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R$ 61,5 milhões em um só ano: maracujá BRS Gigante Amarelo, lançado pela Embrapa em 2008 e plantado em 1.410 hectares, pode passar de 100 toneladas por hectare contra 15 da média do país e ganha prêmio de inovação

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 08/11/2026 às 13:45 Atualizado em 08/11/2026 às 13:46
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Maracujá graúdo, ainda verde, pendurado no pé entre ramos e folhas.
Fruto da BRS Gigante Amarelo em teste da Embrapa Acre: a cultivar teve impacto de mais de R$ 61,5 milhões em 2025, pelo Balanço Social da Embrapa. Foto: Romeu de Carvalho Andrade Neto/Embrapa Acre
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A cultivar BRS Gigante Amarelo, criada pela Embrapa Cerrados com a UnB, rendeu mais de R$ 61,5 milhões em 2025, pelo Balanço Social da estatal, e levou o Prêmio Fortec de Inovação 2026; veja quanto isso dá por hectare e como a conta é feita.

O maracujá BRS Gigante Amarelo, que chega ao mercado com mais que o dobro do tamanho dos antigos, virou dinheiro no bolso de quem planta.

A cultivar, criada pela Embrapa Cerrados (DF), foi plantada em 1.410 hectares em 2025 e teve impacto econômico calculado em mais de R$ 61,5 milhões no ano, informou a Embrapa em 7 de novembro.

O número vem do Balanço Social 2025 da empresa. Pela mesma conta, cada R$ 1 investido no desenvolvimento da variedade devolveu R$ 99 à sociedade.

A cultivar não é novidade: foi lançada em 2008. A novidade é o prêmio. Os criadores receberam na sexta-feira (6) os certificados do Prêmio Fortec de Inovação 2026, em solenidade na 17ª Feira de Negócios e Inovação da Universidade de Brasília (UnB).

Quanto o maracujá BRS Gigante Amarelo rende por hectare?

Dividindo os R$ 61,5 milhões pelos 1.410 hectares, o impacto fica em cerca de R$ 43,6 mil por hectare em um ano (conta nossa). Esse valor é a fatia do ganho que a Embrapa atribui à própria tecnologia, e não o faturamento total da lavoura.

A produtividade explica o salto, e é nela que mora o ganho do produtor. Pelo comunicado da Embrapa, a BRS Gigante Amarelo pode passar de 100 toneladas por hectare por ano. A média nacional do maracujá fica em 15 toneladas por hectare.

ItemNúmeroDe onde vem
Área plantada em 20251.410 hectaresBalanço Social 2025, citado pela Embrapa
Impacto econômico em 2025mais de R$ 61,5 milhõesBalanço Social 2025, citado pela Embrapa
Por hectarecerca de R$ 43,6 milconta nossa
Retorno por real investidoR$ 99 para cada R$ 1Balanço Social 2025, citado pela Embrapa
Produtividade possívelmais de 100 t por hectare ao anoEmbrapa
Média nacional15 t por hectareEmbrapa

Esse teto de 100 toneladas é o máximo que a variedade pode alcançar com bom manejo. Na lavoura comum, a produtividade depende de irrigação, adubação e polinização.

Como a Embrapa calcula o ganho do produtor?

O método aparece no relatório de impacto do Balanço Social 2023, o último com a planilha completa aberta ao público. A conta parte de uma lavoura que sobe de 30 para 40 toneladas por hectare ao ano com a cultivar.

Em 2023, com o quilo do maracujá a R$ 9,49, esse ganho de produtividade valia R$ 94.926 por hectare. A Embrapa credita 70% disso à tecnologia, o que dá R$ 66.448 por hectare.

Multiplicado pelos 785,2 hectares estimados naquele ano, o benefício somou R$ 52,2 milhões. Em 2025, com área maior, a cifra passou dos R$ 61,5 milhões.

A área de adoção é estimada pela venda de sementes.

O mesmo relatório lembra que o maracujá ocupa mais de 50 mil hectares no Brasil, do Rio Grande do Sul a Roraima, e que a BRS Gigante Amarelo chega ao produtor por viveiros e empresas de sementes licenciados pela Embrapa.

Por que o maracujá gigante da Embrapa ganhou prêmio de inovação?

O Prêmio Fortec reconhece tecnologias de universidades e institutos de pesquisa que chegaram ao mercado e geraram impacto real, conforme a descrição publicada pela Embrapa. A BRS Gigante Amarelo ficou em primeiro lugar no Centro-Oeste, na categoria Cultivar.

Nove pessoas em fila num palco, quatro delas segurando certificados brancos, com arranjo de flores à frente e painel do CDT e do PCTec da UnB ao fundo.
Entrega dos certificados do Prêmio Fortec de Inovação 2026 aos criadores da BRS Gigante Amarelo, na sexta-feira (6), na UnB. Foto: Divulgação Universidade de Brasília

Foram premiados os pesquisadores Fábio Faleiro, Marcelo Fideles e Nilton Junqueira, da Embrapa Cerrados, e o professor José Ricardo Peixoto, da UnB. A Fortec reúne os núcleos de inovação de universidades e institutos de todo o país.

Para Nilton Junqueira, a cultivar “mudou o perfil de produção de maracujá no Brasil”, contou ele à Embrapa. O pesquisador lembra que a variedade também serviu de base genética para outras cultivares lançadas depois.

O que muda para quem compra a fruta?

Marcelo Fideles disse à Embrapa que os frutos antigos eram pequenos e que a nova cultivar trouxe maracujás com mais que o dobro do tamanho. Segundo ele, o consumidor aderiu rápido e a BRS Gigante Amarelo virou padrão de mercado da fruta fresca.

A ficha técnica da Embrapa descreve frutos amarelos e oblongos, de 120 a 350 gramas, com cerca de 40% de polpa. No primeiro ano, com irrigação, a produção gira em torno de 42 toneladas por hectare.

Fábio Faleiro contou à Embrapa que a cultivar foi lançada há quase 20 anos e segue no mercado, adotada por milhares de produtores em todos os estados e em mais de 10 países.

O Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (CDT) da UnB gravou um vídeo sobre a variedade:

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Funciona fora do Cerrado?

Funciona, e o Acre serve de exemplo. A Embrapa Acre testou a cultivar em Senador Guiomard e publicou o resultado num folheto técnico de dezembro de 2015: 47 toneladas por hectare no primeiro ano e 30 no segundo, com 44% de polpa.

Maracujazeiros com folhas verdes e flores brancas e roxas em fileira de lavoura.
Maracujazeiros em flor em área acompanhada pela Embrapa Acre, que testou a cultivar e chegou a 47 toneladas por hectare no primeiro ano. Foto: Romeu de Carvalho Andrade Neto/Embrapa Acre

Na época, a lavoura acreana de maracujá rendia em média 7,9 toneladas por hectare em 104 hectares, conforme o Comunicado Técnico 187 da Embrapa Acre, de julho de 2015, com dados do IBGE de 2014.

A produtividade alta veio com o pacote completo de manejo: poda, adubação, irrigação, polinização manual e controle de pragas. A Embrapa indica a variedade para praticamente todo o território nacional.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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