Gigante soviético redefiniu limites da aviação pesada ao unir dimensões extremas, capacidade de carga incomparável e atuação em missões militares, civis e humanitárias em diferentes partes do mundo, mantendo relevância operacional mesmo após mais de quatro décadas de uso contínuo.
O Mil Mi-26, conhecido no código da OTAN como Halo, segue como o maior helicóptero colocado em produção em série no mundo e mantém um lugar raro na aviação pesada por reunir dimensões extremas, capacidade de carga de até 20 toneladas e uso comprovado em operações militares, civis e humanitárias.
O projeto nasceu na União Soviética, voou pela primeira vez em 14 de dezembro de 1977 e entrou em serviço nos anos seguintes, consolidando-se ao longo da década de 1980 como referência em transporte aéreo de grande porte.
Embora o título o apresente como o maior helicóptero do mundo, a formulação exige um ajuste técnico importante: o Mi-26 é o maior helicóptero de produção em série ainda em serviço, não a maior aeronave de asas rotativas já construída.
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Esse posto histórico pertence ao experimental soviético Mil V-12, que ficou restrito a protótipos e nunca entrou em produção regular.
Dimensões e estrutura do Mi-26 impressionam na aviação pesada
A imponência do Mi-26 começa pelas proporções.
A aeronave mede cerca de 40 metros de comprimento, tem 8,145 metros de altura e opera com um rotor principal de 32 metros de diâmetro, composto por oito pás.

Em termos visuais, a altura realmente se aproxima da de um prédio de três andares, enquanto o conjunto do rotor ajuda a explicar por que o modelo se destaca mesmo entre os maiores helicópteros militares em operação.
O peso também ajuda a dimensionar o porte do aparelho.
O Mi-26 alcança 56 mil quilos de peso máximo de decolagem, marca que o colocou em uma categoria própria dentro da aviação de asa rotativa.
Em 3 de fevereiro de 1982, a aeronave ainda registrou um feito reconhecido ao elevar 56.768,8 quilos a 2 mil metros de altitude, um recorde de carga para helicópteros que reforçou sua reputação de máquina fora do padrão.
Capacidade de carga e versatilidade em missões militares e civis
A estrutura foi concebida para missões em que helicópteros convencionais simplesmente não entregam resultado.
A cabine ampla e a rampa traseira permitem transportar blindados leves, equipamentos industriais, cargas volumosas e contingentes de tropa.
A configuração padrão admite até 90 soldados ou 60 macas, além de carga interna ou externa de até 20 toneladas, combinação que tornou o modelo útil tanto em cenários de guerra quanto em operações de resgate e logística pesada.
No centro desse desempenho estão dois motores turboeixo Lotarev D-136, com cerca de 11.400 hp cada um.
Somados, eles entregam potência suficiente para sustentar o helicóptero em voos de transporte pesado e, em determinadas condições de carga, permitem que a aeronave continue em voo mesmo após a perda de um motor.
A capacidade de combustível é outro dado objetivo que ajuda a entender a escala da operação.
O Mi-26 tem 12 mil litros de combustível nos tanques principais, alcance em torno de 800 quilômetros na configuração padrão e velocidade máxima próxima de 295 km/h.
Resgates extremos e operações históricas com o helicóptero Halo
O histórico de missões ajuda a explicar por que o Mi-26 ultrapassou a condição de curiosidade de engenharia.
Em abril de 2002, durante a guerra do Afeganistão, um exemplar contratado pelos Estados Unidos foi usado para retirar de uma área montanhosa um helicóptero MH-47E Chinook danificado na região de Takur Ghar.
O episódio se tornou um dos exemplos mais conhecidos da capacidade do Halo de recuperar aeronaves inteiras em terreno hostil.
Esse não foi um caso isolado de emprego fora do padrão.
Em outubro de 1999, um Mi-26 transportou na Sibéria um grande bloco congelado de permafrost que continha o chamado mamute de Jarkov, operação frequentemente citada pela dificuldade logística envolvida.
A aeronave também teve papel relevante na resposta aérea ao desastre de Chernobyl, após a explosão do reator 4 em 26 de abril de 1986.
Relatos indicam que o modelo foi empregado para lançar materiais sobre a área exposta e apoiar a contenção inicial do acidente nuclear.
Modernização mantém relevância após décadas de operação
Ao mesmo tempo, o histórico operacional do helicóptero inclui episódios trágicos.
Em 19 de agosto de 2002, um Mi-26 da Força Aérea Russa foi atingido na Chechênia e caiu em Khankala, no que se tornou o acidente mais letal da história da aviação de helicópteros, com 127 mortos.
O caso ampliou a atenção sobre segurança operacional e vulnerabilidade em zonas de conflito.
Foi nesse contexto que as versões mais recentes ganharam importância.
A modernização Mi-26T2V incorporou suíte de aviônicos atualizada, recursos de navegação automática, integração com visão noturna, comunicações por satélite e sistemas defensivos.
Mesmo após mais de quatro décadas, o Mi-26 continua associado a um nicho em que poucos concorrentes conseguem operar.
Seu valor está na capacidade de mover cargas que normalmente exigiriam combinação de aeronaves, comboios terrestres e infraestrutura prévia.
Em regiões remotas, áreas de desastre ou terrenos de montanha, essa vantagem segue sendo o principal motivo de o Halo permanecer como um dos símbolos mais duradouros da aviação pesada.

