Projeto da DARPA testa uma nova geração de embarcações autônomas, sem áreas internas para marinheiros, em uma proposta que muda a lógica tradicional de construção naval militar e amplia o debate sobre operações no mar.
O USX-1 Defiant, navio militar autônomo desenvolvido nos Estados Unidos para navegar sem tripulação, entrou em fase de demonstração prolongada em alto-mar após concluir testes iniciais no estado de Washington.
A embarcação tem cerca de 55 metros de comprimento, pesa 240 toneladas métricas e foi projetada para operar sem receber pessoas a bordo, o que elimina estruturas comuns em navios tradicionais, como ponte de comando, alojamentos e áreas internas destinadas à tripulação.
Desenvolvido pela DARPA, agência de pesquisa avançada do Departamento de Defesa dos EUA, o navio integra o programa No Manning Required Ship, conhecido pela sigla NOMARS.
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A proposta é testar uma arquitetura naval em que a ausência de tripulantes não seja uma adaptação posterior, mas uma premissa do projeto desde a construção do casco até os sistemas de controle e manutenção.
Navio autônomo foi projetado sem espaço para tripulação
O Defiant foi batizado em 11 de agosto de 2025, no estaleiro Everett Ship Repair, em Everett, no estado de Washington.
A cerimônia seguiu a tradição naval de quebrar uma garrafa no casco e apresentou uma embarcação que, segundo a DARPA, foi concebida desde a origem para nunca acomodar um ser humano a bordo.
Na configuração divulgada pela agência, não há cabine para comandante, quartos, áreas de convivência ou passagens internas voltadas à circulação de marinheiros.
Como o projeto não prevê tripulação, sistemas de navegação, propulsão, controle e monitoramento precisam funcionar sem uma equipe embarcada para executar ajustes de rotina ou intervir diretamente durante a missão.
Essa característica diferencia o Defiant de navios chamados “opcionalmente tripulados”, que podem operar com ou sem pessoas.
No caso do USX-1, a ausência de humanos é permanente, segundo a DARPA, e afeta o desenho do casco, a distribuição interna, o peso e os sistemas necessários para manter a navegação em longos períodos no mar.

Ausência de tripulantes muda o desenho do casco
Em um navio tradicional, parte relevante do projeto precisa atender às exigências de permanência humana.
Isso inclui ponte de comando, cozinha, banheiros, alojamentos, ventilação, rotas de acesso, escadas, corredores, sistemas de segurança e espaços de trabalho para a tripulação.
No USX-1 Defiant, essas estruturas não fazem parte da concepção informada pela DARPA.
Ao retirar elementos associados à presença humana, o programa busca avaliar ganhos de engenharia em áreas como tamanho, custo, confiabilidade, eficiência hidrodinâmica, resistência em mar aberto e proteção contra ações de interferência.
Esses objetivos são apresentados pela agência como parte das metas do NOMARS.
A mudança também influencia o processo de fabricação.
De acordo com a DARPA, o Defiant tem um casco simplificado para facilitar produção e manutenção em instalações portuárias comuns e em estaleiros de nível III, normalmente usados para iates, rebocadores e embarcações de serviço.
Com isso, o projeto testa uma rota de construção menos dependente de grandes estaleiros militares.
Primeira travessia em mar aberto
Após o batismo, o Defiant passou por testes finais antes da saída para o mar.
Em 4 de setembro de 2025, a DARPA informou que a embarcação iniciou uma demonstração prolongada de resistência e confiabilidade depois de realizar verificações de pré-partida nas proximidades de Port Angeles, também no estado de Washington.
Em 8 de setembro, o navio chegou a Port Hueneme, na Califórnia, depois de completar sua primeira travessia em mar aberto.
Segundo a agência, o percurso teve mais de 1.100 milhas náuticas e foi feito em cinco dias, desde Port Angeles.
A chegada à base californiana permitiu novos testes em uma área usada pela Marinha dos EUA em atividades com sistemas não tripulados.
Militares do esquadrão USVRON One acompanharam a avaliação para observar o desempenho do navio autônomo em manobras e procedimentos ligados à operação naval.
Abastecimento no mar sem pessoas a bordo
Durante a etapa em Port Hueneme, a equipe do NOMARS demonstrou um procedimento de abastecimento no mar sem tripulantes no Defiant.
Para o teste, foi usada água no lugar de combustível, mas a DARPA informou que a demonstração buscou reproduzir o conceito operacional de reabastecimento com o máximo de semelhança possível.
