1. Início
  2. / Economia
  3. / Com R$ 450 milhões aprovados pelo BNDES, São Paulo vai receber uma grande planta de gás renovável com capacidade de até 225 mil m³ por dia, que deve gerar cerca de 3 mil empregos diretos e indiretos
Tempo de leitura 5 min de leitura Comentários 0 comentários

Com R$ 450 milhões aprovados pelo BNDES, São Paulo vai receber uma grande planta de gás renovável com capacidade de até 225 mil m³ por dia, que deve gerar cerca de 3 mil empregos diretos e indiretos

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 19/12/2025 às 20:24
Atualizado em 19/12/2025 às 20:25
BNDES aposta no gás renovável e aprova R$ 450 milhões para planta de biometano em São Paulo, ampliando a produção de energia limpa
Biogás de resíduos urbanos vira combustível renovável com R$ 450 milhões do BNDES para planta em São Paulo
  • Reação
  • Reação
6 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Projeto prevê produção de gás renovável e uso de R$ 450 milhões para ampliar a transformação de resíduos urbanos em energia

O BNDES aprovou um financiamento de R$ 450 milhões para a construção de uma planta de purificação de biogás voltada à produção de biometano em Paulínia (SP). A unidade será instalada no Ecoparque Orizon VR e integra uma aposta de grande porte na geração de gás renovável a partir de resíduos.

O investimento mira ganhos ambientais e econômicos, com impacto direto na economia de baixo carbono. A estrutura também reforça a lógica de economia circular, ao transformar o que iria para descarte em energia com uso industrial.

A operação ficará a cargo da Biometano Verde Paulínia S.A. (BVP), uma joint venture formada pela Edge, empresa do grupo Cosan, e pela Orizon VR. O modelo de financiamento combina linhas diferentes para viabilizar a implantação.

O que aconteceu e por que isso chamou atenção

A aprovação do crédito destrava um projeto que se destaca pelo tamanho e pelo foco em biometano produzido a partir de aterro sanitário. O empreendimento será executado em Paulínia (SP), em uma área já dedicada ao tratamento de resíduos.

A planta vai purificar o biogás gerado no aterro, elevando a qualidade do combustível até o padrão de biometano. Isso permite que o gás renovável seja utilizado em aplicações que hoje dependem do gás natural de origem fóssil.

O projeto é apontado como o maior do país na produção de biometano, com capacidade instalada para chegar a 225 mil m³ por dia de gás renovável.

Vista aérea de planta industrial de biogás e biometano, usada de forma ilustrativa para representar a produção em larga escala

Como o financiamento de R$ 450 milhões foi estruturado

Do total aprovado, cerca de 80% será viabilizado com recursos do Fundo Clima. Os outros 20% virão da linha Finem, também dentro do pacote de apoio ao projeto.

Essa composição busca dar escala ao investimento e acelerar a implantação da planta em Paulínia. Com isso, a estrutura financeira sustenta a construção e a preparação para a operação em larga escala.

O crédito aprovado reforça a estratégia de direcionar recursos para iniciativas ligadas à transição energética e à redução de emissões.

Como funciona a produção de biometano a partir de resíduos urbanos

O biogás nasce da decomposição de resíduos sólidos em aterros sanitários. Depois de captado, ele passa por um processo de purificação para remover impurezas e atingir a qualidade necessária para virar biometano.

A Onebio será responsável por processar todo o biogás gerado a partir dos resíduos urbanos do aterro sanitário de Paulínia. A etapa de purificação é o ponto central para transformar um subproduto do lixo em combustível renovável.

O resultado é um gás que pode substituir combustíveis fósseis e aproveitar a infraestrutura já existente do setor de gás natural para logística e distribuição.

O que muda na prática para a economia de baixo carbono

O biometano é descrito como uma fonte 100% renovável que fortalece a economia circular ao converter resíduos urbanos, industriais e agrícolas em gás natural. A proposta é ampliar alternativas de descarbonização em segmentos que ainda dependem de combustíveis tradicionais.

Também foi destacada a redução de emissões quando comparado ao diesel, com queda de quase 90% nas emissões de CO2. Esse tipo de ganho é um dos fatores que colocam o biometano como rota relevante na transição energética.

Além disso, a possibilidade de usar a infraestrutura do gás natural já existente reduz barreiras logísticas para o avanço desse mercado.

Empregos e efeitos regionais durante a implantação

Durante a fase de implantação, a estimativa é de geração de cerca de 3 mil empregos diretos e indiretos. O volume de vagas tende a movimentar fornecedores, serviços e a cadeia local ligada à construção e à operação.

O projeto também é associado ao desenvolvimento regional, com reflexos na dinâmica econômica de Paulínia (SP). A combinação de investimento, geração de empregos e produção energética reforça o peso do empreendimento no território.

Com isso, o biometano ganha espaço não apenas como combustível, mas como vetor de atividade econômica conectada à transição energética.

O que pode acontecer a partir de agora

A planta de Paulínia foi apresentada como um passo pioneiro para ampliar a produção de biometano em larga escala a partir de aterros sanitários. A operação também foi colocada como referência para expansão em outras unidades.

A estrutura do projeto adota uma base já implementada em uma planta localizada em Pernambuco, citada como modelo operacional para replicação. A ideia é consolidar um caminho para levar o biometano a outros aterros da empresa.

O avanço do projeto tende a ampliar a oferta de gás renovável e fortalecer a substituição de combustíveis fósseis em aplicações energéticas.

O BNDES liberou um financiamento de R$ 450 milhões para viabilizar a planta de biometano em Paulínia (SP), com estrutura apoiada pelo Fundo Clima e pela linha Finem. A iniciativa conecta resíduos urbanos a energia renovável e mira escala industrial.

Com capacidade para chegar a 225 mil m³ por dia e previsão de 3 mil empregos diretos e indiretos na implantação, o empreendimento reforça a transição energética ao ampliar a produção de biometano e reduzir emissões em comparação a combustíveis fósseis.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x