Com o termômetro chegando perto de zero grau e risco de geada, a prefeitura de Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina, soltou um alerta urgente aos produtores rurais. A orientação ensina como proteger hortaliças, bananas, animais recém-nascidos, peixes e abelhas antes que o frio intenso cause prejuízo nas lavouras e criações.
Diante de uma onda de frio intenso que atingiu Santa Catarina em maio de 2026, derrubando o termômetro para perto de zero grau e trazendo risco de geada, a Prefeitura de Jaraguá do Sul, no Norte catarinense, divulgou em 22 de maio um alerta urgente aos produtores rurais. A orientação, feita pela Secretaria de Desenvolvimento Rural e Abastecimento, recomenda antecipar medidas emergenciais para proteger lavouras e criações dos efeitos do frio, ensinando como salvar hortaliças, bananas e animais recém-nascidos antes que as baixas temperaturas causem prejuízo.
O alerta surge em meio a uma sequência de massas de ar polar que vêm atingindo o Sul do Brasil neste outono e início de inverno. Na semana do anúncio, municípios catarinenses e paranaenses registraram geada e recordes de frio, com marcas negativas em áreas de serra. Por isso, segundo a prefeitura, cada decisão tomada no campo durante o período crítico pode representar a diferença entre o prejuízo e a manutenção da produtividade, especialmente para os pequenos produtores da região.
Por que a geada preocupa tanto o campo
A geada se forma quando a temperatura próxima ao solo cai a níveis muito baixos, geralmente com céu claro e vento calmo, condições que favorecem o congelamento da umidade sobre as plantas. Esse fenômeno é um dos mais temidos pela agricultura, porque pode queimar folhas, comprometer brotos e inviabilizar colheitas inteiras em poucas horas. Em Santa Catarina, as áreas de maior altitude e as baixadas são as mais vulneráveis a esse tipo de evento.
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O engenheiro agrônomo Jackson Haroldo Schütz, da Secretaria de Desenvolvimento Rural e Abastecimento de Jaraguá do Sul, explica que o frio intenso afeta diferentes frentes da produção rural ao mesmo tempo, da pecuária às lavouras, passando pela criação de peixes e abelhas. Por isso, a recomendação central é a antecipação: agir de forma preventiva, antes que a geada se instale, em vez de tentar remediar os danos depois que eles já ocorreram.
Como proteger os animais do frio e da geada
Na pecuária, o frio intenso pode comprometer a saúde dos rebanhos, principalmente dos animais recém-nascidos, que são mais sensíveis às baixas temperaturas. Segundo o agrônomo, a recomendação é garantir abrigo seco, proteção contra o vento e reforço na alimentação dos animais durante o período mais gelado, medidas que ajudam a manter a temperatura corporal e a imunidade dos rebanhos.
Quando as pastagens sofrem com o frio e param de crescer, alternativas de alimentação como a silagem e o feno passam a ser essenciais para manter os animais nutridos. O especialista também destaca que estruturas naturais, como árvores, e sistemas integrados de produção ajudam a reduzir o impacto das baixas temperaturas, funcionando como barreiras contra o vento gelado e oferecendo abrigo ao gado durante os episódios de geada.
Hortaliças e bananas entre as lavouras mais vulneráveis
Entre os cultivos, as hortaliças e a banana estão entre os mais vulneráveis à geada, segundo a orientação da prefeitura. Para reduzir os danos, o agrônomo indica técnicas como a irrigação por aspersão durante a madrugada, que ajuda a proteger as plantas no momento mais frio, além do uso de coberturas e da escolha de variedades mais resistentes ao frio na hora do plantio.
Para as plantações mais sensíveis, práticas específicas podem fazer a diferença entre perder ou salvar a produção. Entre elas estão o ensacamento de frutos, a proteção com palha e ajustes na adubação das plantas. Essas medidas, relativamente simples e de baixo custo, são especialmente úteis para a agricultura familiar, que muitas vezes não dispõe de grandes estruturas de proteção contra a geada e depende da safra para garantir a renda.
Piscicultura, apicultura e até os equipamentos exigem cuidado
O frio não atinge apenas o solo e as pastagens. Na piscicultura, a recomendação é reduzir a alimentação dos peixes nos dias mais gelados, já que o metabolismo dos animais diminui com a queda da temperatura, e o excesso de comida pode gerar estresse e até mortalidade nos tanques. Já na apicultura, abrir as colmeias durante o frio intenso pode comprometer o equilíbrio térmico interno e prejudicar as abelhas, por isso o manejo deve ser evitado nos dias críticos.
Os equipamentos agrícolas também entram no radar do alerta. Bombas, pulverizadores e tratores podem sofrer danos com o congelamento da água em seus sistemas internos, o que exige cuidados específicos, como o uso de anticongelantes e o armazenamento das máquinas em locais protegidos. Pequenas mudanças no manejo, segundo a prefeitura, ajudam a preservar tanto a produtividade quanto o patrimônio do produtor durante a passagem da geada.
O papel do monitoramento do clima
A recomendação central dos especialistas é acompanhar de perto e constantemente as previsões meteorológicas, agindo de forma preventiva sempre que houver anúncio de queda acentuada de temperatura e risco de geada. Informações atualizadas e confiáveis podem evitar perdas significativas e garantir mais segurança para quem depende da produção rural para viver, permitindo organizar as medidas de proteção com antecedência.
Vale um esclarecimento sobre as causas desse frio. Embora a comunicação inicial associe as ondas de frio ao El Niño, os institutos meteorológicos atribuem os episódios à chegada de massas de ar polar vindas do extremo sul do continente. Curiosamente, segundo a Epagri/Ciram, a tendência para o inverno de 2026 em Santa Catarina é de temperaturas acima da média e de períodos de frio intenso menos prolongados, justamente por influência do El Niño, o que reforça a importância de o produtor acompanhar boletins atualizados a cada evento de geada, em vez de se basear apenas em previsões sazonais.
O alerta da Prefeitura de Jaraguá do Sul é um lembrete de como o frio e a geada exigem atenção redobrada de quem vive do campo em Santa Catarina. Da pecuária às hortaliças, da piscicultura aos equipamentos, cada detalhe do manejo pode definir o resultado da safra e a saúde dos rebanhos. A boa notícia é que muitas das medidas de proteção são simples e baratas, ao alcance até dos pequenos produtores, desde que adotadas com antecedência e baseadas em informação climática confiável.
Você é produtor rural ou conhece alguém que já perdeu lavoura ou animais por causa da geada? Quais técnicas você usa para proteger a produção do frio intenso? Deixe seu comentário, compartilhe sua experiência de manejo no campo durante o inverno e ajude outros produtores compartilhando esta matéria com quem precisa se preparar para as próximas ondas de frio em Santa Catarina.

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