A Cofco International, gigante estatal da China e maior exportadora agrícola do Brasil, comprou ao longo de 2025 um pacote de 23 locomotivas e 979 vagões de carga por R$ 1,2 bilhão. O material será operado pela Rumo e vai escoar 4 milhões de toneladas anuais de grãos e açúcar até o Porto de Santos a partir de 2026.
A Cofco International, estatal da China e maior exportadora agrícola do Brasil, concluiu ao longo de 2025 um pacote de investimentos que coloca a empresa em um novo patamar no controle da cadeia logística do agronegócio nacional. A operação envolveu a compra de 23 locomotivas e 979 vagões de carga por R$ 1,2 bilhão, valor que faz da estatal asiática um dos maiores investidores recentes no setor ferroviário voltado à exportação de commodities. O material rodante será operado pela Rumo, maior concessionária ferroviária do país, e tem missão definida: começar a levar 4 milhões de toneladas anuais de grãos e açúcar das regiões produtoras até o Porto de Santos a partir de 2026.
A motivação por trás do investimento é a chamada verticalização logística, estratégia que busca reduzir custos e controlar todas as etapas do processo de exportação. Em vez de depender exclusivamente de terceiros para transportar a soja, o milho e o açúcar do interior brasileiro até o cais santista, a Cofco passa a operar suas próprias locomotivas e vagões. Segundo InvestNews, o movimento se conecta diretamente à abertura do terminal STS11, terceira instalação da empresa no Porto de Santos, que começou a operar parcialmente em março de 2025 e deve entrar em operação plena em 2026, elevando a capacidade da estatal chinesa no porto santista de 4,5 milhões para 14 milhões de toneladas anuais.
O peso da Cofco no agronegócio brasileiro

A Cofco International é a segunda maior trader de grãos do mundo, atrás apenas da norte-americana Cargill. No Brasil, ela ocupa o topo do ranking entre as exportadoras de produtos agrícolas. Foram 17 milhões de toneladas de produtos exportados pela empresa em 2024, com destaque para soja, milho e açúcar enviados a dezenas de países.
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Apenas no comércio entre Brasil e China, o peso da estatal é igualmente expressivo. Em 2024, o Brasil vendeu 72,5 milhões de toneladas de soja para o mercado chinês, e a Cofco foi responsável por transportar 6,65 milhões de toneladas naquele mesmo ano. O número representa cerca de 9% de tudo o que saiu das lavouras brasileiras para alimentar o maior consumidor mundial de soja, papel exercido justamente pela China.
Esse volume coloca a Cofco em posição estratégica. A empresa não é apenas uma trader como tantas outras, mas o braço comercial direto do principal cliente da soja brasileira. O movimento de comprar locomotivas e vagões para escoar a produção até o Porto de Santos reforça esse papel de protagonismo logístico construído ao longo da última década.
Como vai funcionar a operação dos novos trens a partir de 2026

