Os militares dos EUA testaram com sucesso a bomba JDAM com motor a jato. Entenda como o novo alcance de 550 km muda a estratégia de ataque de longo alcance.
O cenário de conflitos modernos, marcado pelo uso intensivo de munições guiadas, acaba de ganhar um novo protagonista tecnológico. Em testes recentes concluídos pela Marinha dos EUA e pela Boeing, a nova versão da bomba JDAM com motor a jato (JDAM-LR) provou ser capaz de atingir alvos a mais de 550 km de distância.
O sucesso dos ensaios em Point Mugu, na Califórnia, ocorre em um momento crítico: apenas em operações recentes contra o Irã, os Estados Unidos e Israel empregaram mais de 350 bombas JDAM em 36 horas, reforçando a urgência por armas que unam longo alcance e viabilidade econômica.
A grande vantagem estratégica dessa inovação é a chamada capacidade standoff. Ao permitir que um caça lance o armamento a centenas de quilômetros do alvo, os EUA garantem que suas aeronaves operem fora do raio de ação de mísseis antiaéreos inimigos.
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Segundo a capitã Sarah Abbott, gerente do programa de Armas de Ataque de Precisão, a expansão do alcance tornou-se uma necessidade operacional para preservar a vantagem tática em ambientes contestados, onde a sobrevivência das plataformas de combate é prioridade.
A bomba que virou míssil
Um dos pilares do projeto é transformar a bomba JDAM com motor a jato em uma alternativa barata aos mísseis de cruzeiro tradicionais.
Enquanto mísseis dedicados possuem custos altíssimos e logística complexa, a nova variante — designada como GBU-75 — aproveita a infraestrutura já existente das bombas JDAM, que são amplamente utilizadas por forças aéreas e navais ao redor do mundo.
Esta hibridização oferece benefícios claros para o arsenal norte-americano:
- Logística Simplificada: Utiliza plataformas e softwares já compatíveis com a família JDAM.
- Custo Reduzido: Evita a necessidade de integração de armamentos totalmente novos e caros.
- Produção em Escala: Baseia-se em componentes já fabricados em larga escala.
- Alcance Superior: Salta de 24 km (modelo convencional) ou 72 km (modelo ER) para mais de 580 km.
Portanto, o novo kit permite ataques sustentáveis e em profundidade sem esgotar o orçamento militar com munições de luxo.
Desempenho nos testes e tecnologia de propulsão
Durante as avaliações no início de abril de 2026, caças F/A-18 Super Hornet realizaram os lançamentos que validaram o conceito. No primeiro ensaio, a bomba JDAM com motor a jato percorreu 370 km em voo motorizado, mantendo estabilidade por 34 minutos até o impacto preciso.

No segundo teste, o armamento foi submetido a manobras mais agressivas e mudanças de altitude, confirmando a robustez do sistema de guiagem terminal e do motor. O coração tecnológico dessa evolução é o motor TDI-J85, desenvolvido pela Kratos Defense.
Com apenas 13 kg de peso e um empuxo de 200 libras, este micro propulsor é o responsável por elevar a GBU-75 (derivada da bomba de 230 kg) a um novo patamar de desempenho. Essa motorização permite que o artefato não dependa apenas da gravidade, mas execute um voo de cruzeiro nivelado, corrigindo sua trajetória via GPS até o impacto final.
Integração naval e futuro operacional
Com a fase de separação e voo motorizado concluída com êxito, a Boeing e a Marinha dos EUA focam agora na integração total da JDAM-LR às plataformas navais. Os dados coletados em Point Mugu servirão para finalizar os ajustes de hardware e refinar o software de voo.
O objetivo é que o sistema esteja pronto para exercícios operacionais em breve, oferecendo uma nova camada de defesa e ataque para a frota. Assim, a chegada da bomba JDAM-LR com motor a jato redefine o equilíbrio de poder no ar.
Fonte: TecnoDefesa

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