Gigante dos mares reforça estratégia energética chinesa ao unir escala, tecnologia avançada e eficiência operacional em rotas globais de petróleo, destacando capacidade industrial naval do país e seu papel central no transporte de grandes volumes de combustíveis fósseis.
A China colocou em operação o Empire Hope, um navio petroleiro de grande porte da categoria VLCC, com capacidade para transportar mais de 2 milhões de barris de petróleo por viagem.
A embarcação foi entregue em Dalian, na província de Liaoning, em 25 de março, três meses antes do prazo previsto, segundo veículos estatais chineses.
Projetado e construído no país, o navio é apresentado por autoridades e pela imprensa local como um novo passo da indústria naval chinesa no segmento dos superpetroleiros.
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Dimensões do superpetroleiro Empire Hope
Com 333 metros de comprimento e 60 metros de largura, o Empire Hope tem dimensões que o colocam entre os maiores navios do mundo voltados ao transporte de petróleo bruto.
O convés supera 18 mil metros quadrados, enquanto a altura entre a quilha e a ponte de comando se aproxima da de um edifício de 20 andares.

A área total de revestimento ultrapassa 540 mil metros quadrados, medida frequentemente comparada, na cobertura chinesa, a 76 campos de futebol.
Tecnologia e economia de combustível
Mais do que o porte, o destaque do novo VLCC está no conjunto técnico embarcado.
O navio recebeu um motor principal de seis cilindros, hélice de alta eficiência e soluções de redução de consumo, como dispositivos de economia de energia instalados antes da hélice e recursos para diminuir a formação de vórtices.
Segundo a imprensa estatal chinesa, o pacote tecnológico foi desenvolvido para elevar a eficiência operacional e reduzir custos em rotas de longa distância.
Outro ponto central é o sistema de dessulfurização de gases de escape, usado para atender exigências ambientais internacionais e melhorar o desempenho energético da embarcação.
A estimativa divulgada pelos veículos chineses é de economia de cerca de US$ 5 milhões por ano em custos de combustível.
Comparação com os maiores VLCCs do mundo
Embora o Empire Hope entre no grupo dos maiores VLCCs em operação, ele não ocupa o topo da lista mundial em capacidade de porte bruto.
O navio chinês foi apresentado com 307 mil toneladas de porte bruto (DWT), indicador que mede o peso total que a embarcação pode transportar, sem incluir seu próprio peso estrutural.
Nesse recorte, ele permanece abaixo do japonês Eagle Trader, construído em 2018, cuja capacidade chega a 312.424 DWT.
China mantém investimentos no petróleo
A entrada em operação do Empire Hope ocorre em um momento em que a China tenta equilibrar duas agendas que avançam ao mesmo tempo.
De um lado, o país reforça sua política de transição energética.
O 15º Plano Quinquenal mantém as energias renováveis no centro da expansão do sistema elétrico e prevê avanço da capacidade nuclear e eólica offshore.
De outro, Pequim mantém investimentos robustos em infraestrutura ligada ao petróleo, tanto na indústria de refino quanto no transporte marítimo.
Essa estratégia está ligada à posição do país no mercado internacional de energia.
A China segue como maior importadora de petróleo bruto do mundo, com volumes superiores a 11 milhões de barris por dia.
Esse cenário ajuda a explicar por que a ampliação da capacidade naval continua relevante.
O país acelera a instalação de fontes limpas, mas ainda depende de grandes volumes de petróleo importado para sustentar a atividade industrial, a petroquímica e parte do transporte.
Dalian e a força da indústria naval chinesa
A entrega do Empire Hope também recoloca Dalian no noticiário internacional da construção naval pesada.
A cidade concentra tradição industrial e abriga complexos capazes de produzir embarcações de grande porte.
No caso do novo VLCC, a imprensa estatal destacou o fato de o navio ter sido desenvolvido localmente e entregue antes do cronograma.
Ao reunir escala, eficiência energética e adaptação a rotas estratégicas de comércio de petróleo, o Empire Hope passa a operar como vitrine da ambição chinesa no setor naval e energético.


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