O pacote ferroviário comprado pela Cofco em 2025 soma 23 locomotivas e 979 vagões de carga, totalizando R$ 1,2 bilhão de investimento. A operação ficará a cargo da Rumo, concessionária que opera a malha ferroviária responsável por boa parte do escoamento de grãos do Centro-Oeste brasileiro até o litoral.
O modelo prevê que os trens da Cofco circulem pelas linhas da Rumo no chamado direito de passagem. A meta inicial é movimentar 4 milhões de toneladas anuais de grãos e açúcar das regiões produtoras até o Porto de Santos, com início efetivo das operações em 2026, ano que também marca a entrada plena do terminal STS11.
Esse volume representa uma fatia relevante da capacidade total da Cofco no porto. A empresa vai escoar pela ferrovia uma parte significativa do que pretende embarcar pelo cais santista, reduzindo a dependência do transporte rodoviário, historicamente mais caro e exposto a gargalos sazonais durante as safras do agronegócio brasileiro.
A linha do tempo dos investimentos no Porto de Santos
A compra das locomotivas e vagões não é um movimento isolado. Ela se encaixa em uma sequência clara de investimentos da Cofco no Porto de Santos, com marcos temporais definidos para os próximos anos.
Os principais passos do plano são:
- Março de 2025: abertura parcial do terminal STS11, terceira instalação da Cofco em Santos
- Ao longo de 2025: compra das 23 locomotivas e 979 vagões por R$ 1,2 bilhão
- 2026: início das operações ferroviárias com a Rumo escoando 4 milhões de toneladas anuais
- 2026: operação plena do terminal STS11, com salto de capacidade de 4,5 milhões para 14 milhões de toneladas anuais
Quando o STS11 estiver totalmente operacional, em 2026, o conjunto se tornará a maior estrutura da Cofco fora da China, ultrapassando até mesmo terminais que a estatal opera em outros países da América Latina, da África e da Ásia. Esse salto consolida o Brasil como o principal polo de operação internacional da gigante chinesa fora de seu território de origem.
O salto de capacidade no Porto de Santos
Atualmente, a Cofco opera com capacidade total de 4,5 milhões de toneladas anuais em Santos, somando dois terminais próprios e o uso de instalações de terceiros. Quando o STS11 entrar em operação plena em 2026, esse total saltará para cerca de 14 milhões de toneladas, mais do que o triplo da capacidade atual.
Vale destacar que esse aumento não significa que a empresa vai exportar exatamente 9,5 milhões de toneladas adicionais. Parte do volume virá da realocação de cargas que hoje saem por terminais de terceiros e passarão para o STS11. O ponto central é a redução de custos da empresa, com mais controle sobre a operação e menor dependência de fornecedores terceirizados a partir de 2026.
Esse modelo de verticalização é tendência crescente no agronegócio global. As grandes traders perceberam que dominar apenas a compra e a venda dos grãos já não basta para manter margens competitivas. O diferencial está em controlar a logística, que pesa entre 25% e 40% no custo total de exportação de commodities agrícolas brasileiras, segundo levantamentos do setor.
A presença da China na infraestrutura brasileira em diferentes momentos
O investimento da Cofco em ferrovias e terminais portuários é apenas uma peça de um mosaico mais amplo. Outras estatais da China marcaram posição em diferentes setores da infraestrutura brasileira ao longo dos últimos anos, formando uma rede de presença coordenada que se reforça mutuamente.
Entre os principais movimentos da China no Brasil estão:
- Desde 2018: a China Merchants Port Holdings (CMPorts) controla o Terminal de Contêineres de Paranaguá, no Paraná
- Em fevereiro de 2025: a CMPorts assinou acordo para comprar 70% do terminal de petróleo do Porto do Açu, no Rio de Janeiro
- Em 2024: a CRRC venceu o leilão do Trem Intercidades entre São Paulo e Campinas, em consórcio com a brasileira Comporte
- Em outubro de 2025: a CRRC passou a operar a fábrica de trens de Araraquara, antes da sul-coreana Hyundai Rotem
- A State Grid controla a CPFL, responsável por 15% da distribuição de energia elétrica no Brasil
- A China Three Gorges (CTG) cuida de 3,5% da geração elétrica brasileira
Esse conjunto de operações forma uma malha de presença chinesa que abrange logística, energia, transporte e exportação de commodities, configurando um modelo de integração econômica de longo prazo entre os dois países. A entrada da Cofco no setor ferroviário brasileiro segue a mesma lógica desse movimento mais amplo.
O impacto para o setor ferroviário brasileiro
Para o setor ferroviário do Brasil, a chegada da Cofco como operadora de material rodante tem efeito direto a partir de 2026. A Rumo, que vai operar os trens da estatal chinesa, ganha um cliente cativo de peso, com volume garantido de carga pelos próximos anos. A operação reforça o protagonismo da empresa brasileira na movimentação de grãos para os portos.
O modelo também sinaliza um caminho para outras grandes traders. Se a operação da Cofco se mostrar bem-sucedida em reduzir custos e aumentar previsibilidade nos próximos anos, é provável que outras gigantes do agronegócio, como Cargill, Bunge e Louis Dreyfus, considerem movimentos parecidos de aquisição de locomotivas e vagões próprios para escoamento de safra.
O efeito sobre o transporte rodoviário também merece atenção. Cada 4 milhões de toneladas que migram da estrada para a ferrovia, a partir de 2026, significa tirar dezenas de milhares de viagens de caminhão das rodovias brasileiras, reduzindo congestionamentos, desgaste das estradas e emissões de gases de efeito estufa associadas ao transporte rodoviário.
O que muda no comércio Brasil-China a partir de 2026
A China é, sem disputa, o destino mais importante das exportações agrícolas do Brasil. Cerca de 80% da soja brasileira embarca rumo a portos chineses, e a tendência é de aumento desse percentual nos próximos anos, com o crescimento da demanda asiática.
Quando o conjunto de investimentos da Cofco no Brasil estiver plenamente operacional, em 2026, a empresa terá capacidade muito maior de atender ao mercado chinês com previsibilidade e custos controlados. O acoplamento entre as ferrovias da Rumo, os terminais santistas e os navios que cruzam o Pacífico se tornará uma engrenagem mais fluida, reduzindo riscos de gargalos logísticos que historicamente afetam as exportações brasileiras durante as safras de pico.
O modelo também reduz a vulnerabilidade da China em relação a fornecedores intermediários. Em vez de depender exclusivamente da Cargill americana ou de outras gigantes ocidentais para movimentar a soja brasileira, Pequim conta agora com uma cadeia logística controlada por uma empresa do próprio governo, com presença direta nas principais regiões produtoras do Brasil.
A aquisição de 23 locomotivas e 979 vagões pela Cofco, concluída ao longo de 2025, confirma uma estratégia de longo prazo das estatais da China no Brasil, com foco em controlar etapas críticas da cadeia logística de exportação. O início das operações em 2026 vai marcar uma nova fase no comércio Brasil-China, com integração ainda maior entre as duas economias.
E você, o que pensa sobre essa expansão? Acredita que a presença das estatais da China na infraestrutura brasileira beneficia o país no longo prazo? Acha que o agronegócio nacional ganha competitividade com investimentos como esse a partir de 2026? Deixe seu comentário, compartilhe sua opinião e marque alguém que acompanha o setor.


Acho cem por cento. Certo