Médico de 84 anos permanece isolado em Bochorma, a 2.345 metros na Geórgia, enfrentando invernos extremos para assegurar atendimento médico único em região montanhosa despovoada da Europa oriental remota histórica
O médico Irakli Khvedaguridze, de 84 anos, vive sozinho na vila abandonada de Bochorma, a 2.345 metros na Geórgia, permanecendo no local para garantir atendimento médico em uma região montanhosa isolada.
Vida solitária no assentamento mais alto da Europa
Irakli é o único morador restante de Bochorma, considerada o assentamento mais alto da Europa, localizada em uma área montanhosa remota da Geórgia.
Ao longo do ano, ele permanece sozinho na região de Tusheti, inclusive durante invernos rigorosos, quando a temperatura cai abaixo de zero.
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Dentro de sua casa de campo, há apenas um fogão a lenha, mantido aceso continuamente para enfrentar o clima severo da montanha.
Nascido na própria aldeia, Irakli só deixou Bochorma duas vezes, quando foi estudar e quando aceitou trabalhar em outra parte do país.
Depois de anos fora, decidiu retornar definitivamente, passando a viver em tempo integral no vilarejo isolado com apenas seu cavalo como companhia.
Dever médico acima das condições extremas
Irakli afirma que viver sozinho nessas condições é desafiador, mas um forte senso de dever e ética pessoal sustenta sua decisão diária.
Ele é o único médico certificado e licenciado em toda a região de Tusheti, que abrange aproximadamente 380 milhas quadradas.
Segundo o veterano, sua permanência garante socorro a moradores remanescentes e visitantes em casos de emergências médicas inesperadas.
Recentemente documentado por cineastas do Yes Theory, ele explicou que sempre considera o bem-estar coletivo antes do próprio conforto.
Mesmo quando está doente, afirma que monta no cavalo e atende chamados, mantendo sua rotina de auxílio à população local.
Retorno à vila após saída do médico anterior
Irakli trabalhava em outro hospital quando o médico responsável por Bochorna deixou a região, no ano de 1979.
Diante da ausência total de assistência médica, ele decidiu voltar para a vila e assumir a responsabilidade de salvar vidas.
A decisão marcou o início de uma rotina solitária, mantida por décadas em um dos pontos habitados mais isolados da Europa.
Ele relata que a dificuldade maior surge quando enfrenta situações graves sem recursos suficientes para agir rapidamente.
Ainda assim, afirma que permanecer ali é sua obrigação profissional e moral, apesar do isolamento extremo e das limitações.
Emergências médicas e limites da atuação
Ao falar sobre os momentos mais difíceis, Irakli relembra casos em que queria ajudar, mas não tinha meios imediatos disponíveis.
Em um episódio marcante, um menino de 14 anos teve a palma da mão gravemente cortada, com sangramento intenso.
Segundo ele, a situação exigiu contenção manual do ferimento até a chegada de uma piloto chamada Shamila.
A criança foi levada imediatamente, em uma ação considerada crucial para evitar um desfecho trágico naquela emergência.
Irakli descreve esses episódios como emocionalmente desgastantes, especialmente quando envolve crianças em risco iminente.
Despovoamento histórico da região de Tusheti
Durante milhares de anos, Tusheti foi habitada por agricultores que criavam gado, incluindo ovelhas, como base de subsistência.
Com o declínio gradual dessa tradição, a maioria dos moradores deixou a região em busca de outras oportunidades de trabalho.
Das 50 aldeias que compõem Tusheti, apenas 10 permanecem pouco povoadas atualmente, segundo o próprio médico.
Mesmo nessas comunidades, geralmente há apenas um ou dois moradores fixos, vivendo de forma semelhante a Irakl.
Quando o inverno chega no final de setembro, muitos partem, mas Irakli permanece para atender turistas e moradores.
Não está claro se haverá outro médico para assumir seu posto, mas ele afirma que seguirá servindo enquanto puder.
Com informações de The Sun.

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