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Com 179,8 metros de comprimento e capacidade de perfurar 11 km abaixo do fundo do mar, o navio chinês Meng Xiang inicia em 2026 sua primeira expedição para atingir o manto terrestre

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Escrito por Noel Budeguer Publicado em 17/04/2026 às 21:52 Atualizado em 17/04/2026 às 21:54
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Com autonomia de 120 dias, 9 laboratórios e capacidade para operar em mar profundo, o Meng Xiang leva a China ao centro de uma missão científica que também acirra a disputa global por energia, minerais e influência no oceano.

O navio chinês Meng Xiang entrou em 2026 no centro da corrida científica pelo interior da Terra. Comissionado em novembro de 2024, ele tem 179,8 metros de comprimento, capacidade de perfurar até 11 km abaixo do fundo do mar e ganhou em janeiro de 2026 uma base operacional no norte da China para sustentar a nova fase do projeto.

A meta da embarcação é tentar alcançar a faixa que separa a crosta do manto, algo que a humanidade ainda não conseguiu por perfuração direta. O ponto central para 2026 é o início das primeiras expedições científicas previstas, e não a confirmação de que o manto já foi atingido.

O impacto vai além da geologia. O Meng Xiang foi desenhado para unir pesquisa científica, exploração de petróleo e gás e estudos sobre hidratos de gás, transformando o navio em uma plataforma que mistura descoberta, indústria e projeção estratégica no mar.

179,8 metros, 9 laboratórios e 120 dias longe da costa

Uma foto aérea feita por drone mostra o Meng Xiang, o primeiro navio chinês de perfuração oceânica profunda projetado e construído integralmente no país, em Guangzhou, na província de Guangdong, no sul da China, em 17 de novembro de 2024. (Xinhua/Liu Dawei)

O Meng Xiang é hoje o maior navio científico do tipo construído pela China. A embarcação tem 42.600 toneladas de deslocamento, autonomia de 120 dias, alcance de 15 mil milhas náuticas e espaço para 180 pessoas entre tripulação e pesquisadores.

A estrutura foi montada para operar como uma verdadeira fábrica de pesquisa em alto mar. O navio reúne 9 laboratórios, sistema hidráulico com capacidade de 907 toneladas, 4 modos de perfuração e 3 métodos de coleta de testemunhos geológicos, o que amplia o leque de missões científicas e industriais no fundo oceânico.

Qingdao abriu em janeiro de 2026 a fase operacional mais atual

A virada mais concreta deste ano ocorreu em Qingdao, na baía de Aoshan. Em 8 de janeiro de 2026, o porto base do norte do Meng Xiang entrou oficialmente em operação, passo que reforça a estrutura logística para a sequência das campanhas em mar profundo.

Esse avanço se soma ao marco de 17 de novembro de 2024, quando o navio foi oficialmente incorporado em Guangzhou após testes de mar que, segundo os responsáveis pelo projeto, superaram as metas de desempenho previstas no desenho da embarcação.

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2026 abre as primeiras expedições, mas o manto ainda exige anos

Segundo Nature, revista científica internacional dedicada à pesquisa em geociências, as primeiras expedições científicas do Meng Xiang eram esperadas para 2026, enquanto o plano de perfuração em escala total rumo ao manto foi desenhado para acontecer antes de 2030, com cenários no Pacífico ou no Índico.

Isso muda a leitura do tema. O que está em jogo agora não é um mergulho instantâneo até o manto, mas a abertura de uma campanha longa, com múltiplas entradas, novas expedições e possivelmente anos de trabalho até a travessia da crosta oceânica.

O que pode sair dessas perfurações além de rocha

As amostras profundas prometem entregar evidências diretas sobre a formação da crosta oceânica, o funcionamento da tectônica de placas, os antigos climas marinhos e até o limite inferior da vida no interior do planeta. É esse pacote de dados que transforma o projeto em uma das grandes fronteiras da ciência atual.

Ao mesmo tempo, o navio foi concebido para atuar também na exploração de petróleo e gás e na investigação de hidratos de gás natural, o que amplia o valor econômico e estratégico da estrutura para além do ganho acadêmico.

Mar do Sul da China e Amazônia Azul colocam o Brasil na mesma corrida

O avanço chinês ganha peso geopolítico porque o Mar do Sul da China combina disputa territorial com interesse por recursos energéticos do fundo do mar. A própria análise oficial de energia dos Estados Unidos descreve a região como área de soberania contestada, com cadeias insulares disputadas e recursos relevantes em jogo.

Para o Brasil, o recado é direto. A Amazônia Azul já concentra cerca de 91% do petróleo e 73% do gás natural produzidos no país, enquanto a ONU reconheceu em março de 2025 a ampliação de 360 mil km² do território marítimo brasileiro na Margem Equatorial, reforçando o direito nacional de explorar riquezas no leito e no subsolo do mar.

O Meng Xiang transforma 2026 em um marco de operação real para a maior aposta chinesa em perfuração oceânica profunda. O navio ainda não chegou ao manto, mas já entrou na fase que pode reposicionar a ciência marinha e o acesso ao subsolo oceânico nas próximas décadas.

Na prática estratégica, o movimento pressiona países que dependem do mar para energia, soberania e recursos minerais. Para o Brasil, que ampliou sua fronteira marítima e já extrai no oceano parte decisiva de sua riqueza energética, a nova etapa chinesa muda a leitura do Atlântico Sul e da disputa global pelo fundo do mar.

Feito com informações da Nature, revista científica internacional especializada em geociências.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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