O Reino Unido pretende colocar o laser DragonFire em operação até 2027 nos destróieres Tipo 45, apostando em disparos com custo quase nulo e capacidade contínua para enfrentar ataques de saturação, reduzir o consumo de mísseis caros e ampliar a defesa naval contra drones e outras ameaças de curto alcance
O Reino Unido planeja colocar em operação o laser DragonFire até 2027, equipando destróieres Tipo 45 da Marinha Real com uma arma de alta energia voltada à defesa contra drones, morteiros, pequenas embarcações e outros alvos de curto alcance. A mudança acelera em cinco anos o cronograma anterior e marca uma etapa importante na transição de sistemas experimentais para uso operacional no combate naval.
A implementação será sustentada por um contrato de produção concedido à MBDA em novembro de 2025 e começará com pelo menos dois destróieres, após testes com munição real realizados no campo de provas das Hébridas.
O governo britânico confirmou o novo calendário em março de 2026 e definiu que a primeira instalação ocorrerá em um navio da classe Tipo 45.
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Reino Unido acelera entrada do laser DragonFire
A revisão do cronograma reflete a preocupação crescente com campos de batalha cada vez mais marcados pela presença maciça de drones. Para os planejadores navais, a velocidade passou a ser decisiva, já que esse tipo de ameaça evoluiu mais rápido que os ciclos tradicionais de aquisição de defesa.
A implantação acelerada busca reduzir essa defasagem e ampliar a capacidade de resposta em navios de guerra de defesa aérea de elite. Outros navios deverão ser incluídos na fase inicial do programa, à medida que o sistema avançar da etapa de testes para plataformas operacionais.
Laser mira ameaças baratas e de grande volume
O DragonFire foi projetado para enfrentar ameaças de curto alcance, especialmente drones e projéteis de morteiro, que costumam aparecer em grande número e têm baixo custo de emprego. Esse cenário cria dificuldades para interceptores tradicionais, já que cada míssil lançado pode custar centenas de milhares de dólares.
Nesse tipo de confronto, o laser oferece uma resposta diferente por poder atacar alvos em sequência sem a necessidade de recarga. Enquanto houver energia disponível, os operadores podem continuar disparando, o que amplia a capacidade de reação durante ataques prolongados.
O sistema também pode ser empregado contra pequenas embarcações e certos projéteis em aproximação. Sua eficácia, porém, depende do tempo de permanência sobre o alvo e da capacidade energética disponível a bordo do navio.
Jérôme Brahy, analista de defesa e documentarista do Army Recognition, avaliou que o equipamento reforça a defesa em camadas ao acrescentar uma opção de engajamento com boa relação custo-benefício para ameaças de grande volume. Essa característica coloca o laser como complemento a sistemas já existentes, em vez de substituto isolado.
Economia e integração nos destróieres Tipo 45
A principal vantagem do DragonFire está no custo. Cada disparo consome aproximadamente £10 em eletricidade, valor muito inferior ao preço de mísseis interceptores utilizados em defesas convencionais.
Os destróieres Tipo 45 foram apontados como uma plataforma adequada para receber o sistema. O Reino Unido já opera nesses navios o sistema de defesa aérea Sea Viper com mísseis Aster, além dos radares SAMPSON e S1850M para detecção e rastreamento de alvos.
Canhões navais, sistemas de guerra eletrônica e defesas de curto alcance já compõem a proteção dessas embarcações.
Com a chegada do laser, essa arquitetura ganhará uma nova camada não cinética, reduzindo a dependência de estoques finitos de mísseis e diminuindo a carga logística ligada ao armazenamento e reabastecimento de munições.
Engenheiros descrevem essa capacidade como um “carregador inwinito”, embora os limites reais dependam da geração de energia e dos sistemas de resfriamento, e não da quantidade de munição armazenada.
Para observadores dos Estados Unidos, o avanço britânico acompanha esforços semelhantes da Marinha americana para enfrentar ameaças baratas e numerosas sem consumir interceptores de alto valor.
A rápida adoção do DragonFire indica que o laser deixou de ser tratado apenas como conceito futurista. No planejamento britânico, ele passa a ocupar espaço prático dentro do combate naval moderno.

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