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Com mais de 60 anos vivendo sozinha no sítio da Serra da Canastra, tia Ana mantém a roça de pé, faz tudo com as próprias mãos, prepara bolinho de queijo, pão de queijo raiz, cuida dos animais e preserva uma tradição que o tempo insiste em tentar apagar

Publicado em 28/11/2025 às 22:06
Assista o vídeoCom mais de 60 anos vivendo sozinha no sítio na Serra da Canastra, tia Ana mantém a roça, cuida dos animais e preserva receitas e tradições de roça que o tempo insiste em apagar.
Com mais de 60 anos vivendo sozinha no sítio na Serra da Canastra, tia Ana mantém a roça, cuida dos animais e preserva receitas e tradições de roça que o tempo insiste em apagar.
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Entre poeira, fogão a lenha e panelas antigas, tia Ana segue vivendo sozinha no sítio no Vale da Gurita, planta, capina, faz queijo, bolinho doce, pão de queijo de verdade, cuida dos bichos e prova que a vida simples ainda sustenta a Serra da Canastra como poucos lugares no Brasil.

Vivendo sozinha no sítio onde nasceu, no Vale da Gurita, em plena Serra da Canastra (MG) , tia Ana atravessou décadas fazendo tudo com as próprias mãos. Ela planta, capina, faz queijo, bolinho de queijo, pão de queijo, cuida dos animais e ainda recebe visita com mesa cheia de quitanda, como se o tempo tivesse desacelerado só para ela.

Enquanto muita gente abandona a roça e troca a vida rural pela cidade, tia Ana segue firme, vivendo sozinha no sítio, cercada de poeira, minério vermelho, cheiro de café fresco e barulho de fogão a lenha. A rotina é puxada, mas ela garante que assim é melhor para cuidar de tudo do próprio jeito, honrando o que aprendeu com os pais lá atrás.

Vivendo sozinha no sítio e cuidando de cada detalhe

Com o tempo, os irmãos tomaram outros rumos, a vida mudou, mas tia Ana ficou. Hoje, segue vivendo sozinha no sítio, sem drama e sem vitimismo.

O sobrinho Cláudio ajuda quando tem gado, vaca parida ou necessidade mais pesada, e quando a roça está muito tomada de mato, ela chama um peão para dar um reforço.

No resto, é ela e Deus. Capina horta, mexe com couve, cuida de galinha, lida com vaca, organiza tudo dentro de casa e ainda acha força para assar quitanda para qualquer visita que aparecer.

Chegar na cozinha da tia Ana é certeza de encontrar lata de biscoito cheia, broa pronta e massa de pão de queijo esperando só o forno esquentar.

Pão de queijo raiz, do tipo que não vem em pacote

O pão de queijo da tia Ana é receita de mina raiz, herdada da mãe. Nada de mistura pronta. Na massa vão polvilho escaldado, um copo de óleo, um copo de leite, um copo de água, ovos e queijo de verdade, feito na roça, tudo medido no olho e na experiência.

Ela explica que o segredo é escaldar bem o polvilho, amassar na mão até a massa ficar “gusguenta” no ponto certo, nem dura nem mole demais.

Se fica mole, o pão de queijo “esborracha”; se fica duro, “vira uma casca”. O resultado são bolinhas firmes por fora e macias por dentro, que enchem a cozinha de cheiro bom.

E se sobrar massa, não tem problema. Vivendo sozinha no sítio, tia Ana já se acostumou a guardar para assar no dia seguinte, esticando o sabor e o trabalho.

O mesmo vale para a broa: ela faz, congela crua e, na hora, é só levar ao forno para ter quitanda fresca como se tivesse sido feita há minutos.

Bolinho de queijo frito, cozido e banhado no melado

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Outro destaque da mesa é a bolinha de queijo, que engana o olhar de quem pensa que é coxinha. A massa é simples: queijo amassado com um pouco de farinha de trigo.

Daí surgem duas versões: o bolinho frito, que depois ganha banho de calda grossa ou melado, e o bolinho cozido direto na calda, que fica macio, doce e grudado de sabor.

Ela faz questão de servir os dois tipos para comparar. O frito tem a casquinha crocante, que estala na boca e guarda o contraste do sal do queijo com o doce do melado.

