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Com 8,4 metros de envergadura, velocidade de Mach 2 e mais de 14 metros de comprimento, o F-39 Gripen é um dos caças mais modernos já operados pela Força Aérea Brasileira

Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 04/05/2026 às 13:25
Atualizado em 04/05/2026 às 13:33
Assista o vídeoF-39 Gripen: conheça sua história, capacidades técnicas e tudo o sobre um dos caças mais poderosos da FAB.
F-39 Gripen: conheça sua história, capacidades técnicas e tudo o sobre um dos caças mais poderosos da FAB. Fonte: Tuomo Salonen / SIM.
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F-39 Gripen: conheça sua história, capacidades técnicas e tudo o sobre um dos caças mais poderosos da FAB.

O F-39 Gripen é o caça de combate escolhido pela Força Aérea Brasileira (FAB) para proteger o espaço aéreo do país. Desenvolvido pela empresa sueca Saab, o avião é um dos caças multimissão mais modernos da atualidade — capaz de atacar alvos no ar, no solo e no mar, tudo em uma única missão. Desde 2022, aeronaves F-39 chegam ao Brasil regularmente, e em maio de 2023 foi inaugurada em Gavião Peixoto, interior de São Paulo, a única linha de produção do Gripen fora da Suécia, operada pela Embraer em parceria com a Saab.

O que é o F-39 Gripen?

O Gripen — cujo nome vem de uma criatura mitológica da antiguidade, meio leão, meio águia — é classificado como um caça leve de quarta geração e meia. Essa classificação indica que ele está entre os aviões de combate convencionais e os de quinta geração, como o F-35 americano, incorporando tecnologias avançadas sem o custo altíssimo dos modelos mais modernos.

A sigla JAS, presente no nome original sueco do avião (JAS 39 Gripen), resume bem suas capacidades: “Jakt” (combate ar-a-ar), “Attack” (ataque ao solo) e “Spaning” (reconhecimento). Ou seja, trata-se de uma aeronave projetada para fazer tudo — e trocar de função com apenas um toque no painel, de acordo com a fabricante.

Além disso, o Gripen foi concebido com foco em baixo custo de manutenção ao longo de sua vida útil estimada de cerca de 50 anos. Seus principais sistemas, incluindo o motor e o radar, foram modulados para facilitar reparos e reduzir o tempo de inatividade da aeronave.

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Como surgiu o projeto

A história do Gripen começa no final dos anos 1970, quando o governo sueco percebeu que seus caças mais modernos da época — o Saab 35 Draken e o 37 Viggen — já estavam ficando obsoletos. Em 1979, as autoridades suecas iniciaram estudos para desenvolver um substituto com capacidade para múltiplas missões.

Entre os requisitos exigidos pela Força Aérea da Suécia estavam: velocidade máxima de Mach 2 (o dobro da velocidade do som), capacidade de operar em pistas curtas — de apenas 800 metros de comprimento por 9 metros de largura — e ser menor que o Viggen, mantendo ou superando sua capacidade de carga.

Outros aviões foram analisados durante o processo, incluindo o F-16 americano, o F/A-18 Hornet e o Mirage 2000 francês. Ainda assim, o governo sueco optou por desenvolver a aeronave com a própria indústria nacional. Em 1980, foi criado o Industrigruppen JAS, um consórcio formado por Saab, Ericsson, Volvo Aero e outras empresas suecas.

F-39 Gripen é o caça da Força Aérea Brasileira: conheça sua história, capacidades técnicas e tudo o que já aconteceu com o programa no Brasil.
F-39 Gripen é o caça da Força Aérea Brasileira: conheça sua história, capacidades técnicas e tudo o que já aconteceu com o programa no Brasil. (Imagem meramente ilustrativa)

Em 30 de junho de 1982, o Parlamento da Suécia aprovou contratos no valor de SEK 25,7 bilhões para a Saab, cobrindo a construção de cinco protótipos e um primeiro lote de 30 aeronaves.

Do primeiro voo à entrada em serviço

O primeiro protótipo do Gripen foi apresentado ao público em 26 de abril de 1987, data que coincidiu com o 50.º aniversário da Saab. Porém, problemas com o sistema de controle de voo atrasaram o primeiro voo em cerca de 18 meses.

Em 9 de dezembro de 1988, o piloto Stig Holmström levou o protótipo de número de série 39-1 ao ar pela primeira vez, em um voo de 51 minutos. O programa de testes, porém, enfrentou dois acidentes ao longo do desenvolvimento, o que levou a ajustes importantes no software de controle de voo da aeronave.

Após essas correções, o Gripen entrou em serviço com a Força Aérea Sueca em 1997. A partir de 2003, versões mais avançadas — com aviônica aprimorada e capacidade de reabastecimento em voo — passaram a ser entregues.

Características técnicas do F-39 Gripen

O Gripen combina agilidade, potência e tecnologia em uma estrutura relativamente compacta. Veja as principais especificações técnicas da aeronave:

CaracterísticaDado
Comprimento14,1 metros
Envergadura8,4 metros
Altura4,5 metros
Área das asas30 m²
Velocidade máximaMach 2
MotorVolvo RM12 (derivado do GE F404-400)
Capacidade de armamentoAté 6.050 kg
Ângulo de ataque máximo80 graus
Vida útil estimadaCerca de 50 anos

O arsenal que o F-39 Gripen pode carregar

O Gripen foi projetado para ser flexível na integração de armamentos e pode transportar até 6.050 kg de equipamentos e armas em voo. Entre os sistemas compatíveis com a aeronave, estão:

  • Canhão automático Mauser BK-27 (calibre 27 mm), para combate aéreo próximo.
  • Míssil AIM-9 Sidewinder — míssil ar-ar de curto alcance.
  • Míssil IRIS-T — míssil ar-ar de curto alcance de alta manobrabilidade.
  • Míssil MBDA Meteor — míssil ar-ar de longo alcance, integrado aos Gripens suecos a partir de 2010.
  • Míssil AGM-65 Maverick — para ataque a alvos terrestres.
  • Míssil antinavio RBS-15 — para operações de combate marítimo.
  • Bomba guiada GBU-49 — munição de precisão para ataques ao solo.
  • Pod Litening (da israelense Rafael Systems) — sensor externo para reconhecimento e designação de alvos.

