Uma equipe internacional do projeto SWAIS2C perfurou a camada de gelo da Antártida Ocidental e recuperou 218 metros de sedimentos com microfósseis marinhos que registram 23 milhões de anos de história climática, incluindo períodos em que o oceano ocupava o lugar onde hoje existe meio quilômetro de gelo sólido
Uma equipe internacional acampada por quase dez semanas sobre o gelo da Antártida Ocidental acaba de concluir a perfuração mais profunda já feita sob uma camada de gelo no continente. Os cientistas do projeto SWAIS2C derreteram 523 metros de gelo usando água aquecida a 75°C e depois continuaram perfurando 228 metros na rocha abaixo, recuperando 218 metros de sedimentos antigos que parecem registrar cerca de 23 milhões de anos de história climática da Antártida.
Segundo Antarctica New Zealand, o que esses sedimentos revelam é extraordinário. Dentro das amostras, os pesquisadores encontraram microfósseis de organismos marinhos que precisam de luz solar para sobreviver, o que significa que não poderia haver uma camada espessa de gelo sobre eles quando estavam vivos. Em outras palavras, onde hoje existem 523 metros de gelo na Antártida, em certos períodos do passado havia oceano aberto. A descoberta pode reformular o que sabemos sobre a futura elevação do nível do mar e os riscos para 680 milhões de pessoas que vivem em zonas costeiras.
Como cientistas perfuraram meio quilômetro de gelo na Antártida com água quente

O local da perfuração fica na Crary Ice Rise, uma elevação de gelo ancorada em rocha a mais de 700 quilômetros da estação de pesquisa mais próxima, a Base Scott. Tudo precisou ser transportado através do gelo por tratores: combustível, alimentos, equipamentos e o sistema de perfuração personalizado.
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Um acampamento com 29 pessoas viveu em tendas sobre o gelo da Antártida, trabalhando em turnos ininterruptos durante quase dez semanas.
O processo começou com uma perfuratriz de água quente que derreteu um túnel estreito através dos 523 metros de gelo, usando água aquecida a aproximadamente 75 graus Celsius. Depois que o gelo foi atravessado, a equipe baixou mais de um quilômetro de tubos e ferramentas de perfuração até atingir os sedimentos acumulados ao longo de milhões de anos.
Tentativas anteriores em ambientes semelhantes na Antártida só haviam conseguido recuperar menos de dez metros de sedimentos. Os 218 metros obtidos pelo projeto SWAIS2C quebraram esse recorde de forma avassaladora.
Os microfósseis que provam que a Antártida já foi oceano aberto

