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Cientistas transformam humanos em “centauros” com nova tecnologia que acopla pernas robóticas ao corpo, reduz o peso das cargas pela metade e faz a ficção mitológica ganhar forma no mundo real

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Escrito por Ana Alice Publicado em 18/03/2026 às 14:33 Atualizado em 18/03/2026 às 14:34
Assista o vídeoRobô vestível criado na China divide carga com o usuário, reduz esforço físico e levanta debate sobre aplicação prática e segurança. (Imagem: Reprodução)
Robô vestível criado na China divide carga com o usuário, reduz esforço físico e levanta debate sobre aplicação prática e segurança. (Imagem: Reprodução)
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Pesquisa chinesa apresenta robô vestível que divide o peso com o usuário, opera como um par extra de pernas e reacende o debate sobre aplicações práticas, segurança e uso em terrenos complexos.

Robô vestível de Shenzhen cria sistema híbrido de locomoção

Pesquisadores da Southern University of Science and Technology (SUSTech), em Shenzhen, na China, apresentaram um robô vestível desenvolvido para ampliar a capacidade humana de transportar carga e formar um sistema híbrido de locomoção com quatro apoios.

Batizado de Centaur, o dispositivo é conectado à parte traseira do corpo por uma interface elástica presa à região do abdômen e das costas e funciona como um par extra de pernas robóticas que acompanha o passo do usuário.

O estudo foi publicado em fevereiro na revista The International Journal of Robotics Research.

Na prática, a proposta combina a tomada de decisão humana com o suporte mecânico do robô.

O usuário define direção, ritmo e trajetória, enquanto a estrutura robótica sincroniza os movimentos e absorve parte da carga.

Em vez de substituir a pessoa, o sistema foi projetado para dividir o esforço físico durante o deslocamento em terrenos variados, incluindo trechos com inclinação, degraus e mudanças de direção.

Tecnologia inspirada em centauro busca melhorar transporte de carga

O nome e o formato fazem referência ao centauro da mitologia grega, figura descrita como metade humano, metade cavalo.

No protótipo chinês, a associação é visual e funcional: o robô fica atrás do corpo e, em movimento, forma um conjunto integrado entre pessoa e máquina.

Segundo os pesquisadores, porém, o objetivo do projeto está relacionado ao transporte de carga e à locomoção assistida, e não ao aspecto estético do equipamento.

De acordo com os autores, a motivação da pesquisa surgiu das limitações observadas em robôs de carga autônomos, especialmente em ambientes sem mapeamento prévio.

Nesses cenários, esses sistemas podem enfrentar dificuldades de navegação, além de restrições de autonomia e capacidade de carga.

A estratégia adotada pelo Centaur foi unir a leitura humana do ambiente com a sustentação mecânica do robô, em um arranjo no qual cada parte assume uma função específica durante a caminhada.

Testes com carga de 20 quilos indicam redução de esforço

Nos testes descritos no estudo, o equipamento mostrou capacidade de acompanhar diferentes velocidades e direções de marcha.

Os pesquisadores também avaliaram o desempenho do robô em percursos com zigue-zague, escadas, rampas e trechos externos mais irregulares.

Segundo o artigo, “os resultados da avaliação experimental demonstram” que o Centaur consegue se adaptar ao deslocamento humano enquanto colabora para a travessia de diferentes tipos de terreno.

Os dados apresentados pelos autores indicam redução do esforço físico em condições controladas.

Em experimento com carga de 20 quilos, o sistema atingiu uma taxa média de compartilhamento de carga de 52,22%, reduziu o custo metabólico líquido da caminhada em 35,16% e diminuiu a pressão média exercida sobre os pés em 51,97%, na comparação com o transporte convencional do mesmo peso.

Segundo o estudo, isso indica que o robô recebe parte da carga e altera a forma como o esforço é distribuído ao longo do corpo durante o deslocamento.

Além de sustentar peso, o equipamento foi descrito pelos autores como capaz de fornecer um impulso horizontal leve durante a caminhada.

De acordo com o estudo, esse efeito ajuda o usuário a avançar e contribui para a manutenção da postura, o que está associado à redução do gasto energético observada nos testes.

O princípio de funcionamento difere do de um exoesqueleto clássico, que normalmente atua diretamente nas pernas da pessoa.

No caso do Centaur, o robô funciona como uma estrutura independente, acoplada ao corpo, mas com passada própria e sincronizada ao movimento humano.

Aplicações práticas e limites do Centaur em uso real

Esse desenho aproxima o projeto tanto dos robôs autônomos de carga quanto das tecnologias vestíveis de assistência.

De um lado, o sistema preserva a capacidade humana de escolher o caminho e reagir ao ambiente em tempo real.

De outro, transfere parte do esforço físico para a máquina.

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Segundo os autores, essa combinação busca contornar limitações já observadas em plataformas autônomas e em dispositivos vestíveis que, em determinadas aplicações, ainda apresentam ganhos restritos de eficiência.

A aplicação prática do Centaur foi associada, em relatos sobre o estudo, a situações de logística, resposta a desastres e transporte de materiais em áreas acidentadas.

Nessas condições, segundo a descrição do projeto, rodas convencionais, carrinhos ou plataformas simples podem encontrar limitações em escadas, solo irregular ou trajetos com obstáculos.

Até o momento, porém, o trabalho divulgado publicamente descreve testes experimentais e não há confirmação pública de uso operacional em larga escala.

Repercussão nas redes sociais levanta dúvidas sobre utilidade e segurança

A repercussão fora do ambiente acadêmico incluiu manifestações de ceticismo em redes sociais.

Em discussões no Reddit, usuários questionaram a utilidade prática do sistema em comparação com soluções mais simples.

Um deles escreveu que “um carrinho de compras quase sempre seria uma solução melhor”.

Outro ironizou o uso do dispositivo ao dizer que ele talvez fosse útil “da próxima vez” em que precisasse carregar um corpo para um vulcão adormecido.

Também houve comentários sobre possíveis riscos em caso de tropeço ou queda com carga.

Um usuário argumentou: “Imagina correr com isso carregando peso, tropeçar e quebrar as costas quando ele cair em cima de você com força”.

“Em seguida, comparou a experiência a “dirigir um carro sentado no capô”.”

Os trechos do estudo acessíveis publicamente não trazem resposta direta dos autores a essas manifestações feitas por internautas.

Estudo concentra análise em desempenho e locomoção assistida

As reações nas redes mostram uma diferença entre o desempenho registrado em ambiente de teste e as dúvidas levantadas por parte do público sobre uso cotidiano, ergonomia e segurança.

No campo acadêmico, o Centaur foi apresentado como uma alternativa para reduzir desgaste físico e melhorar o transporte de carga em terrenos difíceis.

Já entre usuários de plataformas online, a comparação com soluções mais simples apareceu como um dos principais pontos de contestação.

Mesmo com esse contraste, o estudo concentra sua análise em resultados experimentais e no comportamento do robô durante a locomoção assistida.

Os dados publicados tratam de adaptação a diferentes velocidades, compartilhamento de carga, redução de pressão nos pés e menor custo metabólico em caminhada com peso.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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