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Motorista recém-habilitado que deixar de pagar o free flow no prazo pode não perder a CNH definitiva: comissão da Câmara aprova tirar os 5 pontos de 3 infrações, mas a multa de R$ 195,23 continua

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Escrito por Douglas Avila Publicado em 08/11/2026 às 13:17 Atualizado em 08/11/2026 às 13:18
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A Comissão de Viação e Transportes da Câmara aprovou na quinta-feira (5) o projeto que tira os pontos da CNH por free flow não pago, estacionamento rotativo e licenciamento vencido, e impede que essas três infrações barrem a carteira definitiva de quem está no primeiro ano de habilitação.

O texto aprovado é o substitutivo do relator, deputado Hugo Leal (PSD-RJ), ao Projeto de Lei 1662/26, apresentado pelo deputado Jonas Donizette (PSB-SP). Ele altera dispositivos do Código de Trânsito Brasileiro.

A mudança mexe com um grupo específico: o motorista que acabou de passar no exame e roda com a Permissão para Dirigir, à espera de completar o ano exigido para trocar o documento.

Hoje, um pedágio esquecido custa 5 pontos

Pelas regras atuais, deixar de pagar a tarifa do pedágio eletrônico sem cancela dentro do prazo pode render multa de R$ 195,23 e cinco pontos na carteira, por se tratar de infração grave, segundo o portal Estradas.

Para quem ainda está na permissão, isso pesa mais. Uma infração grave no período probatório já basta para impedir a emissão da CNH definitiva, mesmo que o motorista nunca tenha cometido erro ao volante.

Por isso, é exatamente esse caso que o projeto quer separar. A passagem pelo pórtico sem pagamento continua sendo infração, mas deixaria de contar como se fosse comportamento perigoso na estrada.

Carteiras Nacionais de Habilitação espalhadas sobre a mesa, documento que motorista recém-habilitado recebe após a permissão para dirigir
O projeto separa infrações administrativas das que medem a direção. Foto: ND Mais

Três infrações deixam de pontuar

O substitutivo retira a contagem de pontos para três condutas. A primeira é o não pagamento da tarifa do pedágio eletrônico, o chamado free flow, dentro do prazo estabelecido.

A segunda são as irregularidades no estacionamento rotativo regulamentado, como as áreas de Zona Azul. A terceira é circular com o licenciamento anual vencido, de acordo com o resumo publicado pelo ND Mais.

Em todos os casos, as multas e as demais medidas administrativas continuam previstas. O projeto elimina a pontuação, não a obrigação de pagar o pedágio, a tarifa do estacionamento ou o licenciamento.

A carteira definitiva passa a olhar só para a direção

Para receber a CNH definitiva, o motorista precisa cumprir 12 meses sem infração grave ou gravíssima e sem reincidir em infração média. Com a proposta, as infrações exclusivamente administrativas deixam de impedir a emissão.

“A iniciativa de impedir que infrações de natureza exclusivamente administrativa obstruam a emissão da CNH definitiva é considerada meritória e oportuna”, disse Hugo Leal, segundo a Agência Câmara.

Para o relator, a avaliação do período probatório deve focar o comportamento ao volante. Atraso de documento ou de pagamento não diz nada sobre como alguém dirige.

Quem tirou a carteira e mora perto de um pórtico sente primeiro

O free flow já cobra em rodovias de vários estados, com pórticos que leem placa ou tag e dão prazo para pagar depois. O motorista novato que esquece esse prazo hoje arrisca a carteira inteira.

O mesmo vale para o motorista profissional que roda todos os dias por trechos com cobrança eletrônica, lembra o portal Estradas. A pontuação acumulada pode levar à suspensão do direito de dirigir.

No Rio Grande do Sul, o problema já virou fila de devolução: quem pagou multa do sistema tenta reaver o dinheiro, e o Detran-RS só devolve para chave Pix de CPF.

Deputado Hugo Leal discursa no plenário da Câmara dos Deputados, relator do projeto da CNH definitiva
Hugo Leal (PSD-RJ), relator do PL 1662/26. Foto: reprodução / ND Mais

A definitiva pode ser cancelada depois

O texto também tem um lado mais duro. A emissão da CNH definitiva não impede o cancelamento se, depois, aparecer penalidade por infração cometida durante a permissão e incompatível com a carteira definitiva.

Dessa forma, a regra tenta fechar uma brecha conhecida. Quando o processamento de uma multa atrasa, o motorista pode receber a definitiva antes de a penalidade chegar ao sistema.

Além disso, nos casos de suspensão ou cassação, o processo de habilitação só poderá ser reiniciado depois do cumprimento integral do prazo da penalidade, conforme o texto aprovado.

Papel e celular continuam valendo

O substitutivo garante expressamente que a CNH será emitida em meio físico e digital. Hugo Leal justificou a medida lembrando que parte da população ainda tem dificuldade com ferramentas digitais.

“Parcela significativa da população ainda enfrenta dificuldades no uso de ferramentas digitais”, afirmou o relator, segundo a Agência Câmara de Notícias.

Ou seja, quem prefere o cartão no bolso não fica obrigado a depender apenas do aplicativo para comprovar a habilitação numa blitz.

Ainda não é lei

Falta muito caminho.

A aprovação na comissão é uma etapa, não o fim. A proposta ainda será analisada em caráter conclusivo pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara.

Para virar lei, o texto terá de ser aprovado pela Câmara e pelo Senado e depois sancionado. Até lá, as regras atuais seguem em vigor para todo motorista.

Portanto, o pedágio eletrônico não pago continua valendo cinco pontos hoje, com a mesma multa de R$ 195,23 para quem deixar a tarifa vencer.

Quem está na permissão não deve contar com a mudança antes da publicação da lei.

O pedágio continua obrigatório

Mesmo se o projeto avançar, a tarifa do free flow segue devida. A multa continua prevista, e o motorista que deixar de pagar segue sujeito às medidas administrativas do código.

Por outro lado, o que muda é o peso na carteira. A infração passaria a custar dinheiro, mas não pontos, e deixaria de decidir sozinha o destino da CNH de quem acabou de se habilitar.

Vejo aqui uma correção de rumo que demorou. O pórtico sem cancela chegou rápido às rodovias, e a regra da pontuação ficou parada no tempo das praças com cobrador.

O que o recém-habilitado pode fazer agora

Enquanto a lei não sai, o caminho é conferir as passagens pelos pórticos dentro do prazo e pagar a tarifa pelo canal indicado pela concessionária de cada rodovia.

Além disso, o mesmo cuidado vale para o licenciamento anual e para o estacionamento rotativo. As três infrações seguem pontuando normalmente até que o projeto conclua toda a tramitação.

Faz sentido um motorista novato perder a carteira definitiva por esquecer de pagar um pedágio sem cancela?

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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