças mais difíceis da oncologia atual.

Resposta duradoura e baixa toxicidade surpreendem cientistas
A eficácia do tratamento não se limitou à eliminação inicial dos tumores. Os testes mostraram que, mesmo após mais de 200 dias do término da terapia, os animais permaneciam sem sinais da doença.
Outro aspecto considerado decisivo foi a segurança. Diferentemente do que costuma ocorrer em tratamentos oncológicos intensivos, não houve registro de efeitos adversos significativos.
Para o oncologista Mariano Barbacid, os resultados representam um avanço experimental relevante, ao indicar que combinações terapêuticas bem planejadas podem alcançar respostas duradouras com níveis reduzidos de toxicidade.
Impacto potencial diante de números alarmantes
Hoje, o câncer de pâncreas continua entre os tumores com pior prognóstico: somente cerca de um em cada dez pacientes consegue ultrapassar cinco anos após a confirmação da doença.
Na Espanha, o número de diagnósticos já supera 10 mil por ano, e no Brasil a realidade não é diferente, marcada por altas taxas de mortalidade e poucas opções de tratamento eficazes.
Esse cenário evidencia a necessidade urgente de novos medicamentos e estratégias terapêuticas capazes de alterar o curso da doença.
O que ainda impede a chegada aos pacientes
Apesar dos resultados promissores, o tratamento ainda precisa passar por ensaios clínicos em humanos. Essa etapa depende de financiamento e de autorizações regulatórias.
Alguns dos medicamentos utilizados já estão em estágios avançados de desenvolvimento. O inibidor de KRAS RMC-6236, por exemplo, pode receber aprovação para algumas indicações até 2027.
Já os degradadores de STAT3 seguem em testes clínicos para outros tipos de câncer.
O principal obstáculo, segundo Mariano Barbacid, está no Afatinib, inibidor de EGFR aprovado para certos cânceres de pulmão, mas ainda não autorizado para tumores associados a mutações em KRAS, comuns no câncer de pâncreas.
Pressão por mais agilidade regulatória
Diante do potencial da descoberta, a Fundação Cris Contra el Cáncer defende maior rapidez nos processos de aprovação.
A presidente da instituição, Lola Manterola, pede cooperação entre governos, agências reguladoras e centros de pesquisa para acelerar o acesso a terapias inovadoras.
Se os resultados se confirmarem em humanos, a combinação de medicamentos pode representar uma mudança de paradigma no tratamento do câncer de pâncreas, ao atacar simultaneamente múltiplos pontos vitais do tumor.
Com informações do Gizmodo

-
-
-
-
9 pessoas reagiram a isso.