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Com 101 anos, porão medieval e móveis originais intactos, a Casa das Dez Mulheres revela um dos casarões mais raros do Brasil com salas preservadas, detalhes artesanais únicos e história de família guardada desde 1922

Publicado em 28/11/2025 às 21:26
Assista o vídeoConheça a Casa das Dez Mulheres, um dos casarões mais raros do Brasil, com 101 anos, porão em pedra, móveis originais intactos, salas preservadas e a história de uma família gaúcha guardada desde 1922.
Conheça a Casa das Dez Mulheres, um dos casarões mais raros do Brasil, com 101 anos, porão em pedra, móveis originais intactos, salas preservadas e a história de uma família gaúcha guardada desde 1922.
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Com fachada original, pátio florido, porão de pedra, canaletas medievais e interiores cheios de memórias, este casarão centenário no interior gaúcho revela por que está entre os casarões mais raros do Brasil, preservando móveis, louças, fotos, pinturas, brinquedos e segredos de uma família desde 1922, quase intocados pelo tempo ainda.

Aos pés de um pátio silencioso localizada em Linha Cecília no interior de Venâncio Aires em Rio Grande do Sul, uma casa de 1922 guarda um segredo que a coloca entre os casarões mais raros do Brasil. São 101 anos de história, um porão com clima medieval, móveis originais espalhados pelas salas e um interior que parece ter parado no tempo.

Lá dentro, nada de museu montado para turista ver. O que existe é vida real congelada em madeira, pedra e porcelana, com rotinas atuais misturadas às lembranças de uma família que encheu o casarão de risadas, filhos, festas e memórias desde o começo do século passado. Quem entra sente que está atravessando uma porta do tempo.

A origem da Casa das Dez Mulheres

O apelido começou discreto, como fofoca de vizinhança. Primeiro, o povo chamava de Casa das Oito Mulheres, por causa das oito filhas do construtor. Cada janela da fachada principal representava uma menina, alinhadas lado a lado na frente do casarão.

Depois veio a nona filha. E com a mãe dentro de casa, somavam dez mulheres sob o mesmo teto. A antiga moradora, que viveu ali até dois meses antes da gravação, dizia com orgulho que aquele era um dos casarões mais raros do Brasil, justamente por carregar a marca de uma família numerosa, com dez mulheres e dois homens dividindo o mesmo lar.

No total, 12 pessoas ocupavam o espaço, num tempo em que a vida rural era intensa e cada metro da casa tinha função bem definida.

O construtor foi Henrique Ulmann, filho de Josef Ulmann. Primeiro veio a parte menor, que virou a famosa cozinha suja, onde se carneavam os bichos e se fazia a primeira etapa da comida.

Depois ele ergueu o corpo principal do casarão, com as quatro janelas de cada lado da porta e todos os detalhes que transformaram o imóvel em uma cápsula do início do século 20.

Por dentro de um dos casarões mais raros do Brasil

Por fora, o dono de hoje brinca dizendo que a casa está um pouco relaxada. Mas basta cruzar a porta de madeira centenária para entender que ali está um dos casarões mais raros do Brasil em estado original.

A pintura das paredes é de escaiola, desenhos feitos diretamente no reboco, preservados por mais de um século, em tons suaves e traços finos.

Os vitrais sobre a porta, os caixilhos, as janelas duplas que abrem de forma independente e as maçanetas antigas seguem no lugar, do jeitinho que o tempo deixou.

Na sala principal, o visitante dá de cara com sofá antigo, namoradeira, cadeiras de madeira torneada e porta-retratos com fotos de casamento.

Nada foi modernizado demais. A TV até existe, mas divide espaço com relógio antigo, bibelôs, santos, lembranças de crisma e objetos de devoção que contam a fé da família.

Os brinquedos ajudam a construir a narrativa doméstica: a vaquinha que desmaia quando se aperta a base, a Branca de Neve com os sete anões, copos e cinzeiros antigos.

Cada prateleira guarda um fragmento da história de quem viveu ali. Não é cenário montado, é casa viva carregando memória em cada canto.

Quartos, costuras e memórias de família

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Os quartos revelam ainda mais a força desse passado. Há um cômodo que parece ter sido selado no tempo, com roupas penduradas à moda antiga, perfumes antigos alinhados, cama clássica e uma máquina de costura pronta para ser usada pela vó que nunca mais voltou a sentar ali.

O roupeiro é daqueles gigantes, de madeira pesada, cheio de personalidade. O chão inteiro da casa é feito de tábuas largas, originais, sem sinais aparentes de cupim, algo raro em uma construção tão antiga, o que reforça ainda mais o lugar entre os casarões mais raros do Brasil.

Na cozinha, a atmosfera segue o mesmo padrão. A mesa grande de jantar, as cristaleiras com louças de porcelana, xícaras finas, pratos decorados e armários cheios de copos que parecem ter saído de outra época mostram que a rotina foi mudando, mas o coração da casa continua antigo.