A operação incluiu passagem de linha, conexão da sonda de abastecimento e bombeamento, sem qualquer pessoa embarcada no USX-1.
A agência também informou que o navio realizou manobras em alta velocidade, aproximou-se de 20 nós em linha reta e completou entradas, saídas, atracações e desatracações com uso de seu sistema de autonomia.
Esse tipo de ensaio é necessário para avaliar missões de longa duração, já que uma embarcação sem tripulação não pode depender de marinheiros para receber mangueiras, ajustar cabos ou executar tarefas físicas comuns em operações navais.
Nesse contexto, a autonomia precisa abranger não apenas a navegação em rota, mas também procedimentos portuários, resposta a falhas e interação com outros meios no mar.
Resistência para operar no oceano aberto
Durante a cerimônia de batismo, Greg Avicola, gerente do programa NOMARS, afirmou que o Defiant desafia a ideia de que não seria possível construir um navio capaz de operar em mar aberto sem pessoas.
Segundo ele, a embarcação foi desenhada para viagens prolongadas, pode operar em estado de mar 5 sem perda de desempenho e sobreviver a condições mais severas, retomando operações após a passagem de tempestades.
Avicola também disse que o navio não é “mais largo do que precisa ser” para acomodar seus equipamentos e que não há “passagens humanas” com que os projetistas precisem se preocupar.
A declaração resume a lógica técnica apresentada pela DARPA: retirar do projeto tudo o que existe apenas para permitir a presença de tripulantes.
A ausência de pessoas a bordo, porém, transfere parte dos desafios para a confiabilidade dos sistemas.
Sem marinheiros para substituir peças, corrigir problemas mecânicos ou executar reparos emergenciais, o navio precisa manter equipamentos em funcionamento por longos períodos em ambiente marítimo, onde corrosão, vibração, ondas e clima afetam a operação de embarcações.
Demonstrador tecnológico da Marinha dos EUA
O USX-1 Defiant é classificado pela DARPA como um demonstrador tecnológico.
Sua função principal é reunir dados sobre engenharia, autonomia, resistência e manutenção em uma embarcação projetada sem espaços humanos, e não substituir de imediato navios tripulados em operação na frota norte-americana.
Após a demonstração em alto-mar, a previsão anunciada pela agência é transferir a embarcação ao escritório de Sistemas Marítimos Não Tripulados da Marinha dos EUA, conhecido como PMS 406.
A DARPA afirma trabalhar com a Marinha para definir formas de transição das tecnologias testadas no NOMARS para usos futuros.
O orçamento também indica interesse oficial em embarcações autônomas de médio porte.
Segundo a DARPA, o Congresso dos EUA destinou US$ 2,1 bilhões para desenvolvimento, aquisição e integração de navios de superfície não tripulados de médio porte construídos especificamente para essa função.
Ao ser transferido ao PMS 406, o Defiant deve se tornar, segundo a agência, o primeiro navio de superfície não tripulado de médio porte da Marinha concebido para operar de forma exclusivamente autônoma, em vez de um modelo híbrido com operação tripulada e não tripulada.
USX-1 Defiant e o avanço dos navios autônomos
O USX-1 Defiant permite observar como muda o desenho de uma embarcação quando a presença humana deixa de ser considerada uma exigência de projeto.
Em vez de adaptar um navio convencional para operar com automação, o NOMARS parte de uma configuração em que sistemas autônomos, casco simplificado e ausência de espaços internos para tripulação são tratados como elementos centrais.
Por enquanto, não há confirmação pública de que o Defiant será produzido em série ou dará origem a uma classe operacional em larga escala.
As informações disponíveis indicam que o navio permanece como demonstrador, com dados sendo coletados pela DARPA e pela Marinha dos EUA durante as avaliações em alto-mar.
Mesmo nessa fase, o projeto amplia o escopo dos testes com sistemas marítimos autônomos.
O Defiant não se enquadra em pequenos drones aquáticos, mas em uma embarcação de centenas de toneladas, capaz de realizar travessia oceânica, manobras portuárias e simulações de abastecimento sem tripulantes a bordo.
A partir dos resultados coletados nos testes, a Marinha dos EUA poderá avaliar quais tecnologias do NOMARS têm condições de ser integradas a futuras plataformas navais.
Até lá, o Defiant segue como um caso de estudo sobre embarcações militares sem ponte, sem alojamento e sem áreas internas destinadas a marinheiros.


Para continuar oprimindo e invadindo outro país.
Concordo plenamente.
Que façam mais!
Yeahhh Go Yankees kill ALL comunist include thia commenter