Projetado por Jaime Lerner em 1979, o prédio inusitado chamado de Casario mistura volumes em balanço, telhados aparentes e ventilação cruzada para criar uma das fachadas mais curiosas e funcionais da cidade
Em meio à paisagem urbana de Curitiba, um prédio inusitado chama atenção há mais de quatro décadas por um detalhe difícil de ignorar: ele parece feito de várias casas empilhadas. O edifício Casario, projetado pelo arquiteto e urbanista Jaime Lerner e entregue em 1979, foge completamente do padrão dos prédios tradicionais ao combinar volumes deslocados, telhados aparentes e elementos típicos de residências individuais em uma única construção vertical.
Especialistas em arquitetura urbana frequentemente destacam que obras como essa ajudam a “quebrar a rigidez visual das cidades modernas”, criando espaços mais acolhedores e identificáveis para quem vive e circula por eles. O resultado é uma fachada que mistura surpresa visual com soluções práticas de ventilação e iluminação.
Prédio inusitado em Curitiba que parece casas empilhadas intriga visitantes da região
O edifício Casario é um prédio inusitado em Curitiba que rompe com a lógica das fachadas retas e repetitivas. Em vez de linhas uniformes, ele apresenta volumes que avançam e recuam, criando um efeito visual dinâmico.
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Cada parte da fachada parece funcionar como uma “casa independente”. Isso acontece porque os blocos são projetados em balanço e apoiados por pilaretes em mão francesa, uma solução estrutural que sustenta os volumes salientes.
Quem observa o prédio de longe tem a sensação de estar vendo várias residências sobrepostas, como se fossem empilhadas de forma cuidadosa e intencional.
Casario foi feito com volumes, telhados e materiais que criam o efeito
A estética única do prédio inusitado em Curitiba nasce de uma combinação precisa de elementos arquitetônicos. O principal deles é o jogo de volumes com diferentes recuos, que quebra a linearidade da fachada.
Para reforçar a ideia de casas suspensas, Jaime Lerner incluiu telhados com beirais em cada volume. Esse detalhe é raro em edifícios verticais e ajuda a aproximar a construção de uma escala mais doméstica.
Além disso, o projeto utiliza portas de madeira que se abrem para fora, esquadrias bem definidas e floreiras sob as janelas. Esses elementos são comuns em casas, não em prédios altos, e por isso causam estranhamento positivo.
Como funciona a ventilação, luz e uso misto no prédio inusitado
Apesar da aparência inusitada, o prédio foi pensado para funcionar bem no dia a dia. O jogo de volumes não é apenas estético. Ele melhora a entrada de luz natural nos apartamentos.
A ventilação cruzada também é um destaque. Os corredores internos possuem janelas, permitindo circulação constante de ar. Isso ajuda a reduzir a sensação de ambientes fechados e melhora o conforto térmico.
O edifício tem uso misto. O térreo abriga espaços comerciais, enquanto os demais andares são residenciais. Ao todo, são 15 andares com quatro apartamentos por nível.
Essas unidades variam entre dúplex, que mantêm o telhado aparente e janelas de madeira, e quitinetes com grandes esquadrias de alumínio, mais modernas.
O que torna esse prédio diferente e valioso
O grande diferencial do Casario está na forma como ele quebra a monotonia urbana. Em vez de repetir padrões, ele cria identidade visual. Essa escolha também aproxima o prédio das pessoas. A sensação de “casas empilhadas” torna a construção mais acolhedora, mesmo sendo alta.
Além disso, o projeto mostra como a arquitetura pode unir estética e funcionalidade. A fachada não é apenas bonita. Ela contribui diretamente para iluminação e ventilação.
Os desafios e limitações de uma arquitetura fora do padrão
Criar um prédio inusitado em Curitiba com volumes em balanço exige soluções estruturais mais complexas do que um edifício convencional. O uso de pilaretes em mão francesa, por exemplo, demanda precisão no cálculo e execução. Qualquer erro poderia comprometer a estabilidade dos blocos projetados para fora.

Além disso, a manutenção pode ser mais trabalhosa. Elementos como floreiras, madeira e telhados exigem cuidado contínuo para preservar a estética original.
Mesmo assim, o edifício se mantém preservado após mais de 40 anos, o que reforça a qualidade da construção em concreto armado e alvenaria.
O que esse prédio revela sobre arquitetura e cidade
O Casario mostra que prédios não precisam ser apenas funcionais ou apenas estéticos. Eles podem ser ambos. Também revela uma visão urbana mais humana. Ao trazer elementos de casas para um prédio alto, o projeto cria conexão emocional com quem vê e com quem vive ali.
Esse tipo de solução inspira arquitetos a repensar a forma como cidades crescem. Em vez de blocos repetitivos, é possível criar, então, construções com identidade e conforto.
Mais do que um prédio inusitado em Curitiba, o Casario se tornou um símbolo de criatividade aplicada à vida urbana. Ele prova que arquitetura não precisa seguir fórmulas rígidas para funcionar bem. Ao contrário, quando ousa com propósito, ela transforma a paisagem e a experiência das pessoas ao redor.
E você, ao olhar para um prédio assim, prefere a ousadia que chama atenção ou a segurança dos modelos tradicionais?


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