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Com envergadura de Boeing 747 e 160 vezes mais leve, drone solar voa 90 dias sem pousar, sem combustível e sem piloto, carrega 17.248 painéis fotovoltaicos, radar de 200 km com IA e já cruzou tempestades no Golfo do México em testes para a Marinha dos EUA

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 31/03/2026 às 19:33
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Drone solar Skydweller voa dias sem pousar, usa 17.248 painéis, radar de 200 km e IA e promete chegar a 90 dias no ar sem combustível
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Drone solar Skydweller voa dias sem pousar, usa 17.248 painéis, radar de 200 km e IA e promete chegar a 90 dias no ar sem combustível

Em 2025, segundo reportagens da Live Science e testes conduzidos pela Naval Air Warfare Center Aircraft Division, o drone solar Skydweller Aero demonstrou capacidade de voo autônomo por múltiplos dias, utilizando exclusivamente energia solar. O projeto, desenvolvido pela empresa Skydweller Aero, busca atingir um marco inédito na aviação: permanecer no ar por até 90 dias consecutivos sem pousar, sem combustível e sem intervenção humana.

A proposta não é nova. Programas anteriores da NASA, Boeing e DARPA tentaram alcançar o mesmo objetivo, mas falharam por limitações estruturais e aerodinâmicas. O Skydweller surge como a primeira tentativa com validação operacional real, combinando engenharia leve, inteligência artificial e controle avançado de voo.

Skydweller Aero: drone solar nasce a partir do Solar Impulse 2 e evolui para voo autônomo

A ideia de construir um avião que voa para sempre usando apenas a luz do sol não é nova. A NASA tentou e fracassou. Seu protótipo solar HELIOS voou a mais de 27 mil metros em 2001, mas se despedaçou no ar em 2007. A Boeing e a DARPA também tentaram e não avançaram: o programa Solar Eagle, com investimento de US$ 89 milhões, foi cancelado em 2012.

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O Skydweller não foi criado do zero. Sua base estrutural deriva do Solar Impulse 2, aeronave que em 2016 realizou a primeira volta ao mundo movida apenas a energia solar, pilotada por Bertrand Piccard e André Borschberg.

Robert Miller, CEO da Skydweller Aero, identificou potencial na plataforma e adquiriu a aeronave em 2019. O objetivo foi transformá-la em um drone autônomo capaz de permanecer no ar por meses.

O maior desafio não era estrutural, mas computacional: desenvolver software capaz de controlar uma aeronave ultraleve em condições reais por longos períodos sem intervenção humana.

Aeroelasticidade: o problema que destruiu drones solares anteriores

O principal obstáculo técnico para drones solares de longa duração é a aeroelasticidade, fenômeno que envolve a interação entre forças aerodinâmicas e estruturas flexíveis.

Existe uma faixa crítica de altitude entre 1.500 e 10.000 metros onde turbulências podem causar flexões perigosas nas asas. Se a deformação ultrapassa limites estruturais, ocorre um efeito em cadeia que pode levar à ruptura da aeronave.

Foi exatamente esse fenômeno que destruiu o HELIOS da NASA. O Skydweller resolveu o problema não reforçando a estrutura, o que aumentaria peso e reduziria eficiência, mas utilizando software avançado de controle de voo.

O sistema ajusta superfícies de controle em tempo real, neutralizando forças que poderiam levar à falha estrutural, mantendo a aeronave dentro de limites seguros.

Drone solar com 72 metros de envergadura e 17.248 painéis solares

Os números do Skydweller são extremos. A aeronave possui 72 metros de envergadura, maior que a de um Boeing 747, mas com peso máximo de apenas 2.549 quilos, cerca de 160 vezes mais leve.

A estrutura é feita de fibra de carbono e abriga 17.248 painéis solares distribuídos em 270 metros quadrados de asas, gerando até 100 kW de potência.

Com envergadura de Boeing 747 e 160 vezes mais leve, drone solar voa 90 dias sem pousar, sem combustível e sem piloto, carrega 17.248 painéis fotovoltaicos, radar de 200 km com IA e já cruzou tempestades no Golfo do México em testes para a Marinha dos EUA
Foto: Divulgação

O drone carrega 635 quilos de baterias para armazenamento de energia e pode transportar até 363 quilos de carga útil.

