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Com 1,75 milhão de toneladas por ano, o Vietnã se torna um dos maiores criadores de peixe do mundo e domina o mercado global de pangasius (peixe-gato) com produção industrial em escala gigantesca

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 28/11/2025 às 06:20 Atualizado em 27/11/2025 às 23:08
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Vietnã produz 1,75 milhão de toneladas de pangasius por ano e se torna potência global da aquicultura. Veja como o país dominou o mercado com produção industrial.

Em 2024, relatórios da FAO confirmaram uma transformação que vinha sendo construída silenciosamente ao longo das últimas duas décadas: o Vietnã ultrapassou 1,75 milhão de toneladas anuais de pangasius produzidas, consolidando-se como um dos maiores polos de criação de peixes cultivados do planeta. Embora não seja tão citado quanto Noruega, Chile ou China, o país asiático criou um sistema intensivo de aquicultura que hoje abastece dezenas de mercados internacionais e sustenta uma das cadeias produtivas mais agressivas e organizadas da indústria pesqueira moderna.

O pangasius — conhecido no Brasil como panga ou peixe-gato, ocupa um papel central nesse crescimento. De carne branca, sabor leve e alto rendimento por carcaça, tornou-se um produto de exportação estratégico. A produção massiva é viabilizada por viveiros escavados, sistemas de recirculação de água, tanques intensivos e um modelo padronizado de abate e filetagem que transformou o cultivo em uma operação quase industrial.

Enquanto muitos países ainda dependem majoritariamente da pesca extrativa, o Vietnã apostou na aquicultura como motor econômico. A estratégia deu certo. Em 2023 e 2024, o governo vietnamita declarou que o setor já responde por bilhões de dólares em exportações, com parte significativa desses valores vindo do pangasius.

Como o Vietnã conseguiu transformar um peixe comum em um produto global

O salto produtivo não aconteceu por acaso. A indústria vietnamita se apoiou em três pilares: intensificação, padronização e exportação. Ao contrário das operações dispersas e informais vistas em vários países tropicais, o Vietnã estruturou centros de cultivo que funcionam de maneira integrada.

As empresas controlam desde a seleção genética dos reprodutores até a fábrica de rações, passando pela larvicultura, engorda, processamento e envio para mercados internacionais.

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Essa verticalização permitiu alcançar eficiência inédita. O ciclo produtivo do pangasius é um dos mais curtos entre os peixes cultivados — cerca de sete a nove meses — e o rendimento após a filetagem supera 40%.

Com manejo correto, os viveiros atingem densidades elevadas sem comprometer a qualidade, algo que só foi possível graças ao desenvolvimento de sistemas de monitoramento de água, sensores de oxigênio dissolvido e protocolos sanitários estritos.

A expansão ocorreu em um território naturalmente favorável à aquicultura, com temperatura estável durante todo o ano e grande disponibilidade hídrica. Esse conjunto de fatores tornou possível uma produção contínua, sem interrupções sazonais, garantindo um fluxo permanente de peixes jovens, adultos e abatedouros operando em regime quase ininterrupto.

Uma cadeia que sustenta milhões e projeta o país no comércio global

A consolidação do Vietnã como potência da aquicultura também está associada à importância econômica do pangasius.

A espécie está presente em cardápios de mais de 80 países, segundo dados da VASEP (Associação Vietnamita de Exportadores de Frutos do Mar). Mercados como União Europeia, China, Oriente Médio, Brasil e Estados Unidos recebem regularmente toneladas de filés congelados, especialmente porque o peixe combina preço acessível, facilidade de preparo e logística simplificada.

O setor emprega formalmente centenas de milhares de trabalhadores, mas o impacto é ainda maior quando se consideram agricultores familiares, transportadores, processadores e pequenos prestadores de serviço que orbitam ao redor da cadeia produtiva.

Autoridades vietnamitas destacam que o crescimento da aquicultura ajudou a tirar comunidades inteiras da pobreza, especialmente em áreas rurais que historicamente dependiam de agricultura de subsistência.

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A exportação ganhou força a partir dos anos 2000, quando o país firmou parcerias com organismos internacionais para adequar os sistemas de inspeção sanitária.

Desde então, o pangasius se tornou um produto globalizado. A cadeia é auditada por diferentes selos de sustentabilidade e padrões de qualidade, e frigoríficos vietnamitas seguem normas equivalentes às de alguns dos mercados mais exigentes do mundo.

Desafios ambientais e o avanço para sistemas mais sustentáveis

Como qualquer produção intensiva em larga escala, a criação vietnamita de pangasius enfrentou questionamentos ambientais. Organizações internacionais cobraram maior controle sobre o manejo da água, o destino dos efluentes e a origem das rações utilizadas.

Nos últimos anos, o país acelerou investimentos em depuradores biológicos, viveiros de sedimentação, recirculação parcial da água e fórmulas de ração com menor dependência de farinha de peixe — um ponto sensível no debate global sobre sustentabilidade.

Relatórios recentes mostram que grandes grupos produtores já conseguem operar em conformidade com normas internacionais de sustentabilidade, especialmente para mercados como Europa e Estados Unidos, que exigem certificações rigorosas.

Essa pressão externa impulsionou inovações e tornou a cadeia mais eficiente, reduzindo custos e aumentando o rendimento por hectare.

Por que o pangasius do Vietnã domina o mercado mundial

O domínio vietnamita não se explica apenas pelo volume. Três fatores são constantemente citados por analistas:

  • Custo de produção extremamente competitivo — inferior ao de tilápia, salmão e camarões.
  • Cadeia industrializada e previsível, com oferta constante durante o ano inteiro.
  • Padronização do produto final, com filés uniformes, rendimento elevado e logística simplificada.

Isso transformou o pangasius em uma das proteínas mais acessíveis do comércio global de pescados. Em muitos países, inclusive no Brasil, o panga tornou-se alternativa popular em restaurantes, escolas, hospitais e programas de alimentação coletiva.

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A tendência aponta para expansão. Projeções do Ministério da Agricultura do Vietnã indicam que a produção pode ultrapassar 2 milhões de toneladas anuais nos próximos anos, especialmente com a adoção de novos sistemas automatizados de engorda e viveiros mais profundos que permitem densidades maiores sem comprometer o bem-estar dos peixes.

O futuro da aquicultura vietnamita e o impacto global

À medida que o pescado cultivado ganha espaço como alternativa sustentável à pesca extrativa, países que dominam esse tipo de produção ocupam posição estratégica no cenário alimentar global. O Vietnã, com sua estrutura consolidada, tecnologia acessível e mão de obra especializada, já é apontado por analistas como um dos centros mais importantes da aquicultura mundial para as próximas décadas.

Se mantiver o ritmo atual, poderá disputar espaço com gigantes como China, Índia e Indonésia, tornando-se um dos pilares da segurança alimentar asiática e global.

O pangasius, que um dia foi apenas um peixe comum do Sudeste Asiático, tornou-se protagonista de uma cadeia globalizada, moldada por engenharia hídrica, manejo intensivo e logística internacional de alta eficiência.

A ascensão do Vietnã mostra que a aquicultura moderna está deixando de ser um complemento da pesca tradicional e se consolidando como um dos motores mais importantes da economia alimentar do século XXI.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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