Agricultor mineiro relembra infância na lavoura, detalha o processo artesanal do fumo e mostra como a tradição familiar segue viva na Zona da Mata de Minas Gerais.
A rotina de trabalho que acompanha seu Luiz, produtor rural de 59 anos, começou ainda na infância.
Segundo ele relatou em vídeo publicado por Paulo Medeiros, no canal Paulo Medeiros no YouTube, o contato com a roça surgiu cedo, antes mesmo dos dez anos, quando já ajudava em plantações de fumo para complementar a renda familiar.
A tradição permaneceu ao longo de décadas e hoje se mantém viva com o apoio dos filhos, que participam do cultivo em Rio Pomba, na Zona da Mata de Minas Gerais.
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Trabalho infantil na roça e início da vida rural
Conforme contou no vídeo, seu Luiz começou a trabalhar por volta dos oito anos.
“Eu devia ter uns oito, talvez até menos”, lembrou, ao explicar que a lida na roça fazia parte do cotidiano de muitas famílias da região.

Ele destacou que, ao contrário de outras crianças, nunca teve interesse pela escola e preferia dedicar o tempo ao trabalho no campo.
“Eu gostava era de trabalhar”, disse, lembrando que o serviço com o fumo sempre foi uma das principais atividades regionais.
Ainda de acordo com o agricultor, havia mais produtores no passado do que atualmente.
Hoje, calcula que apenas quatro famílias da comunidade local mantêm o cultivo do fumo de forma tradicional.
Cultivo de fumo: rotina, cuidados e técnicas manuais
No vídeo, seu Luiz detalha o processo que exige dedicação diária.
Como destacou, o plantio ocorre entre fevereiro e abril, e a primeira colheita costuma vir cerca de 90 dias depois.
O trabalho é manual do início ao fim, desde a retirada das folhas no campo até a secagem sob sombra e o enrolamento das cordas conhecidas como “paus de fumo”.
Ele explicou que, ao contrário do que alguns imaginam, o fumo não recebe corante.
A coloração escura surge naturalmente, resultado da combinação entre o mel da própria planta e pequenas quantidades de água aplicadas durante o “fiar”, etapa em que as folhas são enroladas.

“Não tem produto nenhum. Só fumo e água”, reforçou.
Seu Luiz ainda comentou que o fumo precisa ser manuseado todos os dias.
“Tem que dar a vira todo dia”, afirmou, referindo-se ao processo de virar as cordas para garantir secagem uniforme.
Caso fique sem esse cuidado diário, explicou que o material pode mofar, azedar ou estragar.
A força da família na manutenção da tradição
Os filhos Douglas e Thiago aparecem no vídeo trabalhando ao lado do pai.
Segundo contou, um deles mora na propriedade e o outro visita diariamente para ajudar, mesmo mantendo suas próprias atividades.
“Eu tento ensinar, mas já estão me ensinando também”, disse em tom de brincadeira, demonstrando orgulho ao ver que os jovens aprendem e adaptam métodos com o passar do tempo.

Para ele, manter a família unida em torno da agricultura é motivo de satisfação.
“A gente fica contente de ver que os filhos seguiram um caminho certo”, comentou, lembrando que o trabalho no campo, apesar de duro, também ensina disciplina e responsabilidade.
Riscos, acidentes e desafios enfrentados no campo
O produtor observou que, embora o cultivo seja rotineiro, não deixa de ser perigoso.
Durante o vídeo de Paulo Medeiros, ele contou um episódio em que uma máquina quase prendeu seu braço.
“Todo serviço tem um perigo. A gente tem que tentar fugir dele”, relatou.
O fumo também pode sofrer perdas por fatores climáticos, como chuva de pedra, além de pragas como lagartas e fungos.

“Nem tudo é alegria, tem que ficar de olho”, explicou.
Ainda assim, disse ter tido sorte nos últimos anos, sem prejuízos significativos.
Quem compra o fumo e como funciona a comercialização
Conforme relatado por seu Luiz, a comercialização é feita principalmente para compradores de cidades vizinhas, como Ubá, Tocantins e Piraúba.
Muitos já conhecem o produto e retornam anualmente.
O agricultor informou que vende tanto o fumo enrolado no “pau” quanto já limpo e preparado, dependendo da preferência de cada cliente.
Ele explicou também que o fumo da região é considerado forte, e por isso muitos consumidores preferem misturar com variedades mais leves.

“Se fumar puro, muita gente não aguenta”, disse, ressaltando que o próprio produtor não fuma e nunca teve interesse pelo hábito.
Horta, criação de animais e produção para subsistência
Apesar de o fumo ser a principal fonte de renda na época da colheita, seu Luiz mantém outros cultivos para consumo próprio.
Ele planta alface, couve, beterraba, repolho, jiló e couve-flor.
Plantou até orapro-nobis, planta que, segundo comentou no vídeo, foi recomendada por médicos por seus benefícios à saúde.
“É uma beleza para saúde”, afirmou.
Também cria galinhas e porcos, atividade que complementa a alimentação da família e ocasionalmente gera alguma venda.
A organização da propriedade aparece com destaque no vídeo, mostrando galinheiros, hortas e áreas de criação em pleno funcionamento.
A identidade com o campo e o orgulho de viver da terra
Ao final da gravação, seu Luiz disse a Paulo Medeiros que nunca pensou em deixar a roça.
“Gosto de tudo aqui”, afirmou.
Para ele, o sentido de sua trajetória está em trabalhar, preservar a tradição e ver os filhos seguindo caminhos honestos.
O agricultor reforçou ainda o orgulho de viver da terra, afirmando que, embora não consuma o que produz, é o fumo que sustenta sua casa e garante o sustento da família.
“Nós vive da terra mesmo. De verdade”, concluiu.
A partir da história de seu Luiz, contada no vídeo produzido por Paulo Medeiros, surge uma reflexão sobre quantas outras trajetórias como a dele permanecem invisíveis, mesmo sustentando silenciosamente grande parte do que chega às mesas brasileiras.


Moro em Rio Pardo -RS
Adorei em ver a produção do fumo em corda
Quando eu era criança eu ajudava minha família no plantio e na colheita e até fazer as cordas de fumo . Depois fui estudar na cidade hoje sou professora aposentado com
,73 anos!
Horrível esse site pq vc num consegue ler de tantos anúncios
Vdd, isso deveria ser proibido 😡