Estudo confirma descoberta de nova espécie de ave rara na Serra do Divisor, Acre, com canto único que ecoa nas montanhas e população restrita a altitudes específicas, reforçando a urgência da preservação ambiental contra projetos de infraestrutura na região amazônica.
Uma expedição científica à Serra do Divisor revelou a descoberta da Tinamus resonans, nova espécie de ave descrita no periódico Zootaxa pelo pesquisador Marco Aurélio Crozariol e parceiros institucionais.
Características exclusivas da nova espécie de tinamídeo
A Tinamus resonans pertence ao grupo dos tinamídeos e habita exclusivamente áreas altas da Serra do Divisor. Os cientistas notaram combinações inéditas de plumagem e vocalização para a confirmação taxonômica.
O canto da ave destaca-se por notas longas e potentes que ecoam nas encostas montanhosas. Esse efeito acústico raro inspirou o nome científico resonans, associado à reverberação sonora local.
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A sururina-da-serra apresenta um padrão cinza-ardósia na face semelhante a uma máscara distinta. O peito possui coloração castanho-avermelhada e o dorso é marrom-acinzentado uniforme e sem repetições no gênero.
Metodologia de coleta e importância científica
Encontrar uma nova espécie de ave é um evento considerado extremamente incomum pelos pesquisadores. A descoberta exige a coleta imediata de amostras para depósito em coleções científicas de museus.
Marco Aurélio Crozariol participou da investigação devido à sua ampla experiência em trabalhos de campo. Ele também possui especialização na preparação técnica de exemplares de aves para coleções museológicas.
Estimativas populacionais e habitat restrito
As expedições registraram a espécie entre 310 e 435 metros de altitude na região. O habitat é uma faixa estreita de transição entre floresta submontana e a floresta anã.
O solo raso e a densa rede de raízes formam um ambiente muito específico. O estudo estima a existência de cerca de 2.100 indivíduos restritos ao maciço da Serra do Divisor.
Parte dos espécimes coletados encontra-se depositada no acervo do MHNCE/Uece atualmente. A instituição contribuiu com o trabalho de campo, documentação técnica e toda a análise taxonômica necessária.
Preservação ambiental e ameaças ao território
As amostras comprovam as características originais do animal descrito para consultas futuras. Ter esses itens no acervo torna o museu um centro de referência no conhecimento da biodiversidade.
A divulgação dessas descobertas aproxima o público dos museus e demonstra relevância social. Isso fortalece a missão científica, amplia a visibilidade institucional e atrai novos parceiros e investimentos.
A Serra do Divisor é uma das áreas menos estudadas da Amazônia brasileira. Existem propostas de rebaixamento do Parque Nacional para Área de Proteção Ambiental, permitindo obras de infraestrutura.
A descoberta reforça a importância da conservação da região contra a exploração mineral. O achado pde contribuir para o fortalecimento do turismo ecológico e preservação da biodiversidade local.
A pesquisa foi desenvolvida pelo MHNCE/Uece, Museu Nacional/UFRJ, UFSCar e Secretaria do Meio Ambiente. O estudo completo com os dados detalhados está disponível para acesso no artigo científico publicado.

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