Essa combinação permite operação contínua, dia e noite, sem necessidade de combustível, criando um novo paradigma de voo persistente.

Radar AESA de 200 km com inteligência artificial amplia capacidade de vigilância

O Skydweller é equipado com o radar AirMaster S, desenvolvido pela Thales, tecnologia AESA em banda X utilizada em aeronaves militares.

O sistema possui alcance de até 200 quilômetros e capacidade de rastrear múltiplos alvos simultaneamente, tanto no ar quanto no mar.

A integração com inteligência artificial permite classificação automática de objetos, diferenciando embarcações civis, militares e suspeitas. Essa capacidade transforma o drone em uma plataforma estratégica de vigilância persistente, com operação contínua por semanas ou meses.

Testes com a Marinha dos EUA comprovam voo autônomo de 73 horas contínuas

Em julho de 2025, o Skydweller completou voos autônomos de múltiplos dias a partir do Aeroporto de Stennis, nos Estados Unidos.

A missão mais longa durou 73 horas contínuas sem combustível, sem piloto e sem intervenção humana. Testes anteriores incluíram voos de até 22,5 horas, alguns atravessando tempestades no Golfo do México.

Esses testes foram conduzidos em parceria com a NAWCAD, órgão de pesquisa da Marinha dos EUA.

A validação operacional em ambiente real representa um avanço significativo rumo ao objetivo de 90 dias de voo contínuo.

Drone solar custa até 10 vezes menos que drones militares convencionais

Comparado a drones militares como o MQ-9 Reaper, o Skydweller apresenta custo operacional até dez vezes menor.

A principal diferença está na ausência de combustível, tripulação e manutenção frequente. O sistema opera como um pseudossatélite, oferecendo vigilância contínua com custo reduzido. A economia operacional é um dos principais fatores que impulsionam o interesse militar e civil no projeto.

O Skydweller pode operar continuamente entre 40 graus de latitude norte e sul, cobrindo grande parte das áreas estratégicas globais.

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A altitude de voo varia entre 6.000 e 10.500 metros, podendo atingir até 13.600 metros em condições ideais. Essa faixa permite atuação em regiões como Caribe, África, Oriente Médio e Sudeste Asiático, onde a incidência solar é suficiente para voo contínuo.

Sistema de autocura permite operação contínua por meses sem manutenção

Um dos diferenciais do Skydweller é o sistema VMS, que utiliza algoritmos de autocura. O sistema detecta falhas de software, isola o problema e reinicia automaticamente os processos, mantendo a operação contínua.

Essa capacidade é essencial para missões de longa duração, onde intervenção humana não é possível.

As aplicações do Skydweller são amplas e incluem vigilância marítima, combate ao tráfico de drogas, monitoramento ambiental e cobertura de comunicações.

O drone pode atuar como uma torre de comunicação aérea, fornecendo conectividade em regiões remotas ou afetadas por desastres. A versatilidade operacional amplia o potencial do sistema além do uso militar.

Meta de voo contínuo de 90 dias pode redefinir aviação global

A meta atual da Skydweller Aero é alcançar voos contínuos de sete a quinze dias com carga operacional completa, avançando posteriormente para 90 dias.

A empresa já projeta voos de até um ano no futuro, dependendo da evolução de sistemas de manutenção preditiva e baterias.

Se alcançado, esse marco redefinirá o conceito de aeronaves persistentes e poderá substituir parte das funções hoje desempenhadas por satélites.

Com envergadura de Boeing 747 e 160 vezes mais leve, drone solar voa 90 dias sem pousar, sem combustível e sem piloto, carrega 17.248 painéis fotovoltaicos, radar de 200 km com IA e já cruzou tempestades no Golfo do México em testes para a Marinha dos EUA
Drone solar Skydweller voa dias sem pousar, usa 17.248 painéis, radar de 200 km e IA e promete chegar a 90 dias no ar sem combustível

O Skydweller não se encaixa nas categorias tradicionais. Não é um avião convencional, nem um satélite, nem um drone comum. Trata-se de uma plataforma de voo contínuo movida a energia solar, controlada por inteligência artificial e capaz de operar por meses.

Essa nova categoria representa uma convergência entre aviação, espaço e inteligência artificial, criando um novo modelo de vigilância global persistente.

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Luiz Fernando F Camargo
Luiz Fernando F Camargo
01/04/2026 06:51

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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