À medida que cada seção de três metros era retirada, a equipe abria, fotografava e registrava o conteúdo no próprio acampamento. Algumas camadas tinham a aparência esperada sob uma camada de gelo moderna: material compactado e arenoso, típico de geleiras que trituram rochas.
Outras camadas eram completamente diferentes, com restos fósseis de organismos marinhos e fragmentos de conchas que pertencem à água do mar iluminada pelo sol.
Esses organismos precisam de luz para sobreviver. Se estavam vivos naquele ponto, não poderia haver centenas de metros de gelo sobre eles. A conclusão é direta: essa parte da Antártida, que hoje está coberta por meio quilômetro de gelo sólido, já foi oceano aberto em determinados períodos do passado.
A datação preliminar baseada nos microfósseis sugere que o registro cobre os últimos 23 milhões de anos, período que inclui vários intervalos quentes em que as temperaturas globais estavam mais de 2°C acima dos níveis pré-industriais.
Por que 2 graus a mais de aquecimento colocam a Antártida em risco
A sigla SWAIS2C significa Sensibilidade da Calota de Gelo da Antártida Ocidental a 2°C. Esse número não é arbitrário. Os acordos climáticos internacionais consideram um aquecimento de 1,5 a 2°C como o limite máximo antes que os riscos de elevação do nível do mar, calor extremo e perda de ecossistemas se tornem muito mais difíceis de controlar.
A camada de gelo da Antártida Ocidental contém gelo suficiente para elevar o nível global do mar em 4 a 5 metros caso derretesse completamente.
Esse derretimento total não aconteceria da noite para o dia, mas em séculos. O problema é que os pontos de inflexão que disparam o recuo irreversível do gelo podem ser ativados em níveis de temperatura próximos à trajetória atual de emissões.
Os sedimentos encontrados na Antártida mostram que isso já aconteceu antes, em períodos quentes do passado, quando a Terra atingiu temperaturas semelhantes às que estamos caminhando para alcançar. É essa conexão entre passado e futuro que torna a descoberta tão relevante.
O que a lama da Antártida tem a ver com cidades costeiras e seguros de imóveis
À primeira vista, um acampamento de perfuração remoto na Antártida parece desconectado da vida cotidiana. Na prática, os dados extraídos desses sedimentos influenciam diretamente decisões que afetam milhões de pessoas.
Estimativas mais precisas sobre a futura elevação do nível do mar ajudam cidades a decidir onde construir diques, se devem recuar de áreas expostas e como planejar infraestrutura nas próximas décadas.
Esses dados alimentam mapas de inundação que determinam custos de seguro e riscos de financiamento para imóveis próximos à costa. Portos, usinas de energia, túneis de metrô e estações de tratamento de esgoto precisam saber com que frequência podem ficar submersos.
Pelo menos 30 centímetros de elevação do nível do mar até 2100 já são considerados praticamente inevitáveis, e em cenários de emissões elevadas o total pode atingir entre 1 e 2 metros. Os sedimentos da Antártida ajudam a calibrar essas projeções com dados reais do passado geológico.
O que acontece agora com os sedimentos retirados da Antártida
As amostras foram transportadas para a Nova Zelândia e serão divididas entre equipes de pesquisa em cerca de dez países.
Pesquisadores apoiados por instituições como a Victoria University of Wellington, a ETH Zurich e diversas outras universidades vão usar técnicas de datação, análise química e estudo de microfósseis para verificar a cronologia dos 23 milhões de anos registrados nos sedimentos e reconstruir as temperaturas oceânicas do passado na Antártida.
Serão necessários anos de análises laboratoriais para extrair toda a informação contida nesse cilindro de lama antártica. Os resultados serão incorporados a modelos de calotas polares e de nível do mar que subsidiam avaliações nacionais de risco climático em todo o mundo.
O Projeto Internacional de Perfuração Científica Continental, que financiou a operação na Antártida em seu primeiro projeto no continente, já classifica o material como um registro geológico crucial para entender como essa vulnerável camada de gelo respondeu a períodos quentes do passado.
O que a lama de 23 milhões de anos diz sobre o futuro
Um cilindro de sedimentos retirado debaixo de meio quilômetro de gelo na Antártida se tornou uma das evidências mais claras de que o continente congelado nem sempre esteve congelado.
Onde hoje há gelo sólido, já houve oceano aberto. E as condições que permitiram isso no passado não estão tão distantes das que o aquecimento global pode produzir nas próximas décadas.
A pergunta que os cientistas tentam responder agora é: com que velocidade o gelo responderá desta vez?
Você sabia que a Antártida já foi oceano aberto? Acha que descobertas como essa mudam a forma como pensamos sobre mudanças climáticas, ou os dados ainda são distantes demais da nossa realidade? Deixe nos comentários e compartilhe este artigo com quem se interessa por ciência e clima.

O aquecimento acontecido a bilhões de anos foi justamente uma das causas da mudança do eixo.Portanto, a matéria informa uma repetição que se alinha basicamente a um ciclo natural relativamente ao núcleo magmático mas que se une ao comportamento dos gases produzidos de forma industrial …o derretimento das geleiras resulta numa concentração da água na região do Equador, forçando o planeta a reorganizar seu ponto de equilíbrio, trabalhando juntamente com a influência da Lua.
Está descoberta pode ter uma outra interpretação, diferente da que está associada a aquecimento global a milhões de anos no passado.
Uma segunda interpretação poderia ser que o eixo orbital imaginário do planeta poderia ter um ângulo diferente e consequentemente os pólos congelados da terra estivessem em outra região diferente da atual.
Isso explicaria as evidências de geleiras no interior do Estado de São Paulo por exemplo, como no município de Itú.
Isso mesmo Carlos!; sabedoria!, pois par q isso possa ter acontecido somente com a mudança do eixo orbital da terra!, e isso pode acontecer quantas vzs for necessário depende da necessidade pois a terra ñ depende somente de um movimento ou ângulo isto pq ela é uma. Esfera q não se limita em uma só posição pois todos os ângulos e posicpara ela é posição basta um lado se deteriorar o Criador reverte a sua posição e É ISSO Q ACONTACEU NESTE CASO AI Q q os cientistas estão expondo q aconteceu a mudança devido algo semelhante aos dias. De hoje superaquecimento e por isso ouve a mudança do eixo orbital!; FAMTASTICO A OBRA DE DEUS Ñ TEM LIMITES PARA Q POSSA COLAPSAR!..