Cozinha com arco, fogão a lenha e água sempre quente

A cozinha é um capítulo à parte. Um arco de alvenaria enquadra a área do fogão a lenha, que traz na placa o registro de um fabricante de Porto Alegre que já não existe mais. É o tipo de peça que hoje seria exibida em exposição, mas ali continua cumprindo seu papel diário de aquecer a casa e a comida.

Ao lado, ainda está instalado o sistema antigo de água quente: uma pequena torneira conectada a um reservatório sobre o fogão, onde a água esquentava com o fogo aceso o dia inteiro. Filtro de barro, louças alinhadas, armários cheios de utensílios antigos completam o cenário de uma cozinha que mistura passado e presente na mesma bancada.

Da janela, a vista é de flores, quintal, galinhas d’angola atravessando o pátio e um interior calmo que contrasta com a correria das cidades grandes.

Quem olha de dentro para fora entende por que tanta gente considera esse um dos casarões mais raros do Brasil em autenticidade e atmosfera.

Pátio, anexos e o caminho até o porão medieval

Nos fundos, a casa se prolonga em anexos igualmente antigos: forno de pão, churrasqueira, tanque de lavar roupa de pedra e canaletas de pedra esculpidas para conduzir a água da chuva, tudo com cara de vilarejo europeu perdido no interior gaúcho.

A água corrente atravessa a construção. Uma nascente dentro da propriedade passa pelo interior da casa, alimenta tanques, mata a sede dos bichos e segue o seu caminho. O som contínuo da água correndo mistura-se ao canto das aves e ao barulho do vento nas árvores.

É ali que o visitante começa a descer para a parte mais surpreendente do imóvel: o porão. As escadas levam a um nível mais baixo onde a pedra domina o cenário e a sensação é de entrar em um cenário medieval escondido no coração do Brasil.

Porão em pedra, vinho, marcenaria e relíquias

O porão é todo em pedra, úmido, silencioso e cheio de história. Ali já funcionou espaço de produção de vinho, com pipas de madeira ainda no lugar, prontas para contar as histórias das safras antigas.

Em uma parte, fica a antiga bancada de marceneiro de Henrique, com ferramentas espalhadas: formões, plainas, brocas, limas, peças de madeira meio prontas, tudo como se alguém tivesse parado o serviço apenas para tomar um café.

O resto do espaço é ocupado por latas antigas, garrafas grossas de vidro, latas de tinta de marcas que não existem mais, lamparinas de carbureto, panelas de ferro e suportes metálicos. Nada foi organizado para vitrine, é um depósito vivo de relíquias que ajudam a explicar o cotidiano de um século atrás.

Até o porão secundário, menor e mais escondido, guarda garrafões antigos, muitas vezes reaproveitados para vinagre, vinho ou outros líquidos.

A estrutura inteira em pedra, com teto baixo, reforça a sensação de que esse é um dos casarões mais raros do Brasil pela combinação de porão medieval, casa rural e preservação espontânea.

Um casarão raro, uma família comum e um retrato do Brasil profundo

Apesar de toda a imponência, a história da casa não é de fazenda milionária nem de baronato. Era uma pequena propriedade rural, tocada pela própria família, sem escravos e sem grandes extensões de terra.

A casa reunia pais, filhas, filhos, rotinas de roça, confecção de alimentos, produção de vinho, marcenaria e celebrações que usavam até um truque arquitetônico raro: uma parede interna inteira que se levantava para transformar duas salas em um grande salão de festas, solução simples e genial para casamentos e comemorações familiares.

Hoje, quem vive ali são descendentes capazes de manter a estrutura em pé, mesmo sem grandes luxos. O telhado precisa de atenção, alguns detalhes pedem restauração, mas a base está sólida.

O casarão atravessa o tempo como um documento tridimensional da imigração, da vida rural e da arquitetura do sul do Brasil, entregando ao país um exemplo vivo de preservação sem vitrine.

E você, encararia passar uma noite nesse lugar que é um dos casarões mais raros do Brasil ou prefere só visitar de dia e voltar correndo para a cidade?

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Neuza Silva Reis
Neuza Silva Reis
05/12/2025 11:54

Sou apaixonada pela natureza! Passaria não só uma noite mas moraria moraria pra sempre. Sou da roça de minas Gerais.

Marcela karina Tasca
Marcela karina Tasca
04/12/2025 20:56

Eu passaria um final de semana

Maria Virgínia Portela Corrêa
Maria Virgínia Portela Corrêa
04/12/2025 12:41

Amei visitar o casarão tanto externamente quanto o interior. O rapaz que fez a gravação está com nota maior que 10! Pois foi detalhista e com calma permitindo que mesmo de longe se pudesse observar e apreciar os detalhes das peças assim como do mobiliário em si . AMEI!

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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