Mesmo com forte alta do preço do café, inflação IPCA fechou 2025 em 4,26%, dentro da meta, segundo dados do IBGE.
O preço do café ao consumidor brasileiro fechou 2025 com alta acumulada de 35,65%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (Inflação IPCA), divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira.
O aumento foi provocado por problemas de oferta no Brasil e no exterior, iniciados ainda em 2024, mas perdeu força ao longo do segundo semestre, com a entrada da safra brasileira, melhora da oferta global de café e condições climáticas mais favoráveis.
Mesmo com o encarecimento expressivo, o café terminou o ano pressionando menos a inflação do que nos meses anteriores.
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O Brasil, segundo maior consumidor mundial da bebida, atrás apenas dos Estados Unidos, sentiu os efeitos do ajuste no mercado internacional, inclusive diante de fatores externos, como medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos, que alteraram fluxos globais de exportação.
Inflação IPCA fecha 2025 dentro da meta, apesar da alta do café
Apesar da forte valorização do preço do café, a Inflação IPCA encerrou 2025 com alta de 4,26%, dentro do teto da meta oficial de 4,50%.
O café respondeu por 0,18 ponto percentual da taxa final, acima da contribuição registrada em 2024, quando havia impactado em 0,15 ponto.
Segundo o IBGE, o comportamento dos alimentos foi determinante para evitar uma inflação mais elevada.
Em 2025, o grupo de alimentação e bebidas subiu menos de 3%, a oitava menor variação desde o início do Plano Real.
Acúmulo de quase 90% em dois anos acende alerta no setor
Embora os preços tenham perdido força no segundo semestre, o cenário de médio prazo ainda preocupa.
No biênio 2024/2025, o café acumulou uma alta expressiva de 89,37%, após já ter avançado 39,60% em 2024.
“O café diminuiu a pressão sobre os preços ao consumidor, mas tem um longo caminho pela frente diante da forte alta entre 2024 e o começo de 2025”, afirmou Fernando Gonçalves, gerente do IBGE, em entrevista a jornalistas.
O dado mostra que, mesmo com o alívio recente, o produto segue em patamar elevado nas gôndolas, refletindo desequilíbrios acumulados na cadeia produtiva.
Safra brasileira reduz impacto e derruba preços no segundo semestre
O principal ponto de virada no comportamento do preço do café ocorreu a partir de julho de 2025.
No primeiro semestre, a variação chegou a superar 80% em 12 meses, mas começou a desacelerar com a entrada da safra brasileira e a normalização parcial da produção em outros países produtores.
Além disso, houve menor preocupação com a oferta global de café, especialmente após o aumento das exportações do Vietnã, um dos principais fornecedores mundiais da commodity.
“A oferta maior já começou a aparecer para o consumidor final”, explicou Gonçalves.
Câmbio e clima também influenciaram os preços
Além da maior produção, fatores macroeconômicos ajudaram a conter novas altas.
O câmbio mais favorável no Brasil reduziu custos de importação e contribuiu para equilibrar o mercado interno.
As condições climáticas também foram mais benignas em comparação aos anos anteriores, reduzindo riscos à produção.
Segundo o IBGE, essa combinação de fatores ajudou a aliviar a pressão inflacionária no segundo semestre, especialmente nos alimentos.
Sexta queda mensal reforça tendência de alívio ao consumidor
Em dezembro, o café registrou a sexta queda mensal consecutiva no IPCA, com recuo de 0,26%.
No acumulado de seis meses, a baixa chegou a 5,08%, sinalizando uma tendência de estabilização dos preços no curto prazo.
Por outro lado, especialistas alertam que o patamar ainda é elevado, resultado do choque de oferta vivido nos últimos dois anos.
Oferta ampla foi decisiva para conter a inflação em 2025
Para o IBGE, o principal fator que manteve a inflação sob controle foi a ampla oferta de produtos agrícolas no mercado interno.
A boa safra de grãos reduziu custos, ampliou a disponibilidade de alimentos e ajudou a equilibrar o orçamento das famílias.
“A safra de grãos ajudou muito a colocar a inflação na meta e pesar menos no bolso dos consumidores.
O dólar menor também influenciou, assim como a cotação das commodities.
Mas a oferta muito grande de produtos foi o que mais ajudou”, concluiu Gonçalves.

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