A cultivar BRS Gigante Amarelo, criada pela Embrapa Cerrados com a UnB, rendeu mais de R$ 61,5 milhões em 2025, pelo Balanço Social da estatal, e levou o Prêmio Fortec de Inovação 2026; veja quanto isso dá por hectare e como a conta é feita.
O maracujá BRS Gigante Amarelo, que chega ao mercado com mais que o dobro do tamanho dos antigos, virou dinheiro no bolso de quem planta.
A cultivar, criada pela Embrapa Cerrados (DF), foi plantada em 1.410 hectares em 2025 e teve impacto econômico calculado em mais de R$ 61,5 milhões no ano, informou a Embrapa em 7 de novembro.
O número vem do Balanço Social 2025 da empresa. Pela mesma conta, cada R$ 1 investido no desenvolvimento da variedade devolveu R$ 99 à sociedade.
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A cultivar não é novidade: foi lançada em 2008. A novidade é o prêmio. Os criadores receberam na sexta-feira (6) os certificados do Prêmio Fortec de Inovação 2026, em solenidade na 17ª Feira de Negócios e Inovação da Universidade de Brasília (UnB).
Quanto o maracujá BRS Gigante Amarelo rende por hectare?
Dividindo os R$ 61,5 milhões pelos 1.410 hectares, o impacto fica em cerca de R$ 43,6 mil por hectare em um ano (conta nossa). Esse valor é a fatia do ganho que a Embrapa atribui à própria tecnologia, e não o faturamento total da lavoura.
A produtividade explica o salto, e é nela que mora o ganho do produtor. Pelo comunicado da Embrapa, a BRS Gigante Amarelo pode passar de 100 toneladas por hectare por ano. A média nacional do maracujá fica em 15 toneladas por hectare.
| Item | Número | De onde vem |
|---|---|---|
| Área plantada em 2025 | 1.410 hectares | Balanço Social 2025, citado pela Embrapa |
| Impacto econômico em 2025 | mais de R$ 61,5 milhões | Balanço Social 2025, citado pela Embrapa |
| Por hectare | cerca de R$ 43,6 mil | conta nossa |
| Retorno por real investido | R$ 99 para cada R$ 1 | Balanço Social 2025, citado pela Embrapa |
| Produtividade possível | mais de 100 t por hectare ao ano | Embrapa |
| Média nacional | 15 t por hectare | Embrapa |
Esse teto de 100 toneladas é o máximo que a variedade pode alcançar com bom manejo. Na lavoura comum, a produtividade depende de irrigação, adubação e polinização.
Como a Embrapa calcula o ganho do produtor?
O método aparece no relatório de impacto do Balanço Social 2023, o último com a planilha completa aberta ao público. A conta parte de uma lavoura que sobe de 30 para 40 toneladas por hectare ao ano com a cultivar.
Em 2023, com o quilo do maracujá a R$ 9,49, esse ganho de produtividade valia R$ 94.926 por hectare. A Embrapa credita 70% disso à tecnologia, o que dá R$ 66.448 por hectare.
Multiplicado pelos 785,2 hectares estimados naquele ano, o benefício somou R$ 52,2 milhões. Em 2025, com área maior, a cifra passou dos R$ 61,5 milhões.
A área de adoção é estimada pela venda de sementes.
O mesmo relatório lembra que o maracujá ocupa mais de 50 mil hectares no Brasil, do Rio Grande do Sul a Roraima, e que a BRS Gigante Amarelo chega ao produtor por viveiros e empresas de sementes licenciados pela Embrapa.
Por que o maracujá gigante da Embrapa ganhou prêmio de inovação?
O Prêmio Fortec reconhece tecnologias de universidades e institutos de pesquisa que chegaram ao mercado e geraram impacto real, conforme a descrição publicada pela Embrapa. A BRS Gigante Amarelo ficou em primeiro lugar no Centro-Oeste, na categoria Cultivar.

Foram premiados os pesquisadores Fábio Faleiro, Marcelo Fideles e Nilton Junqueira, da Embrapa Cerrados, e o professor José Ricardo Peixoto, da UnB. A Fortec reúne os núcleos de inovação de universidades e institutos de todo o país.
Para Nilton Junqueira, a cultivar “mudou o perfil de produção de maracujá no Brasil”, contou ele à Embrapa. O pesquisador lembra que a variedade também serviu de base genética para outras cultivares lançadas depois.
O que muda para quem compra a fruta?
Marcelo Fideles disse à Embrapa que os frutos antigos eram pequenos e que a nova cultivar trouxe maracujás com mais que o dobro do tamanho. Segundo ele, o consumidor aderiu rápido e a BRS Gigante Amarelo virou padrão de mercado da fruta fresca.
A ficha técnica da Embrapa descreve frutos amarelos e oblongos, de 120 a 350 gramas, com cerca de 40% de polpa. No primeiro ano, com irrigação, a produção gira em torno de 42 toneladas por hectare.
Fábio Faleiro contou à Embrapa que a cultivar foi lançada há quase 20 anos e segue no mercado, adotada por milhares de produtores em todos os estados e em mais de 10 países.
O Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (CDT) da UnB gravou um vídeo sobre a variedade:
Funciona fora do Cerrado?
Funciona, e o Acre serve de exemplo. A Embrapa Acre testou a cultivar em Senador Guiomard e publicou o resultado num folheto técnico de dezembro de 2015: 47 toneladas por hectare no primeiro ano e 30 no segundo, com 44% de polpa.

Na época, a lavoura acreana de maracujá rendia em média 7,9 toneladas por hectare em 104 hectares, conforme o Comunicado Técnico 187 da Embrapa Acre, de julho de 2015, com dados do IBGE de 2014.
A produtividade alta veio com o pacote completo de manejo: poda, adubação, irrigação, polinização manual e controle de pragas. A Embrapa indica a variedade para praticamente todo o território nacional.