Como o F-39 Gripen chegou ao Brasil?

A versão brasileira do Gripen, designada F-39E, teve seu primeiro voo em 26 de agosto de 2019, nas instalações da Saab em Linköping, na Suécia. Poucos dias depois, em 10 de setembro de 2019, a primeira unidade foi entregue formalmente à FAB para início dos testes de voo.

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A aeronave chegou ao território brasileiro em 20 de setembro de 2020, desembarcando no Porto de Navegantes, em Santa Catarina, e seguindo por via terrestre até Gavião Peixoto, São Paulo, onde a Embraer conduz o programa de testes de integração de sistemas.

A chegada das aeronaves operacionais e a linha do tempo no Brasil

A partir de 2022, os caças F-39 Gripen passaram a chegar ao Brasil em lotes regulares, todos pelo Porto de Navegantes. Confira a cronologia das principais entregas e marcos do programa:

  • 2 de abril de 2022 — Chegada dos dois primeiros Gripens operacionais ao Porto de Navegantes; transferidos para Gavião Peixoto em 6 de abril.
  • 25 de setembro de 2022 — Desembarque de mais duas aeronaves no Porto de Navegantes.
  • 19 de dezembro de 2022 — Cerimônia na Base Aérea de Anápolis (GO) marca o início das atividades operacionais do 1.º Grupo de Defesa Aérea (1º GDA).
  • 5 de maio de 2023 — Chegada de mais dois F-39E ao Porto de Navegantes; integração ao 1º GDA em 9 de maio.
  • 9 de maio de 2023 — Inauguração da linha de produção do Gripen E no Brasil, na Embraer em Gavião Peixoto, com presença do presidente Lula e do ministro da Defesa José Múcio.
  • 11 de dezembro de 2023 — Chegada da aeronave FAB 4107 ao Porto de Navegantes; integrada ao 1º GDA em 15 de dezembro.
  • 23 de setembro de 2024 — Chegada da aeronave FAB 4108; integrada ao 1º GDA em 26 de setembro.
  • 12 de junho de 2025 — Chegada da décima aeronave F-39E Gripen (FAB 4110) ao Porto de Navegantes; integrada ao 1º GDA em 17 de junho.

Testes realizados no Brasil: do calor amazônico à pista curta

Desde sua chegada, o F-39 Gripen passou por uma série de campanhas de testes em território brasileiro para validar seu desempenho nas condições climáticas e geográficas do país.

F-39 Gripen é o caça da Força Aérea Brasileira: conheça sua história, capacidades técnicas e tudo o que já aconteceu com o programa no Brasil.
F-39 Gripen é o caça da Força Aérea Brasileira: conheça sua história, capacidades técnicas e tudo o que já aconteceu com o programa no Brasil. (Imagem meramente ilustrativa)

Em janeiro de 2024, a aeronave FAB 4100 participou de exercícios para testar o IRST (Infrared Search and Track) — um sensor passivo capaz de detectar alvos a longa distância por meio de calor, sem emitir sinais que possam ser rastreados pelo inimigo.

Entre março e abril de 2024, o mesmo avião foi para Belém e Salinópolis, no Pará, onde passou por testes de umidade e calor — durante um dos voos, estava equipado com dois mísseis IRIS-T nas pontas das asas.

Já em fevereiro de 2025, os testes em Anápolis (GO) foram os mais exigentes até então. Com temperatura de 32ºC e altitude de 1.100 metros, o caça voou com carga total — tanques extras de combustível mais mísseis de curto e longo alcance. Foram realizadas 14 missões, que incluíram simulações de pouso em pista curta e reabastecimentos rápidos em campo. Ao contrário de ciclos anteriores, o foco desta vez foi exclusivamente no desempenho de voo e na manobrabilidade da aeronave carregada.

Além disso, entre 4 e 8 de dezembro de 2023, o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) realizou na Base Aérea de Anápolis a primeira fase da Avaliação Operacional contratual do F-39E — etapa formal que verifica se o caça atende aos requisitos acordados com a FAB.

A fábrica brasileira e a transferência de tecnologia

Um dos pilares do contrato entre Brasil e Suécia é a transferência de tecnologia. Diferente de outros países que simplesmente compram aeronaves prontas, o Brasil negociou o acesso ao código-fonte dos sistemas do Gripen e à documentação técnica completa, o que permite que a FAB e a Embraer façam atualizações e integrem novos equipamentos de forma independente.

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A linha de produção inaugurada em Gavião Peixoto em maio de 2023 é a única fora do território sueco e integra o chamado polo completo do Gripen no Brasil, que reúne também um centro de desenvolvimento e outro de ensaios em voo — tudo no mesmo local.

Portanto, o programa vai além da compra de aviões: posiciona o Brasil como um parceiro industrial da Saab, com capacidade de montar e, futuramente, exportar aeronaves Gripen para outros países a partir do território nacional.

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Ruth Rodrigues

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.

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