O cozido puxa mais calda e fica “caprichado de bom”, como ela mesma define. E se deixar um dia inteiro na calda, o trem melhora ainda mais.

Farinha, polvilho, tareco e o tempo em que nada vinha da cidade

Quando começa a falar de como era fazer farinha e polvilho antigamente, tia Ana volta no tempo. A mandioca era moída na picadeira, peneirada, seca e torrada no forno, tudo manual.

Ela lembra de uma receita especial que a mãe fazia com a massa da mandioca, o “tareco”, tipo um bolo que era pingado no forno com colher depois da torra, para alegrar o fim do serviço.

Naquele tempo, vivendo no sítio e praticamente sem ir à cidade, ninguém comprava pão ou biscoito pronto.

A mãe fazia biscoito, pão de queijo, broa, bolo, e sempre que alguém chegava, tinha lata cheia. Hoje, tia Ana mantém o costume: se bater à porta em qualquer hora do dia, é quase certo encontrar quitanda fresca ou pronta para ir ao forno.

Crenças, superstições e a fé que ficou mais forte do que o medo

A conversa rende histórias das antigas. Ela lembra da Semana Santa em que não se podia matar frango, porco, nem fazer sangue, por respeito à tradição.

Quinta-feira depois do almoço já era hora de parar tudo. Na sexta, nem faca se pegava. Depois, no sábado de aleluia, o povo “tirava aleluia” e o couro comia em forma de brincadeira nas crianças.

Tia Ana também cresceu ouvindo falar de lobisomem, assombração, barulho no escuro e medo de andar na roça na quaresma. Hoje, vivendo sozinha no sítio, ela ri de tudo isso.

Diz que nunca viu nada, nunca topou com assombração e que o que mais assusta é o medo da própria cabeça. Para ela, é Deus quem guarda, e o resto é história que o povo aumenta.

Simplicidade sem distinção entre rico e pobre

No jeito de falar, fica claro que tia Ana não mede ninguém pela conta bancária. Ela serve o mesmo café, o mesmo pão de queijo e a mesma broa para o pobre e para o rico, sem separar louça “de visita importante”.

Ela conta, rindo, que nunca ligou para pratinho chique de louça; os pratos esmaltados riscados, com marca do tempo, têm o mesmo valor.

Para ela, o que importa é ter uma boca boa para comer e um corpo funcionando bem, o resto é frescura da cidade. A mesa é democrática, a hospitalidade é a mesma para quem sobe a estrada de terra e tem coragem de bater no portão.

Uma vida inteira vivendo sozinha no sítio como ato de resistência

O que poderia parecer isolamento é, na verdade, um ato de resistência silenciosa. Ao continuar vivendo sozinha no sítio, tia Ana segura uma ponta importante da cultura da Serra da Canastra: a comida feita no fogão de lenha, a hospitalidade sem pressa, o trabalho na roça, o respeito à natureza e a fé misturada com superstição e bom humor.

Enquanto o tempo tenta apagar a vida simples, ela insiste em acordar cedo, amassar pão de queijo, fazer bolinho de queijo, cuidar dos animais e manter firme a roça que herdou dos pais.

Na prática, tia Ana mostra que tradição não se preserva em museu, mas em gente que continua vivendo, plantando, cozinhando e recebendo quem chega.

E você, encararia essa rotina vivendo sozinha no sítio como tia Ana, ou prefere continuar na correria da cidade e só visitar a roça de vez em quando?

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Cleide
Cleide
30/11/2025 14:43

Tua Ana….me convida pra ir passar uns 10 dias aí…..

José Joaquim Baptista
José Joaquim Baptista
30/11/2025 08:19

Não sei se ela fornece serviço de pousada, mas caso possua, gostaria de fazer uma visita ao local em um final de semana. Moro em cidade de porte misto, mas minha paixão é o interior.

Maria donizetti tabanez Ribeiro
Maria donizetti tabanez Ribeiro
30/11/2025 02:10

Gostaria de morar na roça outra vez,mas com alguém de companhia porque com essa idade não é bom ficar sozinha, Gostaria de fazer uma visita nesse sítio da tua Ana, recordar é viver novamente,porque já fiz tudo isso que ela faz, é gratificante, muitas bênçãos de luz 💥 💥 💥

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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